Divulgação de notas? "Enquanto não estiverem todas corrigidas, há risco"
O ministro da Educação, Fernando Alexandre, reforçou, esta quinta-feira, que a tutela está "na reta final" para "lançar as classificações" dos exames nacionais, na sexta-feira, tendo apelado à disponibilidade dos professores. No entanto, assumiu que "há sempre o risco" de as classificações não serem publicadas amanhã.
"Estamos na reta final para podermos lançar as classificações de todos os exames nacionais amanhã. Temos, do ponto de vista tecnológico, tudo preparado. Estamos, neste momento, a aguardar a conclusão da correção de algumas provas e, de acordo com o júri nacional de exames, estamos com dificuldades em conseguir que haja professores classificadores para algumas provas", enquadrou o responsável pela tutela, em declarações à imprensa.
Fernando Alexandre indicou que as maiores dificuldades sentem-se nas disciplinas de Português e de Matemática, sendo que "Português foi uma prova que, de facto, teve muitos problemas, porque foi a primeira a ser distribuída e foi a primeira com mais erros, que precisaram de ser corrigidos e validados".
"É verdade que, ontem, ainda tivemos de distribuir algumas provas em resultado do processo de validação muito rigoroso que foi montado nas últimas semanas. Isso veio, obviamente, trazer mais alguma sobrecarga para os professores mas, tendo chegado a este ponto, em que temos 99,3% das respostas corrigidas, aquilo que venho aqui dizer é que precisamos que os professores classificadores continuem disponíveis para fecharmos", advertiu.
Em concreto, o ministro exemplificou que faltam corrigir "373 respostas" na prova de Física e Química, que se encontra nos 99,9%. "É muito difícil [para a sociedade] perceber que uma prova não vai ter os resultados publicados porque há 373 respostas por corrigir, quando já foram corrigidas cerca de 30 mil. Estou a pedir ajuda aos professores", repetiu.
Na ótica de Fernando Alexandre, "não há explicação para que o sistema educativo, com tudo o que correu mal, - serão tiradas as consequências, haverá uma auditoria, haverá responsabilidades -, estando tão perto de terminar, não consiga fechar este tema".
Assumindo que "não é responsabilidade dos professores", o ministro voltou a apelar à "colaboração" dos docentes, ainda que tenha ressalvado ter "alguma dificuldade" em compreender os constrangimentos, já que conhece "os professores".
"Não estamos a conseguir fechar as provas porque não há professores classificadores disponíveis. Eu acho que isso é muito difícil de explicar à sociedade portuguesa, porque estamos mesmo no fim. A culpa será apurada no fim. Agora, estamos concentrados em resolver o problema, porque reunimos todas as condições tecnológicas. Aliás, durante a tarde poderão começar a ser enviadas as provas que estão fechadas, para as escolas poderem publicar amanhã. Mas obviamente que temos de fechar todas as provas", complementou.
Confrontado com os problemas na plataforma de classificação, o responsável pela pasta da Educação referiu que "a plataforma tem estado a funcionar", o que "não quer dizer que não possa haver alguma manutenção, mas é sempre feita para melhorar". "Não é essa a razão, garanto-lhe", asseverou.
"O apelo que deixo aqui a todos os professores, agradecendo mais uma vez todo o esforço que fizeram, ainda por cima num contexto de perturbação, em que houve muita coisa que não correu bem, é que possam ajudar nesta fase final a resolver um problema que não é do ministro, é do sistema educativo, que tem de conseguir responder àquilo que os alunos e as famílias esperam", disse.
Fernando Alexandre confessou, contudo, que "há sempre o risco" de as classificações não serem publicadas amanhã, como está previsto. "Enquanto eu não tiver todas as provas corrigidas, claro que há riscos, é óbvio. Há um calendário definido à hora, todos os processos estão definidos, o processo tecnológico está testado. Por isso, o que precisamos é de fechar a correção das provas, que sei que não começou bem, mas os resultados que foram alcançados neste período muito curto são espetaculares", disse.
Fernando Alexandre adiantou que, na segunda fase, o formato de correção será o mesmo, tendo em conta que "todos os problemas tecnológicos foram corrigidos" e, como tal, "não serão repetidos". Assim, rematou que "o obstáculo que temos é a correção por parte dos professores".
[Notícia atualizada às 11h16]
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