DJ, PR e PM: a escola inaugurada só por 175.000€

🗓️ 2026-09-23 📁 business-finance 📝 ⏱️ 👁️ : -

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"Ideias Feitas." "Ideias Feitas" com Alberto Gonçalves. Olá, Alberto, bem-vindo. E hoje um DJ por 175 mil.

Salvo seja. Também não foi só o DJ. Olá, Ricardo. Eu sei que vocês sabem do que estamos a falar. Vocês aí na Rádio Observador, que ouvi vos agora a falar mesmo sobre isso. Não sei se a maioria das pessoas sabe que na passada segunda-feira foi inaugurada uma escola secundária em Cascais. Se não sabem, fazem mal, e se sabem, era exatamente esse o objetivo da inauguração. E eu passo a explicar: a inauguração, como vocês acabaram de dizer, custou €175 mil já com IVA, mas nada nesta verba é anormal ou questionável, já que a escola toda custou 32 milhões, dos quais 24 milhões vieram do PRR e, pelos vistos, as linhas de orientação do PRR recomendam ou exigem, não percebi bem, que se provoque impacto mediático sempre que se inauguram projetos com investimentos acima dos 10 milhões, desde que esses milhões sejam pagos pelo PRR. Vai daí, quem de direito criou o requerido impacto mediático, pelo menos com esta polêmica em volta da quantia gasta na tal inauguração. E era de esperar que num país de invejosos e num ambiente político propenso àquele terrível populismo, houvesse críticas aos 175 mil euros. Eu, por mim, nem acho caro e antes de condenar o evento, as pessoas deviam ter em conta aquilo que os 175 mil euros pagaram. E desde logo, nem sequer pagaram as presenças das individualidades que lá estiveram, o presidente da República, o primeiro-ministro, mais uns quantos governantes, um autarca ou outro e o senhor Cardeal Patriarca de Lisboa, que de certeza, imagino eu, não cobraram cachê para marcar presença em tão importante acontecimento. Quando muito, o contribuinte patrocinou as deslocações das personalidades. Dado o preço dos combustíveis que o governo não pode reduzir para não desequilibrar as contas públicas, as deslocações não terão saído baratas, mas também não vamos agora somar ao populismo, vamos cair no miserabilismo, também já era excessivo. Agora, sobre o que os 175 mil euros com IVA pagaram, o contrato está publicado no Portal Base, foi celebrado com a empresa unipessoal Vertente Versátil, que venceu um concurso público em que concorreram três empresas. Apresentou o preço mais baixo dessas três empresas, 142 mil e uns trocos mais IVA. E o objeto do contrato era a conceção, produção e realização do evento de inauguração da referida nova Escola Secundária de Cascais. O caderno de encargos previa, entre outras minudências, e agora prestem atenção à seguinte lista, que eu acho que a Judite França acabou de referir: uma equipa de quatro pessoas para decoração, seis horas de um DJ, uma performance musical com três artistas e um coreógrafo, montagem de três ecrãs, o maior com 56 metros quadrados, instalação de uma passarela e contratação de segurança para montagem e desmontagem num prazo de 10 dias. Eu não sei quais são as referências dos sujeitos que criticam isto. Se calhar inspiram-se no Burkina Faso ou, para que não me acusem de xenofobia, no Portugal de antigamente, onde se inauguravam escolas. Tu próprio disseste há pouco, no nosso tempo as escolas não eram inauguradas com estas coisas. Talvez um dankake, com sorte. Mas inauguravam-se escolas, de facto, sem recorrer a disc-jockeys, sem ecrã nenhum de 56 metros quadrados, nem sequer um televisorzinho assim de 50 centímetros de diagonal. Provavelmente, é a este estado de penúria que gostariam de regressar. Ou nem isso, eu desconfio que a ideia é apenas aproveitar uma inauguração feita como deve ser para ataques políticos de baixíssimo nível, porque eu não acredito que haja alguém em 2026 que julgue sinceramente que uma escola secundária possa abrir as portas sem que apareçam por lá, no mínimo, três artistas e um coreógrafo ou sem uma passarela em condições. Eu pela parte dos invejosos, não sei. Pela minha parte, aconselho a todos que guardem o contacto da empresa unipessoal que organizou o evento. Nunca se sabe se pode dar jeito em casamentos e batizados. O nome, repito, é Vertente Versátil, está sediada em Coimbra e informa nas suas redes sociais que, passo a citar: "Estamos à distância de uma chamada ou de uma mensagem, peça-nos sugestões de decoração, de receitas de bolos de aniversário, dicas para organizar o roupeiro, etc." E acrescenta: "Transformamos ideias em experiências memoráveis." E eu não tenho qualquer dúvida, a Vertente Versátil, pelos vistos, faz mais ou menos tudo e ainda por cima a preços inferiores à concorrência. Se for o PRR a pagar ou o contribuinte nas sobras, até sai de borla.

Obrigado, Alberto, e até amanhã.

Até amanhã, Ricardo.

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