Do contorno ao verniz: os segredos do retrato a carvão
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A Rádio Observador continua em Santa Comba Dão, no Núcleo Museológico de Artes e Ofícios. Por estes dias, a música também se faz através do desenho, aqui numa exposição que reúne retratos de alguns dos grandes nomes da música clássica. Manuel dos Santos é o autor destes retratos e acompanha-me nestas visitas para nos dar a conhecer as obras da sua autoria. Eu sugiro, Manuel, que hoje olhemos para dois compositores do século XIX, ambos oriundos do centro-leste europeu. Falo de Tchaikovsky e de Dvořák. O primeiro, Tchaikovsky, é russo, é autor de obras muito conhecidas, como é o caso de "O Lago dos Cisnes" e "O Quebra-Nozes". Era, digamos, à semelhança de Mozart, que falámos há pouco, um nome inevitável para ter aqui nesta exposição.
Sim, também é um nome incontornável da figura que ele representa aqui e que realmente é uma expressão de profundidade. É um desenho que também merece a pena ver e que é realmente igual quase aos outros.
E que pode ser visto, este desenho, até setembro, certo?
Até ao dia 30 de setembro.
Até ao final de setembro. Têm tempo para vir visitar aqui o NMao, em Santa Comba Dão, e ver vários grandes nomes da música retratados pelo artista português Manuel dos Santos, que já confessou que enquanto criava estas obras, ouvia a música dos artistas. Estas obras foram feitas há mais de 15 anos para entrar assim no mundo do artista. A primeira vez que estas obras estiveram expostas foi em Lisboa, Manuel, mas não foi no formato que aqui estão hoje em dia. Qual era a diferença? Está a me explicar.
Primeiramente, eu fiz estes desenhos só com o traço, só com o risco. Depois fiz a exposição e no fim houve uma pessoa amiga que me sugeriu para que eu completasse em carvão. E foi o que eu fiz. Realmente, ficou uma obra espetacular, no meu ver. Estou a dizer por mim.
Eu confirmo.
E que eu gosto muito de os ver, mas que depois foi posto o carvão em cima e ficaram com esse aspecto espetacular.
Para quem nos ouve, para perceber melhor, que não estão a ver os quadros. Quando diz que a primeira vez foi só com traço, por exemplo, aqui este autor russo está representado com casaco, gravata, onde está tudo pintado a preto, o casaco e a gravata, no caso. Nessa primeira fase, estaria apenas o contorno do desenho, é isso?
Exatamente. Só o traço, mais nada, o contorno total do desenho.
Muito bem. A primeira vez que esta exposição esteve foi em Lisboa, na altura o Manuel vivia lá, antes de se mudar aqui para Santa Comba.
Exatamente. Mas já esteve exposta em mais lados lá em Lisboa.
Como por exemplo?
Por exemplo, no Centro Cultural de Alberca. Tem lá um centro cultural, esteve lá exposto. Esteve exposto também aqui, já em Santa Comba, na Casa da Cultura. E na galeria lá embaixo em Lisboa, a Cnetom. E em vários lados que eu vou expondo.
Muito bem, várias casas para estes desenhos. Vamos agora andar aqui um pouco, vamos subir a rampa que existe aqui no NMao, para nos dirigirmos também para o outro artista aqui representado pelo Manuel dos Santos. Temos também aqui um que nasceu também no Império Austríaco, num território que hoje pertence à República Checa. Falo de Dvořák, nasceu em 41, faleceu em 1904. Lembra-se quanto tempo é que demorou a desenhar aqui Dvořák, que tem uma barba muito carregada. Aqui, por exemplo, gastou muito carvão, Manuel.
Sim, há sítios dali que estão levezinhos, com o carvão muito leve, e tem outros sítios da barba que estão mais carregados. E quase que a boca nem se vê, só se vê um bocadinho, porque ele tinha a barba toda muito cheia. O cabelo dele também é espetacular, que eu também achei muito espetacular. Também tem uma expressão muito boa e que eu gostei muito.
Quando é que o Manuel sabe que não é para mexer mais? Ou seja, o retrato está feito, a expressão está exatamente como o Manuel quer e que é para pousar o carvão e não tocar mais.
Sim, isso é uma realidade, porque ao fazer este desenho e ao aplicar o carvão em cima, nós vamos começando a gostar dos tons que ele está a ter. E chegando a um ponto, nós temos que dizer assim: "Não vale a pena mexer mais, porque senão vamos estragar." E então é quando eu deixo o desenho para ser aplicado o verniz por cima, o verniz de carvão.
Esse é o processo final, é a aplicação do verniz.
Exatamente, mas o verniz carvão não é verniz carvão, é o verniz próprio para cobrir o carvão.
E é desta forma e com esta explicação que terminamos este episódio entre a Rússia de Tchaikovsky e a Boêmia de Dvořák, a República Checa, atualmente. A visita à exposição de Manuel dos Santos vai continuar já no próximo episódio de "A Nossa Cultura". Fique por esse lado, está a ouvir a Rádio Observador Viseu.