Documento confidencial alerta para risco de armas da guerra na Ucrânia circularem pela UE
Soldados que regressam da frente de guerra na Ucrânia têm sido encontrados na posse de componentes de armas e equipamento militar, levando vários países da União Europeia a alertar para o risco de material proveniente do campo de batalha começar a circular dentro do espaço comunitário.
Escolha a Executive Digest como fonte preferida no Google Escolher ›
O alerta consta de um documento confidencial do Conselho da União Europeia consultado pela Euronews, centrado nas consequências da guerra na Ucrânia para a segurança interna dos Estados-membros.
“Os Estados-membros comunicaram componentes de armas e equipamento militar na posse de combatentes que regressam”, refere o documento.
As autoridades europeias ressalvam, no entanto, que estas ocorrências não permitem concluir que os indivíduos estejam envolvidos em redes organizadas de tráfico. Demonstram, ainda assim, um “risco potencial” de componentes militares ou outro equipamento utilizado no campo de batalha serem transportados da Ucrânia para a União Europeia.
O tema deverá ser discutido esta quarta-feira pelos embaixadores dos Estados-membros, numa altura em que as autoridades europeias estão a intensificar os esforços para identificar e acompanhar as armas que entram no espaço comunitário.
Continue a ler após a publicidade
Continue a ler após a publicidade
Preocupação abrange combatentes russos e ucranianos
A questão não se limita às armas. O documento alerta igualmente para os riscos associados ao regresso de combatentes com experiência militar, sejam voluntários ou mercenários, devido à possibilidade de as competências adquiridas durante o conflito serem posteriormente utilizadas em atividades criminosas ou terroristas.
Nos últimos meses, vários países da UE defenderam a proibição da entrada de antigos e atuais combatentes russos no bloco devido a potenciais riscos para a segurança, nomeadamente o eventual envolvimento em atos de sabotagem e ataques híbridos em território europeu.
A medida chegou a integrar o 21.º pacote de sanções, mas acabou por ser limitada depois da oposição de França e Itália. No início de setembro, a chefe da diplomacia europeia, Kaja Kallas, afirmou existir “amplo apoio” para avançar com a proibição de vistos a combatentes russos.
A Estónia lançou entretanto uma operação de partilha de informações com outros países do chamado flanco oriental, destinada a reunir decisões de recusa de entrada relativas a combatentes russos identificados através de decisões judiciais ou administrativas.
Continue a ler após a publicidade
Mas, segundo a Euronews, as preocupações abrangem também ucranianos que regressam da frente, sobretudo nos Estados-membros que acolhem grandes comunidades de refugiados da Ucrânia, como Alemanha, Polónia e Chéquia.
As autoridades destes países consideram que se trata de uma questão de segurança para toda a União Europeia devido à livre circulação no espaço Schengen. Existe ainda a preocupação de que armas transportadas por soldados que regressam para se reunirem com as famílias possam entrar em circulação.
Ainda não existe um fluxo significativo de armas
Apesar dos alertas, os dados disponíveis não apontam atualmente para uma entrada substancial de armamento proveniente da Ucrânia nos países vizinhos.
Um relatório publicado em março pela Global Initiative Against Transnational Organized Crime concluiu que não existe, até ao momento, um fluxo significativo de armas da Ucrânia para os países próximos, embora considere que a circulação de armamento continua a constituir um “risco estrutural”.
Continue a ler após a publicidade
O próprio documento europeu reconhece que, até agora, foram apreendidas poucas armas e efetuadas poucas detenções. Ainda assim, identifica a proliferação e o desvio de armas de fogo e de outras armas ligeiras como uma das principais preocupações de longo prazo associadas à guerra.
UE prepara maior controlo sobre armas provenientes da Ucrânia
Kiev criou já um Ponto Focal Nacional para Armas de Fogo, responsável por fornecer à Europol listas de armas apreendidas, roubadas ou desaparecidas. A questão foi também integrada, através de objetivos específicos, nas negociações para a adesão da Ucrânia à União Europeia.
A Ucrânia deverá ainda adotar, até ao final deste ano, um roteiro específico para combater o tráfico de armas de fogo, seguindo o modelo anteriormente aplicado nos Balcãs Ocidentais.
A Frontex está igualmente envolvida no reforço da fiscalização. A agência europeia de fronteiras deverá criar, até ao primeiro trimestre de 2027, uma estrutura dedicada às armas de fogo, destinada a melhorar a análise e a troca de informações sobre armamento apreendido.
A agência emitiu também instruções específicas para guardas de fronteira e autoridades aduaneiras sobre o desvio de armas, com particular atenção à Ucrânia, numa tentativa de evitar que material proveniente da guerra acabe por entrar e circular no espaço europeu.
Continue a ler após a publicidade