Dois candidatos do partido antiguerra Yabloko detidos em Moscovo
Trata-se dos políticos Grigori Grishin e Anna Shatkovskaya, precisou.
Após algumas horas de detenção na esquadra, ambos foram libertados, mas terão de comparecer perante o juiz por "exibição de símbolos extremistas".
Caso a Justiça os considere culpados, não poderão participar nas eleições legislativas de 20 de setembro, entre outras medidas punitivas.
No passado dia 28 de junho, um tribunal russo revogou o registo da lista de candidatos do Yabloko para as eleições para a assembleia regional de Sverdlovsk (Urais), tal como já tinha acontecido anteriormente com a lista federal da formação da oposição para as eleições legislativas de setembro.
O Yabloko salientou que esta é a quinta região em que a Justiça consegue anular o registo dos seus candidatos por listas, algo que também aconteceu em Leningrado, na Carélia, em Pskov e no município de São Petersburgo.
O líder do partido, Nikolai Ribakov, associou todas estas decisões à agenda do partido a favor de um cessar-fogo na Ucrânia.
O Yabloko é o único partido que, desde a queda da antiga União Soviética, se opôs a todas as guerras em que a Rússia esteve envolvida, na Chechénia (1994), na Síria (2015) ou na Ucrânia (2022).
Formação liberal ao estilo ocidental, o Yabloko, que significa maçã em russo, tem defendido a economia de mercado, os direitos humanos e o Estado de direito, o que o colocou em confronto com os governos liderados por Boris Yeltsin e Vladimir Putin.
A formação política foi fundada em 1993, dois anos após a desintegração da União Soviética, como uma aliança de democratas de diversas tendências, desde democratas-cristãos a social-democratas, verdes e feministas.
Grigori Yavlinski, líder histórico do Yabloko, é um economista nascido na Ucrânia que fundou o partido juntamente com outros reformistas de renome da época: Vladimir Lukin e Yuri Boldirev.
O partido desempenhou um papel preponderante na política russa durante a sua primeira década, período em que sempre teve representação parlamentar na Duma, embora atrás dos nacionalistas e dos comunistas.
O Yabloko perdeu peso político a partir da chegada de Putin à Presidência, em 2000. Deixou de ter um grupo parlamentar em 2003 e ficou sem representantes na assembleia quatro anos mais tarde.
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