Donald Trump, o pior Presidente da História dos Estados Unidos - 24 Notícias
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A República Constitucional dos Estados Unidos da América do Norte sempre foi, digamos, simpática com a Europa e autoritária e intervencionista com as restantes américas, Central e do Sul. (Quanto ao resto do planeta, depende das circunstâncias.) Foi essa a política geral de todos os seus presidentes em relação ao seu Continente. Mas, dentro de portas, o Executivo sempre fez o melhor que pode para tornar possível a “procura da felicidade” expressa na Declaração de Independência de 1776. (Que precede a Revolução Francesa de 1789, convém lembrar. É por isso que eles gostam tanto de falar da “experiência” norte americana.) Em 1787, na elaboração da Constituição, que entraria em vigor dois anos depois, os “pais fundadores” tiveram a preocupação de instituir um sistema de “controles e equilíbrios” que garantisse a igualdade entre os três poderes, Executivo, Legislativo e Judicial.
A boa vontade inicial recebeu muitos reajustes, que levaram o seu tempo e até uma guerra civil, em 1861-65. Mas a completa igualdade entre brancos e negros só foi assinada pelo Presidente Johnson em 1964, e é discutível é uma realidade.
Muitos presidentes fizeram muitos disparates, mas, em termos gerais, pode dizer-se que o fizeram sempre com boas intenções e estão a encher o Inferno. O que nunca tinha acontecido, em 45 presidentes, foi ser eleito um sociopata mórbido, completamente desonesto, incoerente e com ambições de ser Rei (ou seja, de dar ao executivo supremacia total e isenção jurídica). Sobre esta criatura abjeta já se escreveu demais – até porque ele faz questão de estar presente no noticiário 24 horas por dia - e ainda muito mais se vai dizer. Mas achei que seria uma boa altura de fazer um balanço conciso, de todos os disparates, inconsistências e mentiras dos seus primeiros dois anos do segundo mandato. O primeiro, entre 2017 e 2021, já mostrou plenamente quem ele é, mas neste segundo mandato conseguiu ainda mais poder e irresponsabilidade, por razões técnicas que seria longo explicar; podemos destacar a resolução do Supremo Tribunal, em Julho de 2024, de lhe dar completa imunidade e a criação de uma polícia política, o ICE, em 2025, cuja atuação só é comparável à Gestapo de Hitler ou ao NKVD de Estaline.
Steven Rattner, secretário do Tesouro de Barak Obama, acaba de publicar no “The New York Times” uma lista das mentiras de contradições do Presidente:
Há dois dias (18 de Agosto) Trump proclamou alegremente o chavão que já muitos chefes do Executivo de muitos países usaram: “Promessas feitas, promessas cumpridas”. No entanto, no que toca à economia, “promessas não cumpridas” seria mais apropriado para os estragos que provocaram. A ver:
Em Setembro de 2024 afirmou: “Vamos crescer como nunca ninguém viu” Ora, a economia está em recessão. Devido ao enorme corte no Orçamento, o Departamento do Tesouro prevê que o défice nacional será de 3,1 triliões de dólares em 2036, o que torna o equilíbrio das contas públicas uma farsa.
Em Abril de 2025, Trump prometeu: “Agora é a nossa vez de prosperar, usando triliões e triliões de dólares para reduzir os impostos e pagar a dívida pública, o que vai acontecer rapidamente.” Isto numa altura em que a dívida pública está prestes a atingir o máximo do período da II Guerra Mundial. Mas em Março o Presidente afirmou ao Congresso que “No futuro próximo, vou fazer o que não fizemos em 24 anos: equilibrar as contas públicas.” No entanto, todas as projeções vão no sentido contrário. Uma grande dívida significa, evidentemente, mais dívida. Torna os empréstimos e hipotecas mais dispendiosas. Carrega as gerações futuras ao diminuir a possibilidade de Washinton de investir em prioridades mais importantes. A relação entre a dívida pública e as dimensões da economia está prestes a ultrapassar o recorde da II Guerra Mundial. O Departamento do Tesouro calcula que a dívida pública em 2026 será 120% do Produto Nacional Bruto
Em Janeiro de 2025, no seu discurso inaugural, Trump afirmou: “A América voltará a ter uma economia industrial maior do que qualquer outra economia jamais teve.” Ora o emprego industrial, que cresceu no Governo Biden, passou de 12,6 milhões para 62.000 desde então. A China e outras nações emergentes continuam a exercer pressão nos altos custos de produção norte-americanos e as tarifas alfandegárias de Trump ainda não reverteram essa tendência. Provavelmente geraram o efeito oposto, ao aumentar os preços dos materiais de que as fábricas precisam para fazer produtos exportáveis.
Em Agosto de 2025, Trump prometeu: “Sem tarifas (de importação) e com os triliões de dólares que já devemos, o nosso país seria completamente destruído.” Mas os tribunais decidiram contra as novas tarifas de Trump, o país está a fazer biliões de devoluções. As devoluções estão a ser feitas pelas empresas estão a fazer refletem-se nos preços ao consumidor. Calcula-se que lhes custe 166 biliões de dólares, muito mais do que os 121 biliões calculados inicialmente
Em Agosto de 2024, num comício, Trump disse que “a começar no Dia Um, vamos acabar com a inflação, baixar o preço de todos os produtos e tornar a América novamente acessível ao consumidor”. Mas a inflação tem superado os rendimentos dos trabalhadores nestes dois anos. Por causa da guerra contra o Irão, a inflação tornou-se um problema maior. Quando Trump tomou posse era de 2% anuais e presentemente já vai acima dos 3%. A Reserva Federal pode começar a subir os juros, o que torna as dívidas dos cartões de crédito e os juros das hipotecas mais caros.
Em Setembro de 2024, Trump prometeu que a gasolina ia descer abaixo dos dois dólares por galão, uma projeção muito pouco realista. Para que isso ocorresse, seria preciso que o petróleo descesse para cerca de 30 dólares por barril, o que tornaria a sua prospeção menos interessante, levando os preços a subir, isto mesmo antes da guerra com o Irão. Atualmente os preços andam à volta de quatro dólares, 30% acima do dia da tomada de posse.
Em Setembro de 2024, Trump previu que “Os jovens vão voltar a poder comprar uma casa como parte do Sonho Americano. Vamos eliminar os regulamentos que aumentam o custo das casas, baixando-o para metade. Esses regulamentos, só por si, representam 30% do preço do imobiliário.” Usando os métodos habituais de cálculo, uma família precisa de um rendimento anual de 120 mil dólares para comprar uma casa média. Atualmente, o rendimento médio anual de uma família anda pelos 86.000 dólares.
Em Setembro de 2024 Trump perorou: Reduzir os juros das hipotecas é muito importante. Vamos reduzi-los para 3%, talvez até mais baixo, poupando aos proprietários milhares de dólares por ano.”
Os juros estão neste momento perto dos 7%. A subida dos preços em geral e a pressão dos débitos crescentes faz subir os empréstimos a longo prazo. Quanto maior a inflação, mais caros os empréstimos, para que os bancos ganhem o suficiente quando a inflação eventualmente baixar. (Nos Estados Unidos as hipotecas não têm custos variáveis, opção possível em Portugal.)
Em Maio de 2025 Trump prometeu que não cortaria o Medicaid, Medicare e Social Security, os programas de subsídio de produtos farmacêuticos e hospitalizações. (Nos Estados Unidos não há SNS, como em Portugal e toda a Europa.) Mas no mesmo ano Trump criou legislação que obriga a que um contribuinte trabalhe pelo menos 80 horas por mês para receber ajuda do Medicaid e limitou a capacidade dos Estados contribuírem para a diferença. A maioria dos cortes foi calculada para entrar em vigor depois das eleições parcelares que vão ocorrer em Novembro deste ano. Mas o número de beneficiários do Medicaid já baixou em cinco milhões no ano passado.
No discurso chamado “do Estado da União” que os presidentes fazem anualmente, neste ano Trump garantiu que os custos da Segurança Social (que lá é um conjunto de programas, não única, como aqui) não iriam subir nem descer. No entanto esses custos já subiram 26% em 2026.
Isto, quanto ás políticas sociais do Governo Trump. Há a acrescentar entre os seus feitos a perseguição insana aos imigrantes, efetuada na prática pela força ICE, que inclui prisões aleatórias a pessoas que desaparecem do radar, campos de concentração ignóbeis a que nem os advogados têm acesso, e envio de ilegais (isto é, quem não tem autorização de trabalho ou cartão de residente) para países do Terceiro Mundo e muitas mais tropelias que só por si davam um extenso artigo. Agora chegou-se ao ponto em que famílias inteiras que vivem há anos nos Estados Unidos e estão à espera de residência, têm de voltar ao país de origem e esperar lá pelo visto. Os requerentes têm de mostrar os seus posts nas redes sociais, para ver se não se queixam da alguma coisa; isto e outros constrangimentos bárbaros que tornam a vida impossível, ou, pelo menos, aterrorizadora, aos 14 milhões de estrangeiros que vivem nos Estados Unidos (os chamados “Alienígenas Ilegais”), sejam eles professores universitários ou estivadores. O ICE já assassinou 60 pessoas e prende cidadãos legais só porque estão no sítio errado na hora errada. O país vive num clima de terror e o número de visitantes também diminuiu, porque ninguém quer arriscar ser detido à entrada, por engano ou outra (des)razão qualquer e ser internado num campo de concentração sem nenhum direito legal.
Finalmente, temos os disparates de Trump a nível internacional. São tantos, que é impossível numerá-los todos. Desde fazer um raid para prender um chefe de Estado desafeto (Nicarágua), atacar um país porque não gosta dele (Irão) ou dizer que quer anexar o Canadá, Cuba, Groenlândia (território autónomo da Dinamarca) e, suprema idiotice, a zona do canal entre Omã e o Irão (ou seja, uma faixa de água), passando pela amizade ilimitada por Putin e Kim Jong Um, Milei e diversos ditadores sortidos, a lista é quase interminável, até porque aumenta diariamente.
Os amigos tradicionais dos Estados Unidos, UE, Coreia do Sul, Taiwan, Austrália, etc. estão de cabelos em pé. O fim do Império Americano, que passou de uma ideia a um fato consumado, está a ser um longo período de medo e confusão. Como diz a formidável jornalista Tina Brown: “Os Estados Unidos estão a entrar num período de grande perigo internacional. As suas alianças estão sob pressão. Os seus inimigos, confiantes. O prestígio militar está deteriorado pela aventura do Irão. Numa altura destas, há uma coisa que o Presidente podia evitar: criar uma desavença com o seu aliado na Coreia do Norte...”
Pior do que está, são as perspetivas futuras. Quem substituirá Trump em 2028? Como vai acabar a guerra do Irão? E a da Ucrânia? Não há luz ao fundo de demasiados túneis.
O melhor é concentrar-nos nas fotografias do casamento de Cristiano Ronaldo. Esse, pelo menos, é uma pessoa que nos faz sentir bem com a espécie humana!
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