Duarte Pacheco corrobora "insegurança" na AR. "Roubaram o meu portátil"
O ex-deputado do Partido Social Democrata (PSD) Duarte Pacheco adiantou, esta terça-feira, não ter ficado surpreendido com a notícia do alegado ato de vandalismo contra o gabinete do presidente do Chega, André Ventura, uma vez que furtaram o seu “portátil com tudo o que ele continha”, na Assembleia da República (AR).
“Hoje presenciei surpresa sobre o ataque que o gabinete do presidente do Chega sofreu… Não fiquei surpreendido. Já há alguns meses proferi declarações públicas sobre a insegurança no Palácio de São Bento”, começou por escrever, numa publicação divulgada na rede social Facebook.
O social-democrata confirmou que, “por regra, os deputados não fecham à chave as portas dos gabinetes”, sendo que “alguns fazem-no somente no final do dia”.
“No meu caso, durante a hora de almoço um dia, entraram no meu gabinete e roubaram o meu portátil com tudo o que ele continha. A partir daí, mesmo que fosse para ir ao WC passei a fechar sempre a porta a chave. Sei que o mesmo aconteceu com outros deputados, envolvendo ainda roubo de diversos objetos pessoais de valor”, detalhou.
O antigo presidente da União Interparlamentar relatou ainda que “nunca [teve] conhecimento da conclusão das investigações policiais” e que “sempre [defendeu] regras mais apertadas, incluindo câmaras de vídeo vigilância, […] mas sem sucesso”.
Recorde-se que, esta manhã de terça-feira, André Ventura denunciou que o seu gabinete terá sido alvo de vandalismo.
“Assim está o meu gabinete esta manhã na Assembleia da República. Alguém estava à procura de alguma coisa e não se coibiu de agir dentro do próprio Parlamento. Não sei ainda se foi roubado algum documento ou não, mas atingimos o grau zero da nossa democracia”, escreveu, divulgando um vídeo no qual o chão da divisão se encontrava repleto de documentos.
Já em declarações à imprensa, o líder do Chega reiterou que "alguém lá se introduziu [no gabinete], vandalizando o próprio gabinete e levando também algumas coisas que estavam no gabinete".
"Um dos lotes dos documentos que desapareceram estavam numa das pastas que estão logo em cima da mesa e que se referiam à comissão parlamentar de inquérito a Luís Neves", detalhou. Já outros dados "tinham que ver com informação política relacionada com o gabinete do primeiro-ministro e já tinham mais de um ano".
De acordo com a Lusa, Ventura recusou que se tenha tratado de uma encenação.
A Polícia Judiciária (PJ) confirmou ao Notícias ao Minuto que "tomou conta da ocorrência" e que está “a desenvolver diligências através da Unidade de Contraterrorismo".
Imagens das câmaras de videovigilância no exterior estão a ser analisadas pelas autoridades. O Notícias ao Minuto aguarda esclarecimentos por parte da Assembleia da República quanto à vigilância do interior do edifício.

Caso no gabinete de Ventura divide: "Inconcebível" ou "milagres cénicos"?
Opiniões divergem no que diz respeito ao alegado ato de vandalismo no gabinete do líder do Chega, André Ventura, na Assembleia da República. O primeiro-ministro, Luís Montenegro, considerou ser algo "inconcebível numa democracia madura", enquanto o ex-deputado do PCP Miguel Tiago atirou que Ventura está "a menosprezar a inteligência dos portugueses". Que foi dito?
Notícias ao Minuto | 18:55 - 28/07/2026