“É essencial não gastar tudo”. Freguesia do Areeiro promoveu sessão para ensinar a gerir o orçamento familiar - 24 Notícias

🗓️ 2026-09-16 📁 world-news 📝 ⏱️ 👁️ : -

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“Há alguma ignorância e isto é transversal a todas as faixas etárias, desde jovens, adultos e seniores. O maior erro está na ausência de poupança porque as pessoas só têm um euro ou só conseguem poupar 10 euros e acham que estes valores não são suficientes. Não, é suficiente”, afirmou Raquel João Fonseca em declarações ao 24notícias depois da sessão “O Meu Dinheiro no Dia a Dia”.

O encontro foi organizado ontem pela Junta de Freguesia do Areeiro, no âmbito do envelhecimento ativo e da longevidade, com o objetivo de se transmitir conhecimentos para uma melhor gestão do dinheiro e para tomar decisões mais conscientes. Entre os 36 inscritos, havia um desejo em comum: apreender truques para começar a poupar.

Para Raquel João Fonseca, independentemente do valor, o importante é iniciar um hábito de poupança. “Há que começar a pensar em poupar porque pode haver um imprevisto, pode-se precisar de um fundo de emergência ou, simplesmente, podemos poupar com um certo objetivo. Portanto, é essencial não gastar tudo”, afirmou a professora da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa.

O início de uma boa gestão do orçamento familiar passa pelo domínio de todas as despesas mensais. Ao longo da sessão, Raquel João Fonseca destacou que a maioria das pessoas sabe quanto recebe, mas desconhece quanto gasta. Por isso, garantiu que apontar todas as despesas diárias é o primeiro passo para dominar o orçamento familiar.

“É essencial começar por perceber para onde é que o dinheiro vai. As pessoas têm muita noção das grandes despesas — sabem quanto pagam de renda, quanto pagam de prestação bancária, têm ideia de quanto pagam pelas telecomunicações — porque isso são despesas ainda consideráveis. No entanto, há todo um conjunto de despesas mais pequenas, que é como areia a fugir pelos dedos, é dinheiro a ir sem se ter bem noção para onde”, explicou Raquel João Fonseca.

Depois de ser ter consciência de onde se gasta o dinheiro, há que fazer uma distinção entre as despesas supérfluas e as essenciais. Segundo a especialista, o ideal será gastar 50% da receita mensal nas despesas essenciais, 30% em gastos supérfluos e os restantes 20% devem destinar-se à poupança.

Esta gestão é essencial para preparar as alturas do ano em que há mais despesas, como a época de férias, o Natal ou os meses de pagamento do Imposto Municipal sobre Imóveis (IMI) ou de seguros. De acordo com a professora, estas épocas devem ser antecipadas nos meses anteriores, altura em que se deve começar a poupar para estas despesas previstas.

Também nas idas ao supermercado se pode poupar. Elaborar uma lista de compras, optar por produtos de marca branca, comprar em quantidade para aproveitar promoções e não ceder à tentação de comprar o que não é verdadeiramente necessário foram alguns dos truques apontados por Raquel João Fonseca.

Comparar preços no supermercado é apontado como fundamental. “Geralmente, as frutas ou os legumes embalados são mais caros do que aqueles em que pegamos e colocamos no saco. Há, também, situações em que um determinado produto está mais barato do que outro, mas traz menos quantidade. Portanto, é essencial comparar os preços por quilo ou por litro”.

Analisar e renegociar contratos de energia, evitar fidelizações e créditos rápidos com taxas de juro demasiado altas foram outros dos conselhos de Raquel João Pinto. A especialista chamou à atenção para alguns “golpes”, como a pressão para adquirir determinados produtos dentro de um prazo limite para aproveitar campanhas promocionais.

Este tipo de literacia financeira é “cada vez mais importante”, considerou a professora Raquel João Fonseca. “O cabaz de alimentação está cada vez mais caro e as pessoas precisam de alternativas e precisam de perceber como é que podem gastar menos dinheiro”.

Objetivo é consciencializar os habitantes para “assuntos práticos do dia a dia”

“Dentro do processo de envelhecimento e do próprio planeamento da longevidade, é importante começar desde cedo a penar na qualidade de vida e a qualidade de vida das pessoas não passa só pela parte física e mental, mas também pela saúde financeira”, afirmou Vera Alexandrino, vogal da Junta de Freguesia do Areeiro responsável pelo Envelhecimento Ativo. “Estamos cá para servir a população e quisemos organizar este tipo de sessão para que as pessoas fiquem mais informadas e mais capacitadas para tomar melhores decisões dobre o seu orçamento familiar”.

Este foi um dos encontros “de cariz prático” que a Junta de Freguesia está a organizar, com o objetivo de consciencializar os habitantes do Areeiro determinados “assuntos práticos do dia a dia”.

“Não podemos pensar que só a atividade física e o convívio importam no envelhecimento. Também é importante dinamizar estas sessões temáticas”, disse Vera Alexandrino em declarações ao 24notícias.

De acordo com Vera Alexandrino, a Junta de Freguesia está a preparar encontros sobre o testamento vital e os direitos e o estatuto da pessoa idosa.

“O testamento vital é um tema de extrema importância porque há poucos, apesar de a legislação já ter saído em 2012, porque as pessoas ainda estão muito pouco informadas e não sabem que podem, antecipadamente, estabelecer e definir quem as poderá substituir na tomada de decisão relativa aos cuidados de saúde caso fiquem numa situação de incapacidade”.

Sobre o estatuto da pessoa idosa, diploma aprovado em fevereiro deste ano, Vera Alexandrino afirmou ser “importante refletir sobre a temática” que considerou ser “polémica”.

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