Milly Lacombe: E se Messi tivesse se naturalizado espanhol?
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Messi teve que tomar uma decisão definitiva muito cedo na vida. Jogando no Barcelona desde os 14 anos, foi dada a ele a chance de se naturalizar para defender a seleção da Espanha. Messi ponderou.
O que fazer? Ficar com a nova casa ou honrar as raízes? No final, a pátria falou mais alto. A cultura. O drama. A intensidade. A entrega. Messi sabia que por suas veias corria sangue latino e não europeu. Ao optar pela Argentina, ele mudou o curso do futebol.
Se Messi tivesse se naturalizado, ele teria jogado ao lado de companheiros de time, de muitos craques, teria feito parte de elencos grandiosos, teria fatalmente sido multi campeão. Mas não teria sido feliz como foi com a camisa argentina. Na Espanha, seria mais um. Na Argentina, foi liderança, ícone, herói.
Na Espanha, não teria dialogado com Maradona e escrito uma história de continuidade. Acabaria se tornando um europeu defendendo uma seleção europeia e jogando como jogam os europeus. Que desperdício.
Na Argentina, ele viveu céu e inferno. Foi massacrado e idolatrado. Desistiu e voltou. Mergulhou em sua pátria, reencontrou-se com suas raízes, deixou seu nome eternizado. Teria sido assim dentro da seleção espanhola, que joga um futebol de alto controle de bola e extrema frieza?
Acho que a Argentina ensinou a Messi o que ele poderia ser em sua totalidade. A capacidade de voltar das cinzas, de jamais desistir, da coletividade e do drama. O Messi espanhol não rabiscaria o mundo como fez o argentino. O Messi espanhol não falaria a respeito das veias abertas da América Latina.
O Messi espanhol não teria nos enfeitiçado como fez o portenho.
O futebol ganhou porque Messi optou pela Argentina.
Opinião
Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.
** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.
