"É um abuso": Sócrates regressa a tribunal para acusar a juíza de limitar a preparação da defesa

🗓️ 2026-09-15 📁 world-news 📝 ⏱️ 👁️ : -

Antigo primeiro-ministro criticou também o facto de ter sido pedido ao seu defensor que fizesse o contraditório da defesa

José Sócrates regressou esta terça-feira ao tribunal para mais uma sessão da Operação Marquês, depois de já ter sido ouvido em quase uma dezena de sessões. O antigo primeiro-ministro voltou a criticar a decisão do tribunal relacionada com a escolha do advogado e afirmou que a juíza recusou dar tempo aos advogados que escolheu para preparar a defesa.

“É um abuso”, afirmou Sócrates, que contestou o facto de o tribunal continuar a considerar como seu advogado um defensor que, segundo disse, não escolheu e em quem não confia.

“Quero deixar este ponto bem sublinhado. Isto é uma violência”, acrescentou, pedindo que a sua indignação ficasse registada. Sócrates afirmou ainda que nem ao último defensor oficioso foi dado tempo para preparar a defesa.

O antigo primeiro-ministro criticou também o facto de ter sido pedido ao seu defensor que fizesse o contraditório da defesa. “Nunca vi na minha vida. Como é que alguém que se diz que é advogado de alguém e argumenta contra esse alguém?”, questionou.

Sobre Filipe Batista, afirmou que o advogado não tentou negociar com o tribunal, tendo apenas pedido um esclarecimento sobre os dez dias, que, segundo Sócrates, não foi concedido pela juíza.

Durante a sessão, o juiz questionou Sócrates sobre os contactos que manteve com decisores ou administradores ligados ao projeto TGV. O antigo primeiro-ministro respondeu que não teve contactos com ninguém, à exceção de uma reunião com o então ministro Mário Lino, que lhe pediu uma audiência para lhe dar conta de diferentes dossiers. Sócrates disse que a reunião demorou apenas alguns minutos e que não sabia que Vilaça Moura era presidente do júri.

Questionado sobre as preocupações discutidas nessa reunião, Sócrates afirmou não se recordar. Disse que, depois de o interlocutor ter saído, continuou a reunião com Mário Lino e que, que se recorde, não houve mais ninguém com quem tivesse reuniões relativamente ao TGV.

"Que me recorde não houve mais ninguém com quem tive reuniões relativamente ao TGV. Dizem que há uma reunião em que estive com engenheira Ana Paula Vitorino. Tenho ideia dessa reunião", sublinhou.

Sobre eventuais contactos com alguém do Grupo Lena relacionados com o TGV, Sócrates foi taxativo. “Nunca. Nunca conheci Joaquim Barroca a não ser na campanha de 2009. Para ficar bem claro, conheço Joaquim Barroca num comício de campanha. Apoiou o Partido Socialista", contou.

Questionado sobre Carlos Santos Silva, respondeu igualmente que não houve contactos nem troca de opiniões sobre o projeto, classificando a situação como uma “completa surpresa”.

Sócrates afirmou ainda que, depois de o tribunal ter ouvido durante horas os depoimentos de Carlos Santos Silva, este disse que nunca acompanhou o projeto TGV. Segundo o antigo primeiro-ministro, o acompanhamento do projeto por parte do Grupo Lena “praticamente não existia”.

"Quem acompanhava eram os líderes do consórcio. A coisa mais escandalosa: o secretário de Estado que me sucedeu no Governo foi representante do consórcio junto do júri. Propôs-lhes a cláusula. O júri aceitou a cláusula", afirmou no tribunal.

O antigo primeiro-ministro está a ser ouvido esta terça-feira depois de o Estado português ter sido condenado a pagar 15 mil euros a José Sócrates por violação do segredo de justiça na Operação Marquês, numa decisão da qual o Ministério Público já recorreu.