El Salvador em alerta máximo devido à seca associada ao fenómeno El Niño
"Foi declarado um alerta vermelho devido à seca meteorológica e agrícola em todo o território nacional", disse na terça-feira a Proteção Civil de El Salvador, na rede social X.
Isto numa altura em que o país enfrenta uma seca generalizada e registou 14 recordes máximos de temperatura em agosto, de acordo com as autoridades ambientais locais.
O El Niño é um fenómeno climático global que surge de variações nos ventos e nas temperaturas da superfície do mar sobre o Oceano Pacífico tropical.
Com este fenómeno natural, que regressa a cada dois a sete anos, as águas de superfície no centro e no leste do oceano Pacífico equatorial aquecem, o que provoca durante meses alterações substanciais nos regimes de ventos, pressão e precipitações à escala global.
A Proteção Civil de El Salvador disse que o alerta máximo implica, entre outras medidas, maior vigilância sob os recursos hídricos e as plantações, a identificação de áreas em situação de emergência e o reforço da vigilância epidemiológica.
A falta de chuvas levou à descida dos níveis de água e à perda de culturas no país.
De acordo com a câmara comercial de pequenas e médias produtores agrícolas de El Salvador, a primeira colheita de cereais deverá apresentar uma perda total de aproximadamente 20% da produção.
O Ministério da Agricultura já tinha anunciado ajuda alimentar para as famílias de agricultores afetadas pela seca.
El Salvador está parcialmente localizado no "corredor seco" da América Central, uma faixa árida particularmente vulnerável a eventos climáticos extremos.
O mesmo acontece com uma parte das Honduras, cujas regiões sul e oeste sofreram perdas nas culturas de milho e feijão. O Governo hondurenho colocou quase 80% do país em alerta.
O Programa Alimentar Mundial das Nações Unidas estimou recentemente que a América Central será provavelmente "a região mais afetada em termos de aumento relativo da insegurança alimentar" devido ao El Niño.
O fenómeno, que agrava as alterações climáticas provocadas pelo homem, deverá ser "o mais intenso" observado em mais de um século, alertou na sexta-feira o Met Office, o serviço meteorológico nacional do Reino Unido.
O El Niño junta-se a uma tendência de aquecimento dos oceanos, devido à acumulação de gases com efeito de estufa na atmosfera.
Na segunda-feira, o observatório europeu Copernicus anunciou que a temperatura da água à superfície dos oceanos no mundo atingiu 21,1ºC, em média, no sábado, um recorde absoluto para um dia, devido ao aquecimento global e ao El Niño.
O recorde de temperatura superou o estabelecido em março de 2024, de 21,09ºC, numa altura em que o fenómeno El Niño pode ser o mais significativo jamais registado, de acordo com os cientistas.
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