Ele está fazendo em Itu o que a Disney fez em Orlando - Brazil Journal

🗓️ 2026-10-11 📁 business-finance 📝 ⏱️ 👁️ : -

ITU, São Paulo — O chão aqui ainda é obra. Km 84 da Castello Branco, terra revolvida, e o barulho frenético de um canteiro que tem uma missão a cumprir.

Alexandre Costa anda no meio disso tudo como quem já vê o dia em que dezenas de milhares de pessoas passarão pelas catracas.

Não era inauguração. Era um soft opening, uma prévia para poucos. A abertura ao público segue prevista para dezembro de 2027. O que se visita agora não é o parque – é a prova de que o parque deixou de ser discurso.

Orlando, antes de Walt Disney, era só pé de laranja. Cidade pequena, economia agrícola, nenhum motivo para o mundo passar por ali.

Disney comprou o terreno em segredo, nos anos 1960; abriu o Magic Kingdom em 1971 e, em apenas uma geração, transformou um povoado no maior destino de turismo temático do planeta. Não foi o castelo. Foi a decisão de plantar um lugar para onde as pessoas pudessem viajar.

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O que está sendo erguido entre Itu e Sorocaba é a versão brasileira dessa aposta. O Brasil não precisa de uma cópia de Orlando. Precisa de uma âncora. Paisagem o País tem. Equipamento e infra-estrutura, quase nenhuma.

O primeiro parque do Alê foi um Fusca.

Em 1988, aos 17 anos, um fornecedor furou um pedido de 2 mil ovos de Páscoa de 50 gramas. Ninguém queria fabricar aquele tamanho. Ele fabricou. Três dias, jornada de até 18 horas, entrega no carro. O lucro, cerca de US$ 500, virou a Cacau Show, numa sala nos fundos da empresa dos pais.

A primeira loja veio no fim de 2001. Depois, a maior rede de chocolates finos do mundo em número de lojas: mais de 4.500 pontos, faturamento na casa dos R$ 6 bilhões, quase sem capital de terceiros no começo.

A maior parte dos fundadores, chegando ali, protege o core. Já Alê foi estagiar no Europa-Park, controlando fila. “Não dá para construir algo grandioso só na teoria.”

O Cacau Park é esse algo.

Capex de cerca de R$ 2 bilhões, podendo passar de R$ 3 bilhões com o entorno. Dezesseis milhões de metros quadrados. Mais de 70 atrações em cinco áreas: da floresta e dos maias à fábrica de chocolate, à vila europeia e à Terra dos Sonhos.

A rainha se chama Dreams: 55 metros, 120 km/h, a maior montanha-russa de lançamento da América Latina. No meio, bate-bates em formato de Fusca 1988. O carro que entregava ovo vira o brinquedo que a criança vai lembrar.

Hotéis, boulevard, fábrica aberta à visita, meta de cerca de 3 milhões de visitantes por ano, emprego na casa dos 10 mil. “O consumidor não quer mais trocar dinheiro por produto. Quer viver uma história. É um projeto de vida, não apenas um negócio,” me disse o Alê.

Uma fração mínima dos brasileiros já pisou na Disney. Fala-se em algo perto de 0,5%. O resto cresce vendo o castelo pelo celular. O Cacau Park não compete com Orlando em mito. Compete em acesso. Haverá tarifa social em alguns dias. Se a obra cumprir o que o canteiro promete, felicidade e esperança deixam de ser produto de exportação e passam a caber numa viagem de carro. Itu deixa de ser passagem e se torna motivo de viagem. Foi essa a virada de Orlando.

No meio da obra, o que mais brilhava era ver a mulher do Alê e os três filhos trabalhando juntos, no mesmo chão, no mesmo projeto. Não como visita. Como parte da história. Empresa familiar, no Brasil, costuma ser sinônimo de sucessão mal resolvida. Ali era o contrário: um sonho sendo construído por quem vai herdar o sonho, não só o caixa. Literalmente um sonho de história.

Alê, meus heróis não morreram de overdose. São corajosos, visionários, e transformam o futuro em realidade enquanto o concreto ainda está fresco.

Você está fazendo por Itu o que Disney fez por Orlando, e vai trazer para muitos brasileiros uma felicidade que até aqui era para poucos.

Você é um orgulho para o empreendedorismo brasileiro. Já deu certo.

Guilherme Benchimol é fundador da XP Inc.