Elefante Sandro: como saber se um elefante está adaptado ao Santuário | G1

🗓️ 2026-09-19 📁 world-news 📝 ⏱️ 👁️ : -

Sandro chegou ao santuário por volta das 13h. A saída da caixa ocorreu de forma espontânea, sem que o animal fosse forçado pelas equipes responsáveis pelo acompanhamento. Assim que o recinto foi aberto, às 13h31, o elefante saiu em menos de um minuto, surpreendendo a todos. Logo em seguida, o elefante imediatamente começou a brincar com a areia do local.

O comportamento foi registrado após Sandro concluir uma viagem de cerca de 1,6 mil quilômetros. A transferência de um animal mantido durante anos em cativeiro restrito exige acompanhamento diário e paciência, segundo o SEB.

Elefante Sandro após a chegada em seu recinto em Chapada dos Guimarães (MT) — Foto: Victoria Oliveira/g1

Ao g1, o presidente do SEB, Raphael Bontempi, explicou quais são os principais indicadores de que um elefante começou a se integrar ao ambiente:

  • Mudança drástica na cor da pele

Segundo o presidente, o primeiro sinal visível de adaptação acontece logo nos primeiros dias de convivência com a natureza. Ao contrário dos recintos de cativeiro urbano, o espaço no santuário oferece terra, lama, árvores e vegetação variada, o que altera a aparência do animal quase imediatamente.

"Primeiro que eles chegam lá, a cor deles muda. Muda porque se sujam de forma diferente. Eles jogam barro, jogam terra, passam em árvore, então você tem uma mudança drástica. Você vê de cara assim: de um dia para o outro, a cor dele já é outra", pontua Raphael.
  • Afloramento da curiosidade e autonomia

Para Raphael, a exploração do espaço e a busca voluntária por novos estímulos são os indícios mais claros de bem-estar psicológico. Ele reforça que, em recintos pequenos, os animais costumam apresentar apatia decorrente do tédio e da falta de opções.

"Antes ele ficava dentro de um recinto que não tinha nada, tinha meia dúzia de capim, 600 metros quadrados... Qual era a interação? Ele só tinha tédio. Quando ele vai para o ambiente onde consegue ter acesso a terra, lago, árvores, um monte de vegetação e cheiros diferentes, você começa a ver comportamentos mais independentes", explica.

Raphael destaca que a evolução da adaptação é percebida à medida que o elefante se distancia dos cuidadores e passa a explorar áreas mais isoladas do recinto.

"Você começa a ver cada vez mais longe, mais curioso, vem menos para perto da gente e a gente vai demandando cada vez mais autonomia para que ele possa desenvolver o comportamento típico", ressalta o presidente do SEB.
  • Redução de comportamentos repetitivos

Outro ponto crucial acompanhado pela equipe técnica é a diminuição das chamadas estereotipias, os movimentos repetitivos comuns em animais mantidos em cativeiro restrito, como balançar a cabeça continuamente ou andar em círculos.

"Esse negócio repetitivo é fruto de tédio. Imagina você trancada num banheiro a vida inteira: você começa a bater a cabeça na parede, começa a ficar louco. É uma coisa muito similar ao que acontece com eles por ficarem em cativeiro. Quando chegam lá, com o tempo, reduz muito esses comportamentos", compara Raphael.
  • Readequação do manejo e perfil individual

Segundo o presidente, o acompanhamento também desmistifica rótulos de agressividade atribuídos a alguns indivíduos antes da transferência. A mudança de ambiente e o manejo focado no respeito ao tempo de cada animal revelam traços de personalidade que ficavam encobertos pelo estresse.

"Tinha elefantes lá que o pessoal falava: 'ela briga, ela é agressiva'. Aí chegava no santuário, era a mais doce possível. O ponto é que eles estão em locais inadequados. A gente tem que observar o comportamento do indivíduo e entendê-lo com calma, dia a dia, paulatinamente mudando o protocolo e dando mais autonomia", conclui.

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Apesar de dividir a propriedade com elas, Sandro ficará em um espaço separado. A estrutura permite que os animais se vejam, sintam o cheiro uns dos outros e se comuniquem por meio de vocalizações, mas sem contato direto.

Segundo o Santuário, a separação leva em consideração o comportamento natural da espécie e também a política de não reprodução adotada pela instituição.

Transferência

Crianças seguem caminhão de transporte do elefante Sandro em MT

Crianças seguem caminhão de transporte do elefante Sandro em MT

Antes de ter a transferência aprovada para Mato Grosso, Sandro passou boa parte da vida em cativeiro. Ele viveu em um circo e, posteriormente, foi levado para o Zoológico de Sorocaba (SP). No zoológico, dividiu o recinto durante anos com a elefanta Haisa. Com a morte da companheira, há cerca de seis anos, Sandro passou a viver completamente sozinho.

Segundo Raphael, embora já tenha convivido com outros animais da mesma espécie no passado, esta será a primeira vez que ele estará em um ambiente com tantas fêmeas por perto. Segundo ele, a expectativa da equipe do santuário é que Sandro desenvolva gradualmente maior autonomia no novo espaço, que conta com vegetação variada, terra, árvores e lago.

O tratador Sergio Domingues e o elefante Sandro no zoo de Sorocaba (SP) — Foto: Eric Mantuan / g1