Eleições podem destravar valorização de 28% da Bolsa brasileira, diz JPMorgan
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A bolsa brasileira pode ter espaço para uma valorização expressiva caso o cenário político após as eleições de outubro evolua para uma percepção de melhora das condições macroeconômicas e fiscais do país, segundo relatório divulgado pelo JPMorgan sobre estratégia para ações brasileiras. O banco afirma que os ativos locais já vêm reagindo à melhora das chances da oposição nas pesquisas, movimento que ajudou o Brasil a se destacar como o mercado emergente de melhor desempenho no último mês.
Segundo os estrategistas liderados por Emy Shayo Cherman, desde julho o MSCI Brazil apresentou forte correlação com o avanço das probabilidades eleitorais da oposição em mercados de apostas. O estudo mostra que, desde 1º de julho, o índice subiu em média 0,2% nos dias em que aumentaram as chances de vitória de Flavio Bolsonaro. Em setembro, essa sensibilidade se intensificou, com ganho médio diário de 0,72% nessas sessões.
O banco ressalta que fatores globais normalmente são os principais determinantes dos mercados latino-americanos, mas períodos eleitorais costumam ampliar a influência dos fatores domésticos. Nesses momentos, os movimentos de preços tendem a superar o que seria explicado apenas pelo cenário internacional.
Mercado ainda precifica cautela
Na avaliação do JPMorgan, o mercado brasileiro continua negociando próximo de um cenário de deterioração, apesar da recente recuperação. Utilizando uma metodologia aplicada em todas as eleições desde 2014, os estrategistas dividiram os múltiplos históricos da bolsa em quatro cenários: crise, deterioração, melhora e ajuste estrutural.
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Atualmente, o mercado negocia a cerca de 8,6 vezes o lucro projetado para os próximos 12 meses, nível situado entre os cenários de deterioração e melhora, mas mais próximo do primeiro. Segundo os cálculos do banco, uma migração para o cenário de melhora implicaria potencial de valorização de aproximadamente 28% para o MSCI Brazil. Já um cenário considerado de “ajuste estrutural” apontaria para uma alta de 54%.
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“O mercado faz sentido onde está diante das incertezas atuais, mas continua muito mais próximo do cenário de deterioração do que do de melhora”, afirma o relatório.
Paralelo com 2014 e potencial pós-eleição
O banco observa que o comportamento recente do mercado se assemelha ao registrado em 2014, quando houve uma forte correção antes da eleição seguida por recuperação posterior. Na avaliação dos estrategistas, existe, porém, uma diferença importante em relação àquele período: a possibilidade de vitória da oposição e uma composição mais conservadora do Congresso poderiam antecipar parte da reprecificação dos ativos.
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Segundo o JPMorgan, mesmo que o cenário pós-eleitoral seja semelhante ao observado após 2014, a combinação de mudanças na condução da política econômica e maior disciplina fiscal poderia gerar ganhos adicionais para o mercado brasileiro.
Queda dos juros pode ampliar alta das ações
O relatório também destaca o potencial impacto dos juros sobre a bolsa. A equipe estima que, em um cenário considerado negativo para o mercado, os rendimentos dos títulos públicos de dois anos poderiam subir cerca de 90 pontos-base, o que implicaria queda aproximada de 3,6% no MSCI Brazil. Por outro lado, um desfecho visto como favorável pelos investidores poderia levar a uma redução semelhante dos juros, resultando em valorização de cerca de 6,4% para o índice.
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Para horizontes mais longos, os estrategistas recorrem ao período entre 2016 e 2020, quando os juros reais recuaram significativamente e a bolsa brasileira registrou forte expansão dos múltiplos de valuation. Com base nessa experiência, o banco estima que um ciclo mais profundo de queda das taxas poderia gerar um potencial de valorização entre 21% e 41% para o MSCI Brazil, dependendo da magnitude da redução dos rendimentos dos títulos públicos.
A equipe de estratégia vê assim que as eleições de outubro podem representar um gatilho relevante para uma nova fase de reprecificação dos ativos brasileiros.