Eletricidade ainda pede carvão, mas sol já ganha

🗓️ 2026-08-22 📁 business-finance 📝 ⏱️ 👁️ : -

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  • A União Europeia ultrapassou em 2024 a produção de eletricidade a partir de fontes solares em relação ao carvão, marcando uma mudança significativa no setor energético.
  • Desde os anos 90, a produção e o consumo de carvão na UE têm diminuído, com a Polónia a representar 45% do consumo total em 2025, enquanto a dependência de importações aumentou para 57,2%.
  • O futuro do carvão na UE poderá ser afetado pela adesão de novos países, como a Turquia e a Albânia, que ainda produzem carvão, mas em quantidades muito inferiores.

A produção e o uso de carvão têm vindo a decrescer na União Europeia desde os anos 90. Na formação de eletricidade, ainda há um país – a Polónia – que tem o carvão como principal fonte, mas 2024 marca o ano em que o bloco europeu, no seu conjunto, passou a contar com mais eletricidade a partir de sol do que de carvão.

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De acordo com as estatísticas mais recentes lançadas pelo Eurostat, a queda no consumo de carvão tem vindo a sentir-se desde os anos 90, por fases. Nessa década caiu, para na seguinte estabilizar. Voltou a notar-se uma diminuição acentuada em 2008 e 2009, para depois se viver mais uma década de estabilidade. Em 2019, houve outra “forte quebra”, que se acentuou com a pandemia de Covid-19. Em 2025 estava nos 107 milhões de toneladas, menos 52% que há oito anos.

Em sintonia, a produção também tem vindo a diminuir “de forma quase contínua” desde 1990. Em 2025, a produção de carvão na União Europeia foi de 44 milhões de toneladas, menos 84% do que os 277 milhões de toneladas de 1990.

Por outro lado, a dependência de países fora do bloco aumentou. Em 2025, 41% do consumo interno pôde ser coberto pela produção na UE, em comparação com 71% em 1990. A dependência da importação é descrita no destaque do Eurostat como “assinalável”, cifrando-se em 57,2% em 2024. Verifica-se porque a diminuição da produção foi superior à diminuição do consumo.

Em paralelo, o número de produtores europeus de carvão reduziu-se drasticamente: dos 13 que se contavam antes dos anos 2000, restavam apenas dois em 2019, a Polónia e a Chéquia, com o primeiro a ser responsável pela esmagadora maioria, isto é, 97% da produção. Ainda assim, o declínio foi visível em cada um destes países também: desde o pico de produção da UE, em 2005, os níveis caíram em 46% na Polónia e 89% na Chéquia.

No Velho Continente, os maiores consumidores de carvão em 2025 eram a própria Polónia, que representava 45% do consumo total da UE nesse ano, seguida da Alemanha, que consumiu 23%.

O quadro pode alterar-se, contudo, no sentido inverso ao da eliminação no bloco, caso este se venha a alargar. Em 2025, dois países candidatos a fazer parte da União Europeia produziam carvão: Turquia e Albânia. As 1,3 milhões de toneladas da Turquia e as 236.000 toneladas produzidas na Albânia estão, contudo, muito aquém dos 44 milhões de toneladas provenientes da Polónia.

Carvão cada vez mais na sombra. Sol é que brilha

Na UE, quase metade dos volumes do principal tipo de carvão comercializado no bloco, assim como uma grande maioria – quase 92% — do chamado carvão castanho, é utilizada para a produção de eletricidade. A principal utilidade do carvão castanho é mesmo a produção de eletricidade, enquanto o primeiro tem uma “grande variedade” de aplicações no setor industrial.

Uso de carvão nas centrais elétricas na UE

Em 2024, foram entregues 50 milhões de toneladas de carvão comum a centrais elétricas produtoras de eletricidade e calor na UE. No caso do carvão castanho, este montante foi de 185 milhões de toneladas.

Desde 1990, a importância do carvão na produção de eletricidade diminuiu quase continuamente, com ligeiras recuperações em 2011 e nos anos de 2021 e 2022, na sequência da guerra entre Rússia e Ucrânia, que abalou o fornecimento de gás e portanto invocou substitutos.

Em 1990, o carvão era a maior fonte de eletricidade na UE, com uma quota de 35% da produção elétrica. Esta quota foi ultrapassada pelo calor nuclear em 1994, pelo gás natural em 2019, pela energia hídrica e eólica em 2023 e pela solar em 2024.

Em 1990, o carvão era a maior fonte de eletricidade na UE, com uma quota de 35% da produção elétrica. Esta quota foi ultrapassada pelo calor nuclear em 1994, pelo gás natural em 2019, pela energia hídrica e eólica em 2023 e pela solar em 2024. Em 2025, 4% do total de eletricidade bruta produzida na União Europeia baseava-se no carvão mais comum e 5% no carvão castanho.

A Polónia era o único país da UE, em 2004, cuja principal fonte de eletricidade era o carvão – este material ocupou uma fatia de 55% do total do mix energético. Na Chéquia (36%), Alemanha (21%) e Bulgária (21%) era ainda a segunda maior fonte, no mesmo ano. Na Eslovénia, ocupou o terceiro lugar do “pódio” de fontes de energia.

Em Portugal, a última central elétrica que operava com recurso ao carvão, a do Pego, encerrou a atividade em 2021.

Evolução da proporção de carvão usado na eletricidade

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