Elétrico bateu gasolina e híbridos. Moda veio para ficar?
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Operação Stop na Rádio Observador. Todas as semanas, as principais novidades do mundo automóvel, como sempre, com o Alfredo Lavrador. Alfredo, sê muito bem-vindo. Como é que estás? Como é que foi essa semana?
Lindamente, José Rafael. E apto aqui e pronto para fazer mais uma sessão de Operação Stop contigo.
Ora bem, esta semana vamos falar sobre veículos elétricos que bateram gasolina e híbridos em setembro. Causou alguma surpresa o facto de, no mês passado, as vendas de veículos elétricos terem superado os modelos equipados com motor a combustão, sobretudo os híbridos, que até aqui dominavam o mercado. Alfredo, vamos falar sobre esta temática. A minha primeira pergunta é se acreditas que a guerra com o Irão desempenhou papel preponderante para este resultado.
Olha, José Rafael, eu acredito que sim, porque, de repente, todos nós passamos a adquirir gasolina e gasóleo, ligeiramente mais caro, é certo, mas tudo na casa dos 2,2 €, com algumas flutuações. E isto dói na carteira de qualquer um. Para quem nos ouve ter uma ideia, se bem que os nossos ouvintes têm uma ideia perfeita daquilo por que passaram nos últimos meses. Mas só para recordar, um carro a gasolina normal, convencional, não eletrificado, que gaste cerca de sete litros aos 100, isto implica gastar 15,4 €, 15 € para amigos, para percorrer 100 km. E se por acaso o carro for híbrido, que gasta um pouco menos, devido à ajuda do motor elétrico, e atenção que eu estou a falar de um híbrido, de um full hybrid, não estou a falar daquelas coisas chamada mild hybrid, que o contributo para a economia não é grande. Mas dizia eu que um híbrido, que gastarão em média cerca de cinco litros aos 100 de gasolina, em vez dos tais sete dos outros que não são eletrificados, isto implica um custo para fazer 100 km de 11 €. Estamos a falar de 11 € ou de 15 €, enquanto um carro elétrico a carregar em casa à noite, em bi-horário, que é a situação ideal, não ultrapassa 1,43 € para percorrer 100 km. Estamos a falar de 13 kWh a 11 cêntimos o kWh. É uma diferença quase 10 vezes inferior e isto chama a atenção a qualquer um. Simultaneamente, e para reforçar que cada vez os elétricos interessam a mais gente, há mais pontos de carga e mais espalhados pelo país, o que facilita os carregamentos, exceto em períodos de ponta, como a gente sabe, durante as férias. E, por fim, e não deixa de ser interessante esta parte, começa a haver cada vez mais oferta de modelos baratos com preços abaixo dos 20 mil €, e isto obviamente também apela ao desejo de comprar um elétrico.
Então, Alfredo, se não foi a guerra a mudar os hábitos dos condutores, com o preço do gasóleo e da gasolina a subirem para valores extremamente altos, o que é que provocou esta mudança, no teu entender?
Eu suponho que a guerra contribuiu, não digo que não, mas o que foi mais determinante foi a chegada de cada vez mais veículos elétricos, citadinos baratos. São apenas ligeiramente mais curtos que os utilitários, aqueles carros, para te dizer, o mais vendido do mercado é o Peugeot 208, para as pessoas terem uma ideia da dimensão, é um carro com quatro metros de comprimento. Estes têm apenas 3,7 metros, ou seja, convenhamos, são 30 centímetros. A menos que tenhas dois metros de altura ou 1,90metro, não vais dar para a diferença.
Estou lá perto, mas não chega.
Eu sei que tu és um grande homem da rádio, mas dois metros, 1,90metro também não tens.
1,85metro, por aqui não fica muito atrás.
Olha, já é muito bom. Mas dizia eu, um utilitário normalmente exige 28 mil € para início de conversa. 25 mil € se tiverem uma bateria muito pequenina e com pouca autonomia. Estes citadinos utilitários, com baterias pequenas também, iguais a estes utilitários baratos, apontam para os 20 mil €. E este valor inclui, inclusivamente, o modelo que a Volkswagen vai produzir na Auto Europa, que até agora, enquanto protótipo, é conhecido por ID One for All. E basicamente isto determinou que, de repente, abriu-se o mercado a outro tipo de clientes, que até agora achava que podia comprar um carro a gasolina ou híbrido por 18 a 20 mil €, e que os elétricos obrigavam-no a gastar 28, 30 mil €, e isso ficava um bocadinho fora do alcance deles.
Alfredo, a chegada de modelos citadinos mais baratos pode também ser um fator, pode ter ajudado a atrair mais potenciais clientes, mas há uns anos, em 2009, surgiram também alguns citadinos elétricos que não foram muito populares. O que é que mudou agora?
Olha, essa tua memória enciclopédica é fantástica, mas tens toda a razão. Em 2009, chegou ao mercado o primeiro automóvel elétrico produzido em massa. Estamos a falar do Mitsubishi e-EV, que era um modelo produzido no Japão, que tinha dois irmãos gêmeos. Um era o Citroën C Zero e outro era o Peugeot iOn. Os três modelos chegaram uns em 2009, outros em 2010, mas foi por ali, e tinham preços de arranque de 35 mil €, tanto quanto me recordo. Mas atenção, com um bocadinho mais de equipamento, que as pessoas gostavam, para não cozer lá dentro nos dias de calor, por exemplo, facilmente atingia 38, 40 mil €. E estes carros tinham problema, por isso é que a tua observação de não terem vendido grande coisa, é que estes carros tinham menos três metros, tinham três metros e meio Eram muito pequenos, eram muito estreitos, porque pertenciam a uma classe de veículos japoneses que eles têm há muito, porque o trânsito em Tóquio é complicado, lugares para estacionamento não existem. Então eles criaram uma gama de veículos que eram subcitadinos, praticamente, que tinham muito pouco interesse pra Europa, e daí que esses carros não tenham vendido. Pouco depois desses carros chegarem ao mercado, apareceu o Nissan Leaf, esse sim, já mais interessante. Pouco depois também do Nissan Leaf, apareceu o Zoe e o Tesla Model S, que foi também o primeiro grande elétrico a chegar ao mercado, e a coisa começou a melhorar em termos de imagem até, mas, efetivamente, esses três pequenos citadinos, nenhum deles vendeu grande coisa.
Havia também o problema da bateria. Esses carros não ofereciam uma autonomia muito convincente. Até que ponto é que evoluíram, Alfredo Lavrador, em 2026, sendo que temos um minuto e meio até o fecho da "Operação Stop" desta semana?
Então vou ser rápido. Acertaste outra vez na mosca em relação à tua observação quanto à bateria. O Mitsubishi, o Citroën e o Peugeot, que eram todos o mesmo carro, tinham a mesma base, devido à bateria que montavam, o carro era muito pequeno, repito, anunciavam 160 km, se bem recordar. E 160 km, mas calculados num método antigo, que era o NEDC, que devia, sobretudo, considerar as descidas e não o plano, nem as subidas. Então, se fosse aplicado ao sistema atual, o WLTP, esses 160 km baixariam para 100, 110 no limite. E isso era muito pouco. Hoje em dia, os citadinos que estamos a falar, aqueles que estão efetivamente a atrair pessoas, anunciam 250 km, à volta disso, e isso muda completamente a forma de se encarar o carro. Simultaneamente, a maior parte deles oferecem carregamentos rápidos a 50 kW, o que torna os carregamentos muito mais fáceis. Como as baterias também são pequenas, em 20 minutos resolves o problema e isto, de repente, torna o carro muito mais interessante. E como é barato, e atenção que alguns destes carros citadinos pequenos, baratos, alguns deles, por exemplo, o Citroën, o dois cavalos Citroën, que vai aparecer elétrico, vai custar cerca de €15 mil. O Dacia vai custar 18, vão começar a mexer com as pessoas. E estes carros ainda não chegaram, vão chegar em breve.
Ora bem, chegamos ao final do nosso tempo, os carros ainda não, mas nós já, ao final do nosso tempo para o programa desta semana. Alfredo, fica por aqui a "Operação Stop" desta semana, com a garantia de que estás de volta pra semana com mais novidades do mundo automóvel. Até lá, um grande abraço.
Tá combinado. Abraço.