Elétricos 2023 já acumulam desvalorização de 46,15%, contra 26,85% dos híbridos e 21,40% dos carros a combustão - Mundo do Automóvel para PCD
A forte expansão dos carros elétricos no Brasil trouxe mais opções e preços cada vez mais competitivos para quem pretende comprar um modelo zero-quilômetro. No mercado de usados, porém, o cenário ainda exige atenção, pois, os elétricos de 2023, já acumulam desvalorização de 46,15%.
O dado faz parte do IBV Auto, índice do banco BV que acompanha mensalmente a evolução dos preços dos automóveis leves usados no Brasil. Para tornar a comparação mais equilibrada, o levantamento considera veículos de mesma idade e características gerais comparáveis, incluindo preço quando novos, tamanho, categoria e país de origem.
Veja Também
⇒ Com quase meio milhão de carros vendidos, Stellantis já responde por um em cada quatro veículos emplacados no Brasil em 2026
⇒ GAC cresce 30% em julho, sobe no ranking nacional e ganha espaço entre os carros elétricos
É justamente nessa comparação que aparece uma diferença expressiva. Enquanto os elétricos 2023 acumulam perda de 46,15%, a desvalorização entre os híbridos comparáveis fica em 26,85%. Nos automóveis a combustão, o índice é ainda menor, de 21,40%.
Na prática, a taxa registrada pelos elétricos é mais que o dobro daquela observada entre os veículos a combustão considerados no levantamento.
Por que os elétricos estão desvalorizando tanto?
Um dos fatores apontados pelo estudo é o aumento da concorrência no mercado brasileiro, especialmente com o avanço das fabricantes chinesas. Nos últimos anos, novas marcas e modelos chegaram ao país, ampliando rapidamente a oferta de veículos eletrificados.
Ao mesmo tempo, diversas fabricantes reduziram os preços de seus carros elétricos zero-quilômetro. Esse movimento aumenta a pressão sobre os usados, já que o preço de revenda precisa acompanhar os valores muito mais baixos encontrados nas concessionárias dos 0km.
Outro fator é a rápida evolução tecnológica. Novos elétricos chegam ao mercado oferecendo mudanças em autonomia, baterias, equipamentos e sistemas de recarga. Com ciclos de atualização mais rápidos, normalmente dois anos, modelos lançados poucos anos antes podem sofrer uma pressão maior sobre seu valor no mercado de segunda mão.
Apesar disso, o próprio levantamento aponta sinais de estabilização da desvalorização dos elétricos nos últimos meses. Ainda assim, a diferença acumulada em relação às demais formas de propulsão permanece elevada.
Mercado de usados também começa a perder força
O movimento acontece em um momento no qual o mercado brasileiro de usados como um todo apresenta sinais de acomodação. O IBV Auto registrou avanço de apenas 0,07% em julho, menor variação mensal desde março de 2025.
O resultado representa uma desaceleração significativa diante da alta de 0,57% observada em junho. No acumulado de 2026, os preços dos usados ainda apresentam avanço de 3,56%. Em 12 meses, entretanto, a alta desacelerou de 6,87% para 6,10%.
A perda de força também aparece regionalmente. Em julho, 16 das 27 unidades da Federação registraram queda nos preços dos automóveis usados, cenário influenciado pela maior concorrência das montadoras chinesas, redução dos preços dos veículos novos e condições de crédito ainda restritivas.
Para os elétricos, essa pressão tem sido ainda maior: enquanto os modelos 2023 a combustão comparáveis acumulam desvalorização de 21,40%, nos elétricos a perda chega a 46,15%, mostrando como a guerra de preços dos zero-quilômetro também começa a impactar diretamente o mercado de usados.