Elevador da Glória. Sindicato aguarda respostas da Câmara e da Carris quase um ano depois
O Sindicato dos Trabalhadores de Transportes Rodoviários e Urbanos de Portugal (Strup) afirmou esta sexta-feira que ainda aguarda respostas da Câmara de Lisboa e da Carris sobre o acidente do elevador da Glória e insistiu na crítica à externalização da manutenção.
“Decorrido um ano sobre o trágico acidente no elevador da Glória, que vitimou várias dezenas de pessoas, entre elas o nosso colega André Marques, o Strup/Fectrans aguarda pelas respostas às questões que colocámos ao presidente da Câmara Municipal de Lisboa (CML) e à administração da Carris em 17 de setembro de 2025″, apontou o sindicato num comunicado enviado aos trabalhadores da Carris, a que a Lusa teve acesso.
O descarrilamento do elevador da Glória ocorreu a 3 de setembro de 2025, causando 16 vítimas mortais e 24 feridos de 15 nacionalidades diferentes. Entre as vítimas mortais está o guarda-freio da Carris André Marques, que tinha 40 anos e era pai de dois filhos menores.
Elevador da Glória em Lisboa descarrilou após cabo partir-se. Há pelo menos 15 mortos confirmados e 23 feridos
“Sendo verdade que o essencial das respostas só poderá ser respondido pelo relatório final das entidades oficiais, mais uma vez adiado, agora para o próximo ano, o Strup/Fectrans não pode deixar de continuar a colocar o modelo escolhido, de entrega a privados da manutenção do elevador e ascensores, como entre as causas para a ocorrência desta tragédia, que importa ter presente para que se não voltem a cometer os mesmos erros”, vincou.
Entre as várias questões remetidas ao presidente da CML, Carlos Moedas (PSD), e à administração da empresa municipal, os representantes dos trabalhadores pretendiam saber se tinha sido feita alguma vez uma avaliação sobre o sistema de segurança daqueles equipamentos, se o esquema de manutenção tinha sido alterado tendo em conta o crescimento de passageiros, ou se a decisão de entregar a manutenção a privados teve algum efeito numa eventual redução da qualidade daqueles trabalhos.
Na próxima semana, no dia em que se completa um ano do trágico acidente, o sindicato vai promover uma ação de homenagem a todas as vítimas, e em particular a André Marques, com a deposição de uma coroa de flores ao fundo da Calçada da Glória, a partir das 10h30.
Na sequência do acidente, o executivo municipal de liderança PSD/CDS-PP/IL aprovou medidas de apoio às vítimas e de conceção de um novo sistema tecnológico para o ascensor da Glória, assim como a criação de um memorial na Calçada da Glória.
Ao longo dos últimos meses, a oposição à governação PSD/CDS-PP/IL tem criticado a falta de informação e respostas sobre o acidente com o elevador da Glória, com a vereação do PS a acusar Carlos Moedas de adotar “uma espécie de tática de amortecimento para não se falar disto, para ver se as pessoas esquecem”.
A Lusa questionou a CML sobre quando será inaugurado o memorial em homenagem às vítimas do acidente, e em que moldes será concretizado, mas não obteve resposta até ao momento.