Em lágrimas, Ed Sheeran fala sobre a polémica com Macklemore durante concerto

🗓️ 2026-09-20 📁 lifestyle 📝 ⏱️ 👁️ : -

Ed Sheeran subiu ao palco na noite de sábado, 19 de setembro, em Filadélfia, nos Estados Unidos, para o primeiro concerto desde que Macklemore foi afastado da sua digressão após ter mostrado o seu apoio aos palestinianos durante um espetáculo.

Antes de começar a atuar, Sheeran falou sobre a polémica que envolve a Loop Tour e sobre a situação entre Israel e Palestina. “Isto não é, normalmente, a forma como começaria um espetáculo, mas antes de tocar algumas músicas, espero que não se importem que diga algumas palavras sobre esta última semana”.

O artista de 35 anos explicou que está habituado a receber críticas à sua música, mas que, desta vez, a discussão envolve uma questão “muito mais importante”. “Tive de tomar e aceitar decisões difíceis, estou a cometer erros e peço imensa, imensa desculpa”, afirmou.

Sheeran acrescentou que nunca quis ser um músico ativista e que não pretende que os concertos se transformem em espaços de divisão política. “Os meus concertos sempre foram um espaço seguro para todos e isso é muito importante para mim”, disse, explicando que decidiu manter a digressão porque considera essencial cumprir o compromisso assumido com os fãs.

Durante o discurso, o cantor também criticou a possibilidade de os recintos analisarem ou aprovarem previamente o conteúdo apresentado pelos artistas. “Estou profundamente preocupado com a ideia de os espaços pré-aprovarem conteúdos para serem apresentados”, afirmou. Segundo Sheeran, este tipo de situação acontece em vários locais onde atua no mundo, mas “nunca deveria acontecer no mundo livre”.

A questão levou-o depois a abordar a sua posição sobre Israel e Palestina. O artista disse que, ao longo da carreira, procurou não assumir o papel de comentador político porque prefere que a música seja associada “à união e à humanidade”.

Neste caso, porém, considera que está perante uma questão humanitária. “O que aconteceu em Israel e no Nova Music Festival a 7 de outubro foi horrível e agravou séculos de sofrimento judaico”, afirmou. Sobre Gaza, disse que “o que está a acontecer é catastrófico, injustificável e desproporcional”. Referiu ainda a dimensão das mortes de civis e miúdos e afirmou que a “injustiça sistémica” na Cisjordânia não pode ser ignorada.

O britânico revelou também que está a falar com pessoas com diferentes perspetivas sobre o conflito para perceber de que forma pode contribuir para ajudar as vítimas. “Estou a ouvir e a aprender porque não sei o suficiente”.

As declarações surgem poucos dias depois de Macklemore ter sido afastado da parte norte-americana do Loop Tour. O rapper tinha atuado a 4 e 5 de setembro no MetLife Stadium, em Nova Jérsia, onde falou em apoio à Palestina e exibiu imagens relacionadas com a destruição em Gaza durante a atuação de “Hind’s Hall”. A decisão de retirar o músico das restantes datas da digressão foi anunciada a 14 de setembro.

A Messina Touring Group, promotora da digressão nos Estados Unidos, afirmou que vários recintos tinham comunicado que não permitiriam a realização dos concertos com Macklemore no alinhamento, o que poderia levar ao cancelamento da digressão.

Sheeran já tinha afirmado que a decisão partiu do promotor e não dele. Segundo o cantor, tentou durante vários dias encontrar uma solução com os diferentes recintos. O afastamento de Macklemore desencadeou, depois, a saída dos restantes artistas convidados. Finneas, Lukas Graham, Aaron Rowe e a banda Beoga anunciaram que não continuariam na digressão em solidariedade com o rapper.

Em Filadélfia, Sheeran acabou por atuar sem qualquer artista de abertura. O concerto, inicialmente previsto para começar às 17h30, passou para as 20 horas. A alteração aconteceu depois de todos os nomes que estavam previstos para atuar antes do britânico terem abandonado o alinhamento.

Leia o artigo da NiT para conhecer melhor esta polémica.