Empresa dos EUA avança para comprar mineradora de terras raras | G1

🗓️ 2026-08-24 📁 world-news 📝 ⏱️ 👁️ : -

A companhia anunciou nesta segunda-feira (24) que conseguiu garantir os recursos necessários para concluir a compra. O negócio, no entanto, ainda depende de uma assembleia de acionistas marcada para esta sexta-feira (28).

💰Para concluir a operação, a USA Rare Earth disse ter conseguido US$ 1,55 bilhão (R$ 7,7 bilhões) em recursos para um veículo criado especificamente para a operação.

💸 Do total, US$ 750 milhões (R$ 3,8 bilhões) vieram do Departamento de Guerra do governo americano.

Além do aporte do governo, a estrutura financeira criada para viabilizar a operação também conseguiu uma linha de crédito de até US$ 500 milhões de um banco de primeira linha.

O governo dos Estados Unidos assinou ainda um contrato para comprar pelo menos US$ 300 milhões em produtos de terras raras ao longo de cinco anos.

  • 🔍 Isso não significa que o governo dos Estados Unidos esteja comprando a Serra Verde. A aquisição da mineradora será feita pela USA Rare Earth. Ou seja, o governo americano está financiando parte da estrutura criada para garantir a compra da produção e também se comprometeu a adquirir uma parcela desses minerais.

Quem é a Serra Verde

A Serra Verde é uma mineradora brasileira que opera a mina Pela Ema, em Minaçu, no norte de Goiás. A empresa produz terras raras a partir de um depósito de argila iônica, um tipo de ocorrência desses minerais considerado estratégico para a indústria. A unidade iniciou a produção comercial de terras raras em 2024.

A mina produz quatro elementos usados na fabricação de ímãs permanentes de alto desempenho: neodímio, praseodímio, disprósio e térbio.

Serra verde - mineradora de terras raras em Goias — Foto: Divulgação

Esses materiais são utilizados em diversas tecnologias, incluindo veículos elétricos, equipamentos eletrônicos, sistemas de energia e equipamentos militares.

Segundo a USA Rare Earth, após a conclusão da aquisição, a Pela Ema será a única mina de terras raras de argila iônica em produção comercial fora da Ásia. A companhia também afirma que a Serra Verde é o único produtor comercial fora da Ásia dos quatro elementos usados em ímãs permanentes.

A USA Rare Earth anunciou o acordo definitivo para adquirir a Serra Verde em 20 de abril deste ano. Mais de US$ 1 bilhão já foi investido no projeto brasileiro.

Saiba mais:

Qual é o interesse dos EUA?

As chamadas terras raras são um grupo de 17 elementos químicos encontrados em abundância em vários países. A maior parte desses minerais está concentrada em dois pontos: na China e no Brasil. Eles são imprescindíveis para a indústria. Agora, a reserva brasileira é alvo do imbróglio com Trump.

  • 🔍O Brasil tem a segunda maior reserva de terras raras do mundo, segundo o Ministério de Minas e Energia (MME). Isso representa 25% do território existente.

Os Estados Unidos querem reduzir a dependência da China no fornecimento de terras raras, minerais considerados estratégicos para a indústria e para a segurança nacional americana.

Em nota, Mike Cadenazzi, secretário assistente de Guerra para Política de Base Industrial dos EUA, disse que o investimento busca garantir o acesso do país e de seus aliados a terras raras consideradas importantes para a fabricação de equipamentos militares.

Segundo ele, a parceria com a Serra Verde é uma tentativa de reduzir a dependência de fornecedores dominantes no mercado global.

“Esse esforço garante que nossa indústria de defesa tenha acesso estável e duradouro aos materiais críticos necessários para fabricar sistemas de armas de próxima geração e manter nossa vantagem tecnológica”, afirmou Cadenazzi.

O governo americano está colocando dinheiro para ajudar a garantir a compra da produção da Serra Verde.

Em troca, os EUA buscam assegurar uma fonte de terras raras fora da cadeia dominada pela China, sobretudo de elementos usados em equipamentos militares.

A China domina uma parcela relevante da cadeia global de produção e processamento desses elementos.

As terras raras são usadas na fabricação de ímãs de alto desempenho presentes em equipamentos militares, como caças, submarinos, mísseis e drones, além de veículos elétricos, eletrônicos e equipamentos de energia.

A Serra Verde é estratégica para os americanos porque produz neodímio, praseodímio, disprósio e térbio.

Ao apoiar financeiramente o projeto no Brasil, os EUA buscam garantir uma fonte de fornecimento fora da China e integrar a produção brasileira a uma cadeia de terras raras voltada para o mercado americano.

Para a USA Rare Earth, a aquisição amplia sua atuação na cadeia de terras raras, da mineração à produção de metais, ligas e ímãs. A empresa já possui operações de processamento e fabricação de ímãs nos Estados Unidos e no Reino Unido.