Enchentes no Nepal e Tibete afetaram mais de 90.000 pessoas, diz Cruz Vermelha
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A Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho (FICV) estimou nesta sexta-feira, 28, que mais de 90 mil pessoas foram diretamente afetadas pelo deslizamento de terra catastrófico que atingiu a região da fronteira entre o Nepal e o Tibete, na cordilheira do Himalaia, destruindo aldeias inteiras e ceifando ao menos 538 vidas.
“Acreditamos que pelo menos 93 mil pessoas foram afetadas e estão em grande necessidade”, disse David Fisher, chefe da delegação da FICV no Nepal, em uma coletiva de imprensa em Genebra.
O desastre também elevou o temor de novas inundações. Segundo Fisher, as equipes de resgate enfrentam dificuldades para chegar às áreas atingidas. Caminhões com suprimentos ficaram impedidos de avançar devido ao rompimento de um lago formado pelos detritos do deslizamento de terra por trás das inundações.
Destruição
Vídeos do desastre de quarta-feira 26 mostram uma enorme parede de água avançando sobre a região enquanto pessoas tentavam fugir. A força, o volume e a velocidade da enchente deixaram pouco tempo para que as pessoas pudessem escapar. A onda arrastou caminhões e engoliu casas, estradas e usinas de energia no Nepal. Já no Tibete, autoridades falaram em um “grande número de vítimas” após um deslizamento de lama atingir uma passagem de fronteira.
A destruição ocorreu ao longo de uma rota que liga Catmandu a Lhasa, no Tibete — um trajeto muito frequentado por praticantes de trekking e peregrinos hindus e budistas.
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+ Vídeo: funcionário de hidrelétrica filma fuga de avalanche de lama no Nepal
Mais de 500 cidadãos estrangeiros estão entre as 826 pessoas desaparecidas no Nepal, um grupo que inclui 177 indianos, 90 americanos, 34 australianos, 33 britânicos e 25 canadenses. A China afirmou que pelo menos 558 pessoas estão desaparecidas no lado tibetano da fronteira, sendo que, desse total, pelo menos 260 são estrangeiros.
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O porta-voz da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tarik Jasarevic, alertou que seis unidades de saúde locais foram danificadas e oito profissionais da área estão desaparecidos.
A OMS também advertiu para o risco de doenças infecciosas após a tragédia. “Após um desastre dessa escala, deslocamento, superlotação e interrupção dos serviços de água, saneamento e saúde podem aumentar o risco de doenças infecciosas, incluindo diarreia e doenças respiratórias”, disse Jasarevic.
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Causa da tragédia
O Centro Geológico dos Estados Unidos (USGS, na sigla em inglês) indicou que a tragédia foi provocada pelo colapso parcial de uma geleira que desencadeou um enorme fluxo de água gelada e sedimentos.
A mudança climática está provocando o derretimento das massas de gelo em todo o mundo, o que eleva os riscos de inundações causadas pelo colapso das geleiras.
A torrencial massa de gelo e lama também formou enormes acúmulos de água. Um deles se rompeu nesta sexta-feira no Tibete, colocando em risco as equipes que trabalham na área.
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