Encontrado avião desaparecido há 74 anos: "Mudou a aviação para sempre"

🗓️ 2026-07-22 📁 world-news 📝 ⏱️ 👁️ : -

O ano era 1952. Um avião da companhia aérea Pan Am, o Clipper Endeavor, perdeu a potência nos motores pouco depois de descolar de Porto Rico com destino a Nova Iorque e foi forçado a fazer uma aterragem de emergência no oceano.

Seguiam 69 pessoas no voo, tendo morrido 52. Os sobreviventes contariam mais tarde aos investigadores que todos os passageiros e tripulantes tinham sobrevivido ao impacto. Mas o problema foi depois: Muitos não conseguiam encontrar os coletes salva-vidas e a tripulação não conseguia lançar os botes insufláveis. Em poucos minutos a aeronave afundou.

Agora, passados 74 anos, os destroços foram encontrados. O acidente iria impulsionar melhorias obrigatórias nas normas de segurança da aviação comercial, equipamentos e instruções pré-voo.

Uma equipa de exploradores encontrou a fuselagem e a cauda do aparelho no passado mês de abril, com auxílio de um drone submarino, a 600 metros de profundidade.

"Mudou a aviação para sempre"

"O acidente mudou a aviação para sempre", descreveu Josh Gates, do Discovery Channel, num vídeo nas redes sociais onde anuncia a descoberta. "Levou a mudanças drásticas, incluindo a introdução do briefing de segurança obrigatório antes de cada voo".

Já o especialista de segurança da aviação, John Cox, refere, citado pela CBS, que o "incidente tornou-se um catalisador e ajudou a impulsionar avanços de segurança, como melhores equipamentos de flutuação. Foi um grito de guerra na altura".

A equipa de expedição afirmou estar a trabalhar com o governo de Porto Rico para ampliar a proteção do local do acidente. Também entraram em contacto com algumas das famílias afetadas pela tragédia, incluindo os únicos dois sobreviventes ainda conhecidos.

Como tudo começou?

O acidente chamou a atenção de Russ Matthews pela primeira vez em 2019 quando viu uma notícia sobre uma etiqueta de bagagem que tinha sido encontrada na costa da Florida. Mas, segundo a CBS, foi a importância histórica do Clipper Endeavor que o motivou a investigar mais a fundo.

Após anos de pesquisa nos arquivos da Pan Am e da Guarda Costeira, bem como consulta de relatórios do Conselho de Aeronáutica Civil (que antecedeu a atual Administração Federal de Aviação, FAA), a chave para encontrar os destroços foi encontrada em Porto Rico - nos registos de uma audiência feita sobre o acidente e num mapa que estimava a zona da queda, feito por pilotos da Força Aérea que testemunharam o acidente.

O mau tempo interrompeu uma primeira tentativa em 2024, mas Matthews diz que ele e os voluntários que trabalham com a sua fundação (Air/Sea Heritage Foundation) sonhavam fazer uma segunda tentativa e encontrar os destroços antes do 75.º aniversário do acidente.

Tony Romeo, CEO da empresa de exploração marítima Deep Sea Vision, já tinha falado com Matthews sobre a possibilidade de ajudar a encontrar o avião. Em abril, por coincidência um dos navios da empresa estava em Porto Rico entre outras missões, com um drone subaquático com os sensores necessários para a tarefa. "Encaixou-se tudo naquele momento: bom tempo, a equipa certa, o equipamento certo e o navio certo. Então decidimos tentar", contou.

Com base nas pesquisas históricas e em dados meteorológicos da altura do acidente, conseguiram delimitar uma área de cerca de 34 quilómetros quadrados. O drone encontrou os destroços logo na primeira passagem, mas a equipa só percebeu isso quando equipamento retornou à superfície e puderam rever as imagens.

Notícias ao Minuto Destroços do Clipper Endeavor© Air/Sea Heritage Foundation/Deep Sea Vision

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