Episódio 3. O alvo está deitado
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Sergei Nikolaevich Pozdnyakov nasceu em Moscovo a 26 de junho de 1969. Está identificado por vários serviços de informações europeus como um oficial treinado para a gestão de fontes de elevado perfil. O SIS recolheu informações sobre o Pozdnyakov junto de outras secretas europeias e também norte-americanas. "O espião do SVR", refere o relatório do SIS, "tem anos de experiência como controlador de funcionários de serviços de segurança de países estrangeiros". Há vários meses que a PJ conhece o rosto do russo, mas só há poucas semanas é que uma fotografia tipo passe dele foi incluída no processo. Justamente quando a investigação percebeu que a próxima viagem de Carvalhão Gil ao estrangeiro poderia estar iminente. Na imagem, Sergei está de camisa amarela, fechada até o último botão e mantém o olhar fixo na câmera. Tem o cabelo negro, curto, penteado para a direita. A PJ tem muitas perguntas para lhe fazer. Enumera-as num guião de interrogatório que é enviado para várias polícias da Europa. Os inspetores querem saber que tipo de relação tem Sergei com Carvalhão Gil, há quanto tempo se conhecem e em que momento estiveram juntos. Querem ainda conhecer a natureza desses encontros e querem que ele descreva ao pormenor cada um daqueles momentos. Mas para conseguirem ter respostas, primeiro é preciso deter o espião russo. Essa oportunidade está prestes a surgir. A 20 de maio de 2016, uma sexta-feira, Sergei Pozdnyakov está em Moscovo e prepara-se para embarcar num avião que o vai levar até Roma. Há sete meses, Carvalhão Gil dirigiu-se a um centro comercial na Amadora, entrou numa agência de viagens e comprou um bilhete de ida e volta. Dessa vez, acabou fotografado junto ao espião russo do SVR, na Eslovénia. E esse encontro clandestino lançou a complexa e supersecreta investigação que o transformou no homem mais vigiado do país. Agora, o filme parece estar a repetir-se passo a passo. A 15 de maio de 2016, o espião entra no Centro Comercial Colombo e dirige-se a um dos balcões da agência Geostar. Explica que quer viajar até Itália, mais precisamente Roma. A proposta que lhe fazem é de um voo low cost até ao aeroporto de Ciampino, que lhe custa 239,98 €. Carvalhão Gil paga em dinheiro. O voo de ida fica marcado para 20 de maio, sexta-feira de manhã, dali a cinco dias. O regresso está previsto para domingo à tarde, também num voo da Ryanair. O programa é em tudo semelhante ao que aconteceu da última vez na Eslovénia. Uma viagem rápida, dois dias é o suficiente. A diferença é que agora a PJ também vai viajar. "A Vida Dupla do Espião Traidor" é uma série para ouvir em seis episódios, que faz parte dos podcast plus do Observador. É narrada por mim, Ivo Canelas, com banda sonora original de Bruno Pernadas. Episódio três: o alvo está deitado.
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A viagem para Roma está por dias. Pedro Camarinha está sentado em frente ao computador. Na sala que lhe foi atribuída para investigar este caso, na Unidade de Contraterrorismo da PJ, o inspetor está a terminar um relatório de 12 páginas com o resumo dos seis meses que a investigação já soma neste momento. Camarinha recorda as suspeitas que recaem sobre Carvalhão Gil. Os 12 possíveis encontros com espiões do SVR, a viagem a Liubliana em novembro do ano anterior E realça que o espião se prepara para ir de férias. É já no final da semana. Depois de a PJ descobrir o destino da viagem, a investigação continuou a dar resultados. Ainda há dois dias, Caminha deparou-se com uma busca que o espião fez no telemóvel. Carvalhão Gil entrou no site travelgayeurope.com e procurou informações com base nos termos: gay Italy e gay Rome. Há seis meses, a cidade de Trieste, no norte de Itália, foi apenas uma paragem de fachada para um encontro em Liubliana. Desta vez, o destino final do espião parece ser mesmo Roma. Caminha pede que sejam usados todos os meios de obtenção de prova legalmente admissíveis, enquanto o espião estiver em Itália. Pagamentos, meios de transporte utilizados, alojamento, comunicações, onde almoça, onde janta e o que come em cada refeição. É fundamental garantir um acompanhamento e vigilância a todos os movimentos de Carvalhão Gil, sobretudo durante o encontro com o espião russo. Se, de facto, o encontro acontecer. O inspetor defende que sejam imediatamente emitidas cartas rogatórias e mandados de detenção. Europeus, mas também internacionais, para o caso de não ser possível apanhá-los em Roma. E os mandados devem ter o nome de Frederico Carvalhão Gil e de Sergey Nikolayevich Pozdnyakov. Portugal quer deter o espião traidor, mas também o russo que o controla. Caminha pede ainda a emissão de mandados de busca domiciliária e mandados de busca e apreensão ao carro do espião do SIS e também aos quartos de hotel dos dois espiões. Não pode ficar absolutamente nada por ver. No mesmo dia, os procuradores do Ministério Público aceitam todas as sugestões da PJ e logo a seguir, o juiz de instrução, Ivo Rosa, emite os documentos oficiais. O juiz e os procuradores vão chocar de frente neste processo. Mas esse momento ainda não chegou. Por agora, estão totalmente alinhados na estratégia. Todos querem apanhar o espião em falso. Os mandados seguem pela via formal. Ao mesmo tempo, o diretor da Unidade Nacional contra Terrorismo da PJ, Luís Neves, pega no telefone e faz alguns contactos mais diretos.
Ainda houve ali no início, qual o serviço italiano que tomaria conta do serviço. Eu depois falei com um alto dirigente da Policia di Stato, que foi quem ficou com isso, através de uma unidade especializada, que tem a designação de DICS, portanto, é uma unidade altamente especializada, está habituada a tratar de seguimentos, de vigilâncias, de operações complicadas, sobretudo no âmbito da máfia e no âmbito jihadista, portanto, as operações mais complexas passavam por eles. Eu falei com essa pessoa, que eu conhecia já de reuniões da Europol e com quem mantive durante muito tempo contactos, pedimos ajuda e nós decidimos, para não corrermos qualquer risco, não viajar com ele no mesmo avião.
Está em marcha a preparação de um cerco total ao espião do SIS. Mas Carvalhão Gil não é um suspeito qualquer. Mesmo sem ter noção de tudo o que está a ser preparado à volta dele para o tentar apanhar, vai ter todos os cuidados possíveis. Pode estar há anos afastado do terreno, mas o instinto está lá. E vai revelar-se mais apurado do que nunca. Aeroporto de Lisboa, manhã de sexta-feira, dia 20 de maio de 2016. Para além de Pedro Caminha, estão prestes a embarcar num voo de três horas para Itália, a inspetora Sílvia Dias e Pedro Prata, o coordenador e chefe da equipa da PJ. Carvalhão Gil só deverá aterrar em Roma algumas horas mais tarde. A chegada está prevista para as 14h55. Nesse momento, é preciso que todos estejam a postos e saibam bem a missão que têm para cumprir.
Eu e os meus colegas fomos recolhidos na manga do aeroporto de Fiumicino e fomos diretamente para a questura. Há ali uma espécie de um briefing, que é um briefing que nós apresentamos o caso, concretizamos o que é que precisamos, damos os dados, que já tínhamos a confirmação quando chegamos à questura de que ele embarcou em Lisboa, direto a Ciampino. Ali são organizadas as equipas que vão para o terreno. Nós não conhecíamos todos os elementos, conhecíamos apenas os responsáveis pelas equipas com quem íamos estar no terreno. E logo que este briefing do pessoal ficou pronto, arrancamos para Ciampino e ficamos à espera que o avião chegasse. Confirmamos que ele estava exatamente igual como tinha saído de Lisboa, que às vezes pode haver aqui alterações no meio do caminho, não, estava igualzinho.
Pedro Prata é o responsável pela comunicação com as autoridades em Roma. Não é apenas uma questão de hierarquia, é também uma questão prática. Dos três portugueses, é ele o mais fluente em italiano. No terreno, estão também várias equipas de inspetores locais. São, ao todo, cerca de 300. Faltam poucos minutos para as 15h. O voo de Carvalhão Gil está prestes a aterrar em Ciampino. Vem com um ligeiro atraso. As equipas de vigilância estão prontas. Ocupam as posições definidas no terminal de chegadas e na zona de saída do aeroporto. São 15h05. O avião de Carvalhão Gil acaba de aterrar. Minutos depois, os inspetores portugueses identificam o espião português na zona de desembarque, a caminhar em direção à saída. Traz apenas uma mochila ao ombro. A primeira equipa entra em ação. Seguem alguns metros atrás do alvo. Acabam de abandonar o edifício do aeroporto. Carvalhão Gil entra num autocarro em direção à estação de comboios de Ciampino. Dali, continua até ao centro da cidade. Tudo como previsto. A equipa segue-o à distância. A viagem dura pouco mais de uma hora. Next stop, Roma Termini. O comboio chega a Termini. O espião sai da estação e vai direto a um quiosque, mas não compra nada. Entra, troca algumas palavras com o funcionário e volta a seguir caminho. São só alguns segundos. Assim que o espião se afasta, dois inspetores italianos abordam o homem do quiosque. Querem saber o que aquele cliente queria. Surpreendido, diz que lhe fez apenas uma pergunta. "Como é que se vai para Nápoles?" Os inspetores suspeitam de que é uma manobra de contravigilância. E não vai ser a única. Em condições normais, Carvalhão Gil teria apanhado um autocarro até ao hotel que reservou para as próximas duas noites. Mas não é isso que acontece.
E depois acabou por não apanhar um transporte para o hotel que tinha reservado. A partir de Termini, tinha uma hora de transportes. Aquilo era nos arrabales de Roma. E ele acabou por não o fez, deambulou por ali e nessa altura entrou num hotel. Entrou num hotel, sem marcação, sem nada, e fez um check-in assim a frio.
Há dias, ainda em Lisboa, Carvalhão Gil fez uma reserva para duas noites no The Brand Hotel Roma, a cerca de 10 km do centro da cidade. Pagou 138 € pelo quarto. Os inspetores também marcaram quartos nas redondezas. Mas agora o espião acaba de entrar no Hotel Contilia, no número 81 da Via Principe Amadeo. É um três estrelas, num bairro entre a estação de Termini e a Basílica de Santa Maria Maggiore, a igreja favorita do Papa Francisco na cidade. O espião abre a carteira, tira um molho de notas. Paga 248 € por duas noites. Sobe ao quarto 519 e instala-se. São agora 18h. Há nuvens passageiras nos céus de Roma. O sol ainda vai demorar a desaparecer. Uma hora e meia mais tarde, Carvalhão Gil volta a sair à rua. Procura um restaurante perto do hotel para jantar. Repara nas letras pretas com o letreiro amarelo por cima de uma porta e entra na pizzaria Al Faggianetto. Às nove está de volta ao quarto. Na gíria policial, o alvo está deitado. Roma é, por estes dias, um ponto vital pra espionagem russa. Os serviços secretos do Putin têm vindo a reativar as células que mantinham desde a Guerra Fria e a reforçar a presença de agentes na capital italiana. A Embaixada da Federação Russa, no número cinco da Via Gaeta, a cerca de um quilômetro e meio de onde Carvalhão Gil vai passar esta noite, é o disfarce perfeito para a forte presença de agentes na cidade. Chamam-lhe "la stazione delle spie", a estação dos espiões. Os relatórios dos serviços de informações italianos estimam que até 40% do corpo diplomático russo seja, na verdade, composto por espiões do FSB, o serviço de informações interno, do GRU, o serviço de informações militares, e do SVR, o serviço externo. Estes são os vários ramos de informações que sucederam ao KGB. Existem sempre dezenas de espiões russos colocados em Roma, mais até do que havia no tempo da União Soviética. Mas, entretanto, os métodos mudaram. Antonio Taglia é jornalista e especialista em espionagem, autor de um livro sobre as secretas russas em Roma. Explica que nesta altura, os espiões de Putin optam por um recrutamento suave. Primeiro, identificam empresários, funcionários públicos e militares em cargos secundários com algum tipo de fragilidade. Podem ter dificuldades financeiras ou um passado que queiram esconder. Ou podem, simplesmente, ter uma afinidade ideológica com Moscou. Depois, trabalham as fontes. Convidam-nos para jantares em restaurantes de luxo, marcam encontros em cafés na Via Veneto, na zona histórica da cidade, e pagam-lhes milhares de euros para se tornarem informadores. Sergey Pozdnyakov conhece muito bem esta realidade. Neste momento, já não integra o corpo diplomático russo em Itália, mas não foi assim há tanto tempo que esteve colocado em Roma. Entre 2004 e 2008, o espião do SVR foi segundo secretário da Embaixada da Federação Russa no país. Era um oficial graduado, mas distante do topo da hierarquia diplomática. Por um lado, como oficial de segunda linha, tinha cobertura para trabalhar as fontes sem chamar a atenção. Por outro, tinha acesso à imunidade diplomática total e, por isso, a uma liberdade de movimentos sem restrições. Estava na posição ideal para executar a verdadeira missão que tinha de cumprir na cidade. Muitos outros espiões russos fizeram de Roma um centro operacional. Walter Biote, um capitão de fragata da Marinha italiana, destacado no Estado-Maior da Defesa, seria detido em 2021. Foi apanhado em flagrante num parque de estacionamento da cidade a passar um cartão de memória com mais de 100 documentos secretos da NATO a Dmitri Astaurov, um adido militar da embaixada russa na capital italiana. Biote escondeu o cartão de memória numa caixa de comprimidos, mas acabou detido quando tentava passar os documentos ao russo em troca de cinco mil euros. Além de Dmitri Astaurov, um segundo elemento do corpo diplomático russo foi expulso do país. O militar italiano foi condenado a 20 anos de prisão por um tribunal civil. Roma é um centro muito importante para a rede de espionagem russa na Europa, mas as ramificações de Moscovo chegam a muitos outros locais. Estônia, em 2012, Áustria, em 2020, Bulgária, em 2021, Alemanha, em 2022, e novamente Alemanha em 2024 e também em 2026. Em todos estes momentos foram detidos ou identificados espiões russos por espionagem e acesso a documentos classificados da NATO ou das Forças Armadas desses países. Há um número que resume bem o nível das operações de espionagem de Moscovo na Europa. Depois da invasão de larga escala da Ucrânia, em fevereiro de 2022, foram expulsos de diversos países europeus cerca de 400 espiões ao serviço da Rússia. O diretor do MI6, os serviços secretos britânicos, chegou mesmo a dizer que esses 400 espiões representavam cerca de metade da rede das secretas de Putin no continente europeu. À porta do hotel Contilia, onde Frederico Carvalhão Gil se instalou ao final da tarde, as equipas começam a descontrair. É preciso manter a vigilância, mas à partida, a situação está sob controle. Tanto que a dada altura, os italianos chegam a sugerir desmobilizar. Não há nenhum sinal de que vá acontecer alguma coisa durante a noite, dizem. E é essencial repor energias, até porque ninguém pode antecipar o que vai acontecer no dia seguinte. A partir de Lisboa, é o diretor da Unidade Nacional de Contraterrorismo da PJ, Luís Neves, quem trava os italianos. Nem pensar em deixar o local. O risco é enorme.
Os colegas italianos quiseram pausar a missão e quer nós, quem lá estava, quer eu, pedimos face ao tipo de vida que nós já conhecíamos, que a personagem pudesse sair à noite e dar uma volta. E como nós não sabemos se os encontros eram durante o dia, se eram à noite, não podíamos correr riscos. Tanto trabalho, tanta pressão, uma oportunidade que só passa uma vez na vida. E nós, por uma questão de uma noite, perdermos essa oportunidade, acho que ficávamos todos bastante aborrecidos.
A algumas dezenas de metros, numa carrinha com vista direta para a porta do hotel Contilia, os inspetores mantêm-se atentos a todas as movimentações suspeitas. A noite está calma. O espião continua no quarto. A operação ainda não teve grandes sobressaltos, mas há uma inquietação no ar. Há uma absoluta convicção de que Carvalhão Gil está em Roma para se encontrar com o controlador russo. E a polícia italiana acaba de receber uma informação crucial. Pozdnyakov está em Itália.
Ele como vem de um voo de Moscovo, passa na fronteira e ficou registado. E a polícia italiana estava atenta e diz: "Não, o vosso alvo chegou".
Agora já não há dúvidas. Alguma coisa está mesmo prestes a acontecer. A equipa reavalia a estratégia. Os italianos querem saber se é preciso reajustar os recursos no terreno. Cabe a Pedro Prata, coordenador da operação, tomar uma decisão.
E perguntaram se nós queríamos colocar equipas nossas em cima dele. E a nossa decisão, porque operacionalmente, em termos táticos, eram os colegas que desenvolviam toda a ação, mas em termos estratégicos, as decisões eram nossas. Não vale a pena. Ou antes, quer dizer, colocarmos os nossos olhos em cima de mais um alvo era bom no sentido de se o encontro ocorresse, nós estarmos atentos e observarmos o encontro, mas, por outro lado, o risco de não ocorrer encontro também duplicava. Ou seja, porque muito provavelmente o russo era capaz, em termos operacionais, ter mais cuidados, podia até eventualmente ter já marcado um percurso controlado, ou seja, passar em determinados sítios onde alguém está a ver se ele está a ser observado, que é uma coisa perfeitamente normal. E, portanto, a decisão: "Não, deixemos estar, agarramo-nos só a este, vamos ver o que é que isto dá".
O espião português é o principal alvo da investigação. Basta ter olhos nele. E se houver mesmo um encontro clandestino, não há como falhar. A decisão está tomada. A PJ vai concentrar todos os meios em Carvalhão Gil. Simultaneamente, segue uma indicação clara para as autoridades italianas. Ninguém pode tocar no russo. Esse homem não é para prender. Ainda não. A PJ e a polícia italiana passaram toda a noite de plantão junto ao hotel Contilia. É um trabalho duro, diz o inspetor Pedro Prata, física e psicologicamente.
É assim, há muitas angústias que se passam pela cabeça de um vigilante. E a maior parte das vezes, felizmente, não têm razão de ser. Mas qualquer piscar de olhos, às vezes, será que ele passou agora quando eu estava a piscar os olhos? É sempre um bocado chato. Mas isto é normal.
Em frente ao hotel, não se passou nada digno de nota. Carvalhão Gil está há praticamente 19 horas na capital italiana e passou as últimas 12 dentro do quarto. A última vez que a PJ o viu, foi quando o espião voltou do jantar. Desde então, silêncio total. São quase 10 da manhã de sábado, dia 21 de maio, e até agora, nem sinal dele. É nesse momento que um dos inspetores olha com mais atenção para o hotel. Na noite anterior, Carvalhão Gil entrou pelo número 81 da Via Principe Amadeo. A vigilância tem estado concentrada naquela porta porque, até agora, a equipe estava convencida de que aquela era a única entrada do hotel. Mas afinal, o Contilia não ocupa apenas um edifício, mas dois. Pior do que isso: no interior, há uma passagem que os liga. Os hóspedes podem entrar por um lado e sair por outro. Ao longo de todas aquelas horas, ninguém esteve a vigiar a segunda porta do hotel. Se Carvalhão Gil tiver decidido sair por ali, pode já estar muito longe. Mas essa é uma história para o próximo episódio. No entanto, se for assinante Standard ou Premium do Observador, pode ouvir já todos os seis episódios. Se ainda não for, basta assinar em observador.pt/assinar. No próximo episódio.
Começa a ter manobras sucessivas de contravigilância, comportamento errático. Senta-se num sítio, levanta-se, vai pra outro, volta pra trás.
Vimos que tínhamos perdido o alvo, também é gíria policial, perdemos. Portanto, perder é que está fora de controle. Ou porque ele saiu por outra porta ou porque saiu disfarçado.
"Frederico, somos a polícia portuguesa, sabemos tudo, não há nada a esconder aqui".
"A Vida Dupla do Espião Traidor" é uma série para ouvir em seis episódios, que faz parte dos Podcast Plus do Observador. É narrada por mim, Ivo Canelas, e tem banda sonora original de Bruno Pernadas. O guião e as entrevistas são de Pedro Rainho. A sonoplastia é de Mariana Sousa Aguiar. O design gráfico é de Miguel Frazo Cabral. A edição é de João Santos Duarte e Tânia Pereirinha. A coordenação é de Miguel Pinheiro, Filomena Martins, Pedro Jorge Castro, Ricardo Conceição e Sara Antunes de Oliveira. Podcast Plus do Observador. É mais do que um podcast.
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