Episódio 7. Em nome do pai

🗓️ 2026-07-13 📁 business-finance 📝 ⏱️ 👁️ : -

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Sim. Zé, é o filho. Posso entrar? Sim, pai. Pai! Pai! Pai! Pronto, eu estou aqui. Calma. Pronto. Já passou. Pronto. Já estou em casa, pai, já estou aqui. Estás aqui, estás. Eu vou abrir as janelas.

Tu estás aqui dentro deste resgate. Não era melhor seres visto por um médico ou alguma coisa assim?

Não. A sério, deixa-me estar aqui. Eu não quero ir a lado nenhum. Deixa-me estar aqui, a sério. Calma. Calma, filho, está tudo bem. Tu estás em casa. Estás seguro. Mas a tua irmã tem razão, não era nada mal que tu fosses visto por um médico. Eu vou chamar o doutor Azevedo, porque assim não precisas de sair daqui.

Boa ideia, isso era melhor.

Só não quero desaparecer. Não quero. Calma, filho. Guigas, agarra no telefone e liga ao doutor Azevedo. Diz-lhe que eu preciso de ser visto cá em casa, porque eu tenho andado com dores nos pontos da lomba. Diz-lhe que se puder trazer a Madalena com ele, da psicologia.

Não é estranho pedir assim logo uma data de coisas? Ele de repente está ferido e deprimido ao mesmo tempo.

Faz o que eu te digo. Calma, filho. Calma, eu estou aqui. Estou aqui dentro com o . Faz o seguinte: vai para a tua casa de banho, toma um duche quente e vais ver que te alivias. O pai fica aqui no quarto à tua espera, pode ser? Sim. Então vai. Acho que sim. Está tudo. Sim. Ok. Eu preciso que venhas rapidamente a minha casa. Precisamos de passar à fase seguinte. Ele está bem. Felizmente, tudo vai acabar bem. Vem cá ter em 40 minutos.

"Happy birthday to you. Happy birthday to you. Happy birthday. Happy birthday to you."

"O Candidato Perfeito" é um podcast de ficção para ouvir em oito episódios. Uma coprodução Caiote Vadio e Observador, da autoria de David Neto e Manuel Pureza, com as vozes de José Raposo, Paulo Calatré, Madalena Almeida e a minha, Tiago Tito Nio Pereira. A música do genérico é de Artur Costa. Episódio sete: Em Nome do Pai.

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José, isto é que foi um susto. Você está a precisar de comer, está com sinais leves de anemia, mas completamente justificáveis. E de resto, está bem. Não vejo grandes motivos para preocupações, ok?

Obrigado, doutor.

De qualquer modo, acho que era importante deixá-lo aqui com a minha colega Madalena Freitas, da psicologia, ok? Para falarem um bocadinho. Tenho a certeza que estes próximos tempos vão ser um tanto ou quanto desafiantes. Eu acho que era importante que vocês falassem. Pode ser?

O meu pai pode ficar?

Como ficar mais confortável, José. Diria que seria bom ficarmos só os dois, até porque você vem de uma experiência rara de trauma, pelo que seria importante estarmos apenas os dois. Mas, mais uma vez lhe digo, iremos ao seu ritmo, como melhor entender.

Filho, confia. A doutora Madalena é uma excelente médica. O pai está aqui ao lado, caso precises de alguma coisa. Ok. Doutor, obrigado por ter vindo. Imagino que rapidamente tenha percebido o porquê da chamada de urgência.

Claro, senhor engenheiro. Que coisa tão estranha, não é?

Sim, demasiado estranha.

Mas por que raio é que haveria de acontecer uma coisa deste género?

Se eu perdesse demasiado tempo à procura dessa resposta, certamente atrapalharia o trabalho da PJ no caso. A verdade é que aquele energúmeno que foi apanhado, foi o começo da queda do castelo de cartas.

E o seu sangue frio?

Não tenho alternativa, doutor. Eu não posso vergar perante essa cambada que quer magoar a minha família e o meu nome.

E a frieza e o sentido prático?

Ora, deixe-se disso, doutor. Eu pedia-lhe um favor. Eu sei que é uma altura sensível para o meu filho e a sua recuperação, mas é também uma altura muito complicada para mim, como sabe Portanto, eu pedia-lhe que todos os relatórios do dia de hoje, sejam eles mais ou menos oficiais, me sejam enviados exclusivamente a mim.

Com certeza, senhor engenheiro. Da minha parte, não há qualquer relatório. O rapaz está bem.

Interessa-me muito mais o que dirá a sua colega Madalena. Percebo o sigilo paciente-médico, mas neste caso é fulcral que eu saiba como acompanhar o pós-trauma do meu filho, ainda que ele já seja maior, não acha?

Totalmente de acordo. Deixe comigo.

Obrigado, doutor.

Vais-me deixar pendurada outra vez? O que te aconteceu? Inês?

O José voltou.

Hã?

O meu irmão já está em casa.

O quê?

Ele está magro, está com um ar super doente. Tem os olhos inchados, está com um ar assustado com tudo. Eu nunca vi nada assim, Filipe.

Calma. Tem calma. Ele já foi visto por algum médico?

Sim. O meu pai levou lá a casa um tipo de medicina geral que ele conhece e uma médica de psicologia, uma psicóloga.

Mas conseguiste falar com ele?

Quase nada. Foi horrível. Ele entrou em casa, foi direto para o quarto, pediu-me que eu fechasse as persianas, ficou na escuridão total e deixou-se ficar sentado numa cadeira virado para a parede. Depois pediu-me para eu sair do quarto e que não chamasse ninguém.

Foda-se.

Esquece. O meu irmão não está naquele corpo.

E o teu pai?

Eu liguei-lhe logo mal saí do quarto do José. Ele veio logo para casa. Eu também nunca tinha visto o meu pai assim. Ele estava a chorar sem conseguir parar, não estás a perceber.

E agora?

Não sei. Eu quero muito ajudá-lo, mas o meu irmão não está ali. É outro tipo.

Vamos por partes, José. Quer contar-me do que é que se lembra?

Eu queria era saber como é que me posso esquecer disto.

É natural. Acredite que relembrar ao pormenor é talvez a melhor maneira de ensinar o seu cérebro a arrumar isto que aconteceu e seguir em frente. Quer contar-me?

Eu lembro-me mal de quase tudo o que aconteceu antes de entrar naquela casa. Mas lembro-me bem da entrada daqueles três cabrões no meu quarto quando estava com a Luísa. Não percebi quem eram até eles me levarem na carrinho e me atarem na árvore. Nessa altura, desamordaçaram-me. É bom o ar da serra, não é, seu otário? Que é esta merda? Quem é que são vocês?

Somos amigos de longa data.

O quê? Mas por que estão a fazer isto?

Isto é um jogo ridículo para te humilhar sem razão nenhuma.

São uns loucos das cornos, caralho. Levem o que cá terem, telemóvel, mas desatem-me e deixem-me ir.

Não é o que vamos fazer. Voltamos amanhã de manhã e soltamos-te. Hoje passas aqui a noite a pensar na vidinha. Depois fazes o que quiseres.

Mas por quê?

Porque mereces. Bora.

Está aí alguém? Estou aí, caralho, está aí alguém? Meu Deus! Mas vão partir os pulso até para tirar esta merda. Alguém? Desatem-me, caralho! Socorro! Ajuda! Socorro! Passado pouco tempo de eles saírem dali, ouvi o motor de um carro a aproximar-se. Não conseguia perceber se era um carro grande, se era um carro pequeno. No meio do frio e do pânico, um gajo fica desorientado, sobretudo se estiver com um pano a tapar a cabeça, não é?

Quando se lembra desse momento em que o carro se aproxima, lembra-se de ter sentido que podia ser uma solução para a sua situação?

São vocês? Desatem-me, caralho. Tirem-me daqui, já chega desta merda. O que é isto, caralho? Tu não estavas aqui com eles, pajem? Desata-me. Aqueles ursos amarraram-me à árvore, queriam me dar porrada. Tu viste? Não viste. Tu és testemunha. Por favor, tirem-me daqui. Eu chamo-me José Valbom. Sou filho do Vicente Valbom. Sabes quem é?

Vá, tire-me daqui, leve-me a casa, por favor. O meu pai paga-te. Paga-te bem. Damos-te dinheiro se me levares a casa. Estás a ouvir? O que estás a fazer? O que estás a fazer? O que é isso, caralho? O pano com éter e uma porta de um carro a bater foram as últimas coisas que me lembro naquela noite.

E essas memórias olfativas e auditivas estiveram sempre lá?

Como assim?

Se se lembra desde que elas ocorreram ou surgiram aí no meio do seu cativeiro.

Puto, acorda. Vá lá, acorda. Vais acordar, puto, está tudo bem, eu estou aqui contigo. Já podes abrir os olhos.

Não me lembro bem. Mas foram ficando mais claras à medida que o tempo passou. Naquela noite, e disso eu já me lembro bastante bem, quando abri os olhos pela primeira vez, estava numa sala com as paredes em pedra, o chão em cimento e a cara do gajo que lá estava preso comigo a olhar-me de cima para baixo com um copo de água na mão a tentar reanimar-me.

Então havia mais uma pessoa consigo nesse sítio?

Sim. Nunca soube o nome dele, mas o gajo estava ali bem na boa. Todo esfarrapado, desfeito mesmo, mas mais ou menos tranquilo. Era estranho.

José, desculpe perguntar-lhe assim, mas tem a certeza de que essa pessoa era real? A nossa mente perante o choque pode pregar-nos partidas e vermos coisas que não estão perante nós.

Diga.

Se tem a certeza que a pessoa-

Não, está a gozar comigo? Era real, sim. Tão real que lhe espetei um garfo na mão para conseguir fugir. E mesmo assim-

Pensou em acabar com a própria vida?

Mas o que é isto? Você é psicóloga ou é da revista Cindy? Eu acho que nós acabamos por aqui, se não se importa.

José.

Não.

Eu percebo que esteja reativo e que isto tudo lhe pareça um conjunto de perguntas estúpidas, mas acredite, é importante que se mantenha alerta em relação a este tipo de pensamentos, qualquer pensamento deste género que possa surgir numa situação pós-traumática como esta. É que as janelas fechadas, o enclausuramento, são claros sinais de perturbação. É importante que nós divulguemos.

Eu fui raptado, percebe? Raptado com a porra de uma arma apontada à tinha vezes sem conta por um filho da puta de máscara, a levar na tromba dia sim, dia não. Nada do que possa dizer vai tirar isso da minha memória, por isso, por favor, saia daqui agora. Não, desculpa. Eu vou insistir nesta merda se isto não faz sentido nenhum.

Uma primeira leitura é isso que nos diz, mas se pensarmos bem, isto até poderá ter algum sentido, sei lá.

O puto é levado de casa por uns totós que se querem vingar, ok. Quando os putos o deixam uns minutos preso a uma árvore, vem alguém e coincidência do caraças, rapta o gajo. Quando os putos voltam, já não dão com ele. Tromba. Terá fugido? Pensam eles. Não, não fugiu. Foi mesmo raptado por uma malta que faz um resgate com uma tonelada de dinheiro ao pai do puto, que é só o candidato à Câmara Municipal de Lisboa. Não, está aqui qualquer coisa de muito estranho.

E o pai recusa-se a pagar o resgate. Ameaça os raptores, ameaça a direção da polícia em conversa de corredor e de repente surge um gajo a dizer que foi ele que fez o transporte do puto.

Vá lá, tu achas que ele vai levar-nos para um deserto com uma caixa que tem uma cabeça lá dentro?

Acho que seria bem mais fácil de perceber. Este tipo tem tudo a perder, é isso que eu não entendo. Para que é que se entrega?

Para poder exigir uma forma de escapar, mas arrisca demasiado. É isso que queres dizer?

Repara, se o deixarmos apodrecer na prisão, ele não só fica nervoso, como precipita as coisas. Já se percebeu o que é este tipo de gajo.

Mas não foi bem isso, Mercê. Aquele gajo avisou que a família do candidato ia sofrer e ele deu o balázio.

Qual é que foi o último atentado que te lembras em Portugal?

Essa é fácil. Sá Carneiro.

Tinhas o quê? 10 anos?

Por aí, mas lembro-me bem.

Pergunta óbvia: que inimigos é que tem a família Balbom para de repente ter um rapto, um atentado, sei lá mais o quê, tudo no espaço de um mês? Inspetores, peço desculpa, nós precisamos que venham connosco o mais rapidamente possível, pode ser?

O que é que se passou?

Com toda a certeza, Clara. Aquilo que pudemos até agora apurar é que o candidato à Câmara Municipal de Lisboa passou o dia em casa depois de ter sido chamado de urgência. Segundo relatam vizinhos da família, parte da equipa do engenheiro Valbom terá chegado a meio da tarde para reuniões breves, mas desde então ninguém mais terá saído da residência. A filha do candidato, Margarida Valbom, terá sido a última a sair de casa, mas tanto quanto nos foi possível saber, regressou ainda antes da equipa do candidato chegar. A assessoria de imprensa comunicou com as principais redações de informação dos principais meios de comunicação, agendando para este início de noite um novo comunicado. Há muita especulação sobre o que poderá ser, pelo que nos manteremos aqui, junto da casa de Vicente Valbom, na expectativa.

Sim?

Vicente, está na hora.

Dá-me um minuto, Sofia. Só vamos lá fora se estiveres bem.

Eu acho isto uma estupidez. Parece daqueles programas da treta de sábado à hora de almoço. Tu não tens de fazer isto, Zé.

Margarida, deixa o teu irmão decidir.

A sério?

Zé, apareceres é um ato de coragem. Um pontapé nos tomates daqueles palhaços que te fizeram mal. Acredita em mim, filho, nem sequer precisas de falar. Só o facto de apareceres já é um murro suficiente. Eu estarei sempre lá, bem como a tua irmã.

Pai, eu acho que eu não quero falar com os jornalistas.

Nem tens que falar, basta apareceres. Se eles crescerem para ti, eu estarei lá para te servir de escudo, não tenhas medo.

Guigas, é preciso que faças isto comigo.

Ok.

Então, vamos?

Fico muito orgulhoso de ti, filho. Muito, mas mesmo muito orgulhoso. Eu sabia. Lá no fundo, eu sabia bem que tu ias voltar. E agora estás aqui.

Marco Reis está de tiro em Monsanto e a porta agora está a abrir-se, e Clara, é José Valbom. É ele. É ele quem aparece junto ao seu pai e à sua irmã. Em primeira mão, conseguimos ver o filho do candidato à Câmara Municipal de Lisboa, que está de novo junto à sua família, numa absoluta surpresa para toda a gente. José, em direto para a Notícia CL. Estamos em direto. José, umas palavras, por favor. José, como é estar de novo junto da sua família?

Meus senhores, o meu filho não prestará quaisquer declarações. Eu peço que respeitem esta sua decisão, que respeitem também a nossa família, que estará agora, naturalmente, reservada para recebermos o José como ele deve ser recebido. Como imaginam, este momento marca de forma indelével as nossas vidas. O inferno pelo qual passámos este mês não tem comparação com mais nada. A maneira como saímos desses maus momentos é que nos define não só a cada um, mas acima de tudo, à nossa família. Como já tinha frisado anteriormente, eu sempre acreditei que o meu filho voltaria são e salvo, e muita dessa confiança devo-a às instituições, como a polícia, que tudo fizeram para que o desfecho fosse este. Ainda assim, sublinho, é importante que a cidade de Lisboa e o país aprendam com esta situação. Somos muitos mais os do lado bom da trincheira do que a quantidade exorbitante de bandidos que se passeiam nas nossas ruas. Que este desfecho feliz seja só um enorme pretexto para que essa busca pela justiça, pelo bem-estar, pela segurança, sejam prioridade número um para as nossas cidades, mas acima de tudo para Lisboa. Por agora é tudo. Espero que compreendam que me recolha agora com os meus filhos para gozar a sua presença como o homem de família que sou. Uma boa noite a todas e a todos.

Seguranças, seguranças Valbom. E nada. Não conseguimos mais nada do candidato nem do seu filho. Neste momento a porta volta a fechar-se e fica o essencial. José Valbom está de novo junto da sua família e Vicente Valbom assina aqui hoje uma das primeiras e mais valiosas conquistas, isto é, o discurso musculado sobre a segurança, defendida a todo o custo, e a forma fria como lidou com todo este caso, acabou por dar-lhe os frutos que poucos esperavam que pudesse colher. Na prática, muitos dos comentadores políticos que o definiram desta forma nos últimos tempos dirão, certamente, que tudo o que preconizou na sua absoluta recusa em ceder à chantagem dos raptores, lhe trouxe agora alguma vantagem na discussão da campanha.

Mas como é que esta merda aconteceu? Como é que isto é possível, caralho?

Não sei, o sinal deve ter sido alterado. Deixou aqui os monitores sem informação.

E?

Não sei, mudou o turno, há aqui três minutos em que o vídeo desaparece e quando o sinal volta, o suspeito está enforcado.

Foda-se! E ninguém viu nada? Ninguém? Só olham para os monitores, é isso?

Nas imagens o que viam era apenas o suspeito a dormir na cela. Ou seja, o sinal que chegava à central não devia ser o verdadeiro.

Foda-se!

Meus senhores, precisamos de todas as entradas fechadas e precisamos do registo de toda a gente que entrou no edifício entre as 20 e as 21h47. Fechem esta zona por completo, eu não quero nada disto na imprensa, estamos entendidos? Olhem que eu tenho os nomes de todos vocês bem na minha memória. Vá, vamos resolver isto. Fechem-se, rápido!

Alguém me pode explicar que merda que aconteceu aqui?

O principal suspeito do rapto de José Valbom está morto. Enforcado na cela.

O quê?

Está feito. O nosso contacto conseguiu entrar na consola de segurança, usou a simulação que replicou os dias anteriores e com a pessoa que lá temos dentro, foi simples. O Rezende já não fala mais, não se preocupe.

Vicente, o que se passa?

"O Candidato Perfeito" é um podcast de ficção para ouvir em oito episódios, produzido pela Coyote Vadio e pelo Observador. É escrito por David Neto e Manuel Pureza, com realização de Manuel Pureza, direção de elenco de Rita Tristão da Silva e assistência à realização de Clara Godinho. A direção de som, sonoplastia e música do genérico são de Artur Costa. José Raposo é Vicente Valbom, Tiago Teotónio Pereira é José Valbom, Madalena Almeida é Margarida Valbom, Vera Moura é Sofia Rito, Paulo Calatré é João Durães, Susana Brandão é Teresa Macedo, Sara Matos é Inês Oliveira, Vicente Wallenstein é Filipe Delgado, Pedro Laginha é César Pontes, Carla Andrino é Mila Valbom, Francisco Beatriz é Aníbal Freitas. Este episódio tem participação especial de Daniel Viana, Carolina Nhacou Can, Alfredo Brito, Miguel Cordeiro, Rita Tristão da Silva e David Neto.