Escândalo abala governo de Petro a poucos dias do fim do mandato
O escândalo remonta ao final do ano passado, quando veio a público o nome de Juliana Guerrero, uma jovem de 23 anos sem formação universitária.
Enquanto trabalhava como assessora do Ministério do Interior, foi apresentada por Petro numa reunião de gabinete televisionada como a futura vice-ministra da Juventude.
Guerrero acabou por não assumir o cargo depois de ter sido revelado que a Fundação Universitária San José lhe tinha atribuído um diploma em Tecnologia de Contabilidade e Gestão Fiscal e um diploma profissional em Contabilidade Pública sem que tivesse realizado os exames necessários.
Apesar disso, a jovem continuou a trabalhar no governo, lidando com várias questões com a aprovação do presidente, que sempre a defendeu.
O conflito interno no governo intensificou-se no início deste ano, quando Petro solicitou a demissão de Angie Rodríguez, a sua braço direito e então diretora do Departamento Administrativo da Presidência da República (Dapre), devido a tensões com vários colegas, entre os quais o ex-diretor da Unidade Nacional de Gestão de Riscos de Desastres (UNGRD), Carlos Carrillo.
Após este incidente, que marcou o início da rutura entre Rodríguez e Petro, a funcionária perdeu o cargo, mas foi nomeada gestora do Fundo de Adaptação, uma entidade que implementa projetos de gestão de risco de catástrofes.
No Departamento Administrativo Presidencial (DAPRE), Rodríguez alertou para o poder que Juliana Guerrero exercia em algumas entidades governamentais simplesmente pela sua relação de proximidade com o presidente.
O escândalo ressurgiu esta semana depois de a revista Semana ter publicado uma investigação alegando que Juliana Guerrero e a sua irmã Verónica se ofereceram para facilitar a atribuição de contratos a empresários em várias entidades governamentais em troca de comissões e adiantamentos.
O esquema envolvia a cobrança de um milhão de pesos (cerca de 280 euros) por uma reunião inicial com Juliana Guerrero, um adiantamento de 200 milhões de pesos (cerca de 55.000 euros) para iniciar as negociações e uma comissão de 10% sobre o valor de quaisquer contratos atribuídos.
Petro demarcou-se das acusações e insistiu que a Procuradoria-Geral da República deveria esclarecer os factos e que, a provarem-se as alegações, tratar-se-ia de um golpe perpetrado por particulares e não de conduta ilícita por parte do seu governo ou de Guerrero.
Em relação a estas acusações, Angie Rodríguez declarou esta semana que "tinha alertado pessoalmente o presidente sobre o poder e a influência" que Guerrero exercia no seio do poder executivo.
Após estas declarações, Petro ordenou a demissão de Rodríguez, rotulando-a de "grande manipuladora" e chamando-a de "paciente psiquiátrica", chegando ao ponto de publicar parte do seu historial clínico na sua conta nas redes sociais.
Anunciou ainda que iria apresentar uma queixa-crime contra ela por ataque difamatório.
Rodríguez, que não pode ser demitida por estar de baixa médica, intensificou, por sua vez, o seu ataque e apresentou hoje queixa contra Petro junto da Comissão de Acusações da Câmara dos Deputados por vários crimes, incluindo difamação, calúnia e tráfico de influências.
Alertou ainda que estas nomeações "irregulares" feitas pelo presidente se repetiram noutros casos, como o de Gabriela Muñoz, uma jovem estudante de Direito e influenciadora digital contratada pela Autoridade de Aeronáutica Civil (Aerocivil) em 2025.
De acordo com a acusação, Muñoz, de 20 anos, estava ligada a práticas irregulares de contratação dentro da administração da aviação e, juntamente com Juliana Guerrero, faz parte de uma "rede de mulheres" com um poder considerável dentro do governo.
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