Escola Portuguesa de Macau quer formar líderes desde o ensino básico

País
Escola Portuguesa de Macau
O diretor da Escola Portuguesa de Macau (EPM) defendeu, em entrevista à Lusa, uma "componente forte" na formação de lideranças desde os primeiros graus de ensino, notando que esta é uma área que interessa à instituição desenvolver.
"Pensamos na formação de lideranças já quando as pessoas são profissionais. Não, a formação de lideranças está hoje em diversos programas que já se implementam desde o primeiro, segundo, terceiro ciclos, o ensino secundário, em conjunto com universidades, escolas de negócios, de economia, e isso é importante", diz João Miguel Gonçalves, na primeira entrevista que dá desde que assumiu o cargo.
À frente da EPM desde o início do ano letivo, o diretor nota que já existem projetos no estabelecimento educativo que se vão "fazendo de forma mais informal", mas que é necessário apresentá-los agora com uma estrutura e uma identidade "mais clara". "Temos de ambicionar também criar novas dinâmicas", explica.
Para já, refere, existem apenas ideias. "No âmbito destas áreas de melhoria [da escola], da visão que vou construindo cooperativamente (...), nós temos que ter uma componente forte de formação de lideranças", considera.
Pode vislumbrar-se parcerias com instituições de Macau, Portugal ou do interior da China.
"Para cada área, teremos de encontrar os parceiros que, no momento, nos parecem aqueles que estão a ser mais inovadores, que estão a criar mudança mais disruptiva, que estão a trazer mais dinâmicas de articulação entre a escola e os contextos e os tecidos sociais, empresariais, comerciais", acrescenta.
No âmbito das comemorações dos 30 anos da EPM, que se celebram em 2028, o responsável indica que a direção da Escola Portuguesa de Macau quer perceber onde andam os antigos alunos da instituição, o que fazem hoje e que impacto teve este espaço educativo ao longo das últimas três décadas.
"É colossal o impacto que a escola teve quando começamos a olhar para onde é que estão os nossos alunos, e temos hoje essa capacidade de vermos que, para o futuro, a dimensão da formação de lideranças é muito importante, já no âmbito dos níveis de ensino que nós trabalhamos", completa o responsável, que antes de se mudar para Macau ocupava em Lisboa o cargo de Diretor-Geral dos Estabelecimentos Escolares.
O levantamento sobre o percurso dos alunos da EPM poderá ser apresentado em forma de um livro com entrevistas, antecipa, notando, porém, que o programa das comemorações ainda está a ser delineado.
A EPM foi constituída em 1998 como herdeira de três instituições de ensino em língua portuguesa: a Escola Primária Oficial, a Escola Comercial e o Liceu de Macau.
No mesmo ano foi criada a Fundação Escola Portuguesa de Macau, que gere a escola, resultado da colaboração entre o Estado Português, a Fundação Oriente e a Associação Promotora da Instrução dos Macaenses (tendo a Fundação Oriente sido substituída em 2012 pela Fundação Macau, entidade do Governo local, nos compromissos financeiros).
Leia Também: China e EUA "só têm a ganhar" com trégua comercial, diz executivo