Espanha reforça meios em Ceuta e diz que Marrocos está a cooperar
Segundo o Ministério da Administração Interna (MAI) espanhol, vão ser reforçados meios - humanos e outros - para garantir tanto a segurança e o controlo migratório como a atenção humanitária necessária com o fim de "não se colocar em risco nenhuma vida humana", sobretudo no mar, e assegurar "permanentemente a segurança em todo o território da cidade autónoma".
Fontes do MAI, citadas pelos meios de comunicação social espanhóis, disseram que o ministro Fernando Grande-Marlaska está em contacto com as autoridades de Ceuta e irá na sexta-feira à cidade autónoma, um enclave de Espanha no norte de África, em Marrocos.
Segundo as mesmas fontes, ao contrário do que aconteceu no passado, o Governo de Marrocos "está a cooperar de maneira leal e permanente com Espanha e a colaborar estreitamente" nesta crise.
As forças de segurança de Marrocos estão a travar a chegada de pessoas que querem tentar chegar a Ceuta, disse o MAI.
Marrocos atribui a entrada massiva de migrantes na fronteira com Ceuta a "organizações criminosas" e classifica como "exemplar" a colaboração com Espanha em matérias migratórias, disseram hoje fontes da embaixada marroquina em Madrid à agência espanhola Europa Press.
As fontes sublinharam que as recentes tentativas de entrada irregular em Ceuta "não respondem, de forma alguma, ao desejo das autoridades marroquinas de favorecer a imigração irregular" e que tudo indica que estes movimentos se devem, antes, à exploração de redes criminosas dedicadas ao tráfico de seres humanos e ao tráfico de migrantes.
Uma perceção gerada, adiantaram, após a recente decisão do Supremo Tribunal espanhol sobre os procedimentos para o regresso das pessoas intercetadas no mar.
"Marrocos não favorece nem incentiva a imigração irregular dos seus nacionais. São organizações criminosas que se aproveitam da vulnerabilidade destas pessoas, alimentando expectativas falsas e expondo-as a sérios riscos para as suas vidas e integridade", afirmaram.
Ceuta declarou-se hoje em "absoluta emergência humanitária e social" após mais de 1.500 pessoas terem entrado nos últimos dez dias neste enclave, onde chegaram a nado.
O presidente da Cidade Autónoma de Ceuta, Juan Jesús Vivas, pediu mesmo ao Governo de Espanha para ser declarada no território a situação de "emergência nacional", com envio de meios do Estado central para gerir a "crise migratória".
Meios de comunicação social espanhóis com jornalistas no local relataram também que milhares de pessoas entraram hoje durante a manhã a pé em Ceuta saltando a vedação que separa o território espanhol de Marrocos ou contornando "o espigão", um pontão de pedra que se entende por alguns metros das águas que separam os dois territórios.
Segundo a agência Europa Press, a polícia espanhola está já a reforçar os meios de segurança ao longo da fronteira, incluindo com cordões de agentes anti-distúrbios, enquanto no lado marroquino se concentram centenas de pessoas.
Todos os partidos representados no parlamento de Ceuta pediram hoje, numa declaração conjunta, que seja totalmente encerrada a fronteira com Marrocos.
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