Estados Unidos acusam IA chinesa da Moonshot de roubar dados da Anthropic
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Michael Kratsios, diretor do Escritório de Políticas de Ciência e Tecnologia da Casa Branca, acusou nesta quinta-feira, 22, a inteligência artificial (IA) chinesa Moonshot de realizar ataques de destilação contra o modelo mais avançado da Anthropic, o Fable 5, como ferramenta para desenvolver seu modelo próprio, o Kimi K3.
Ataques de destilação são uma técnica usada durante o treinamento de modelos de IA. Durante seus períodos de treino, a IA menor é formada a partir de milhares de respostas de modelos maiores e mais desenvolvidos. O método é conhecido dentro da indústria de tecnologia, mas as autoridades americanas afirmam que as empresas chinesas utilizaram a técnica de forma tão abrangente que, de forma ilegal, estavam copiando os sistemas americanos.
De acordo com Kratsios, a Moonshot teria construído uma plataforma interna sofisticada para conduzir “ataques de destilação em larga escala contra modelos americanos”. Ainda segundo o diretor, a empresa chinesa também teria comprado servidores equipados com os chips GB300 da Nvidia e também acessado servidores tailandeses com hardware similar, “provavelmente para treinar seus modelos de IA”. A fala implicaria que a Moonshot teria burlado as regras americanas de exportação, que impedem o acesso chinês a semicondutores americanos.
A empresa chinesa anunciou ao mundo a chegada do Kimi K3 no último dia 18 de julho. De acordo com o grupo, apesar do Kimi K3 não alcançar o mesmo nível do Fable 5, da Anthropic, ou do GPT 5.6 Sol, da OpenAI, o modelo de código aberto apresenta resultado muito avançado — característico dos modelos chamados “de fronteira” — e consegue competir com muitas das versões das grandes empresas americanas.
Na última terça-feira, 21, o secretário do Tesouro americano Scott Bessent havia avisado que empresas estrangeiras estariam sujeitas à sanções caso roubassem tecnologia americana. “Se nós vermos, especialmente aqueles modelos de longe que estão roubando de nossas grandes companhias, temos a habilidade de sancioná-los por esses roubos”, afirmou. “Autoridades têm encontrado sinais de nossos grandes modelos de linguagem americanos em muitos dos modelos chineses, e isso é inaceitável”.
Nesta quinta, Bessent publicou em seu X (antigo Twitter), um comentário sobre o caso. “Apoiamos IAs de código aberto e as inovações que elas desbloqueiam. Mas código aberto não significa acesso livre ao IP americano”, disse. “Quando uma empresa chinesa conduz ataques de destilações secretos e em escala industrial que cruzam a linha do roubo de IP, sanções serão colocadas à mesa”, finalizou o secretário.
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