Estrelas-do-mar adaptam o seu genoma à região onde vivem

🗓️ 2026-09-01 📁 world-news 📝 ⏱️ 👁️ : -

A investigação da Estação Biológica de Doñana e da Universidade de Barcelona mostrou como as populações de estrelas-do-mar espinhosas que habitam tanto o Mediterrâneo como as Ilhas Britânicas têm genomas diferentes, apesar de serem da mesma espécie.

"O mais interessante é que as variantes destas inversões não estão distribuídas de forma aleatória pelas populações estudadas, mas antes parecem estar associadas a diferentes regiões geográficas", explicou Carlos Leiva, da Estação Biológica de Doñana, citado na segunda-feira pela agência Efe.

Estas alterações cromossómicas adaptam as estrelas-do-mar para responder ao "stress térmico, osmorregulação, resposta imunitária e perceção ambiental", aspetos que os investigadores terão de validar com estudos experimentais.

Graças a esta investigação, os cientistas podem estudar como uma espécie se adapta a diferentes ambientes, mesmo quando as suas populações estão altamente interligadas, como é o caso da estrela-do-mar espinhosa.

As estrelas-do-mar adultas têm uma mobilidade limitada, mas as suas larvas viajam centenas de quilómetros auxiliadas pelas correntes oceânicas, misturando continuamente as suas populações, explicaram os investigadores.

Devido a esta interligação de habitats, seria difícil haver diferenças adaptativas significativas entre regiões para a mesma espécie, mas o estudo demonstra que existem áreas do genoma que escapam a esta mistura e mudam consoante o local onde vive a população adulta.

O estudo revelou que certas regiões do genoma recombinam, ou "misturam", muito menos do que outras, o que as mantém distintas entre populações.

"Estas regiões atuam como blocos de construção que são herdados em conjunto, preservando assim combinações de genes benéficos para a vida em condições ambientais específicas, com diferenças de temperatura ou salinidade", explicou Marta Martín Huete, investigadora da Universidade de Barcelona.

O estudo foi realizado analisando cerca de 300 exemplares da estrela-do-mar Marthasterias glacialis, provenientes de 19 localidades distribuídas pelo Atlântico Nordeste e Mediterrâneo Ocidental.

"Estes resultados abrem caminho para novos estudos que visam verificar se estas inversões cromossómicas se traduzem, de facto, em diferenças biológicas entre os indivíduos, como maior tolerância ao calor, resistência a alterações na salinidade, variações no crescimento ou na reprodução", explicou ainda Carlos Leiva.

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