EUA, Kiev e capitais europeias acordam nova reunião nas próximas semanas
Os enviados da Casa Branca para procurar pôr fim à guerra russo-ucraniana concordaram este domingo com o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, e representantes da Alemanha, França e Reino Unido realizar uma nova reunião nas próximas semanas.
"Concordámos que, em breve, a Ucrânia, a Europa e os EUA se reunirão", disse Zelensky, numa conferência de imprensa conjunta com Jared Kushner e Steve Witkoff, no final das reuniões que representantes de Kiev, das principais capitais europeias e de Washington realizaram na capital ucraniana.
O Presidente ucraniano adiantou que esta nova reunião poderá ter lugar nas próximas semanas.
Jared Kushner, genro do Presidente norte-americano, Donald Trump, também referiu o papel das três potências europeias, dizendo que os EUA continuarão a trabalhar com estas capitais e com Kiev para encontrar "formas de avançar" no processo de paz.
Kushner e Witkoff – que fizeram hoje a sua primeira visita a Kiev, após terem estado em Moscovo no sábado – explicaram aos ucranianos o que o Presidente russo, Vladimir Putin, lhes tinha dito no dia anterior.
"Do ponto de vista do Presidente Putin, penso que ele tem certos objetivos. Expressa o que quer alcançar, mas obviamente tem algumas aspirações para o seu país que também podem ser alcançadas quando isto terminar", disse Kushner, numa possível referência às exigências de Moscovo para que os EUA voltem a fazer negócios com Moscovo como faziam antes da invasão em grande escala da Ucrânia, em fevereiro de 2022.
Kushner também afirmou que Putin está disposto a continuar o diálogo.
Por sua parte, Steve Witkoff apelou hoje a Moscovo e Kiev a fazerem "compromissos" para encontrar uma saída para a guerra iniciada em 2022 com a invasão da Ucrânia pela Rússia.
"Será necessário que ambas as partes se comprometam e reduzam as diferenças, e acreditamos que temos os elementos necessários para isso", disse, na conferência de imprensa após as suas primeiras conversações em Kiev.
"É muito difícil, mas estamos determinados, preocupamo-nos com isso e esperamos que tudo isto conduza a uma resolução diplomática", acrescentou o empresário próximo de Trump.
Para além das conversações neste tipo de reunião sobre como acabar com a guerra e sobre as garantias de segurança e viabilidade económica que a Ucrânia poderá receber quando a paz for assinada, Zelensky falou com os emissários de Trump e os seus parceiros europeus sobre a ajuda que o país poderá receber para este inverno.
Além dos novos meios de defesa aérea e, em particular, de mísseis antibalísticos, a Ucrânia receberá, "se a guerra se prolongar até ao inverno", ajuda para o seu sistema energético e "um volume considerável de gás natural liquefeito dos EUA", disse Zelensky.
Nem o líder ucraniano nem os dois negociadores norte-americanos anunciaram qualquer acordo concreto com a Rússia após esta ronda de contactos com Moscovo e Kiev.