Euribor dão maior salto em meio ano e pressionam famílias com crédito da casa

🗓️ 2026-09-15 📁 business-finance 📝 ⏱️ 👁️ : -

Com o conflito no Médio Oriente sem fim à vista e o aumento das tensões a puxar cada vez mais pelos preços da energia, as taxas de juro do mercado estão de novo a acelerar, refletindo as expectativas dos investidores de que os bancos centrais vão ter de continuar a apertar as condições financeiras para travar a escalada da inflação. Os acontecimentos do fim de semana na região agravaram ainda mais este cenário. E levaram as Euribor a darem o maior salto em cerca de meio ano, o que vai pressionar os bolsos das famílias que vão ter de pagar mais pelo crédito da casa.

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Esta segunda-feira, o petróleo atingiu os 107 dólares por barril e o gás natural acelerou mais de 5% para máximos de 2023, depois de a Arábia Saudita ter encerrado um importante oleoduto que serve de alternativa ao Estreito de Ormuz, enquanto Omã adiou a reunião entre o Irão e os países do Golfo para discutirem o futuro do estreito que se mantém bloqueado, de forma intermitente, desde o dia 28 de fevereiro.

“A verdade é que não se vê uma luz ao fundo do túnel, um fator positivo, em termos de tendências dos preços da energia”, explica o economista e presidente da consultora de mercados IMF.

“O mercado está a acordar para a realidade sobre onde é que estamos em termos de gás, produtos refinados e energia. Mesmo que se resolva a guerra no Irão, há muita coisa que teria de acontecer nos produtos refinados para a situação normalizar”, salienta ainda Filipe Garcia.

Preços de energia mais altos e durante mais tempo vão ter impactos generalizados e persistentes nos preços ao consumidor.

Para evitar uma nova espiral inflacionista como a que se observou em 2023, na sequência da invasão da Ucrânia pela Rússia, e que levou a inflação a escalar acima de 10%, o Banco Central Europeu (BCE) vai ter de subir as taxas de juro mais de que o previsto até há pouco tempo.

A Zona Euro ainda está longe de uma crise inflacionista. Ainda assim, a taxa de inflação na Zona Euro avançou para os 3,3% em agosto e fez soar os alarmes em Frankfurt. As novas projeções do BCE mostraram que a inflação demorará, pelo menos, dois anos para baixar para o objetivo dos 2%.

"A verdade é que não se vê uma luz ao fundo do túnel, um fator positivo, em termos de tendências dos preços da energia. O mercado está a acordar para a realidade sobre onde é que estamos em termos de gás, produtos refinados e energia. Mesmo que se resolva a guerra no Irão, há muita coisa que teria de acontecer nos produtos refinados para a situação normalizar.”

Prestações agravam-se 80 euros em outubro

Neste contexto, as taxas a que os bancos emprestam dinheiro entre si e que servem de indexante para uma grande parte dos contratos financeiros, incluindo no crédito à habitação, arrancaram esta semana com o maior salto em seis meses.

Renovando máximos de cerca de dois anos, as Euribor a seis meses e a 12 meses, que estão indexadas a mais de dois terços dos contratos da casa em Portugal com taxa variável, subiram 0,116 pontos e 0,152 pontos esta segunda-feira. Foi a maior subida desde o dia 24 de março.

Nota: Se está a aceder através das apps, carregue aqui para abrir o gráfico.

Isto significa que as famílias se devem preparar para um novo agravamento da prestação da casa quando as condições do contrato forem atualizadas nos próximos meses, quando atualmente já estão a defrontar-se com preços mais altos de cada vez que vão ao supermercado ou abastecer o depósito do carro.

As simulações do ECO para um empréstimo de 150 mil euros a 30 anos e com um spread de 1% apontam para aumentos entre os 25 euros e os 80 euros — dependendo do indexante — nos contratos que forem revistos no próximo mês.

A presidente do BCE, Christine Lagarde e Kevin Warsh, Presidente da Reserva Federal, no Fórum do BCE sobre Bancos Centrais, a 29 de junho de 2026, em Sintra.European Central Bank 2026

BCE sobe taxas mais duas vezes até final do ano

“Há uma semana o pico para a Euribor a 12 meses estava nos 3,4%. Na sexta-feira era 3,6%. E hoje já está nos 3,7%”, observa Filipe Garcia, contextualizando as subidas destas taxas.

O que mudou? “Do discurso que saiu da reunião do BCE da semana passada é de que não foi de longe a última subida deste ano”, precisou o economista.

Desde o início dos ataques dos EUA e Israel ao Irão, o banco liderado por Christine Lagarde já subiu as suas taxas por duas ocasiões, a última das quais na passada quinta-feira. Até então esperava-se que o BCE voltasse a subir os juros por mais uma vez. As perspetivas mudaram, entretanto. Os mercados estão agora prever dois aumentos de 25 pontos base nas duas reuniões que o banco central irá realizar em 2026, a 29 de outubro e a 17 de dezembro, elevando a taxa de depósito para 3%.

Na quarta-feira será a vez de a Reserva Federal norte-americana (Fed) e há uma probabilidade superior a 90% de haver uma subida das taxas dos fed funds. “Há um mês a maioria acreditava que não ia haver alterações”, lembra o presidente da IMF.

E o ano não terminará sem outra subida da instituição liderada por Kevin Warsh. “Se a Fed, que é liderada por alguém que foi escolhido por Trump, que pressionou por uma descida das taxas de juro, sente a necessidade de subir os juros, é porque a situação é de facto complexa”, diz Filipe Garcia.

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