Ex-delegado condenado por morte de adolescente é professor em MG | G1

🗓️ 2026-09-23 📁 world-news 📝 ⏱️ 👁️ : -

Inicialmente contratado de forma temporária, Geraldo Neto tomou posse como professor efetivo da educação básica em setembro de 2024, após aprovação em concurso público. O cargo é vinculado à Escola Estadual Mendes de Oliveira, em Congonhal, no Sul de Minas.

A Secretaria de Estado de Educação de Minas Gerais (SEE-MG) determinou a abertura de processo administrativo para apurar possível irregularidade na apresentação dos documentos exigidos para a posse do servidor e o afastou das atividades enquanto o caso é apurado.

No Portal da Transparência, Geraldo aparece como servidor ativo com carga horária de 16 horas semanais. A remuneração bruta informada é de R$ 4.104,68, com salário líquido de R$ 3.756,09.

Condenação e prisão

Geraldo do Amaral Toledo Neto foi condenado em dezembro de 2015 a 18 anos e 9 meses de prisão pelo homicídio de Amanda Linhares Santos. O crime ocorreu em 2013.

Segundo o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), ele está em livramento condicional, com monitoramento eletrônico, desde 8 de setembro. O órgão informou que, até o momento, foram cumpridos 17 anos, 2 meses e 14 dias de pena.

No entanto, de acordo com a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), Geraldo tem apenas duas passagens pelo sistema prisional: de 17 de outubro de 2013 a 3 de janeiro de 2014 e, posteriormente, de 9 a 12 de setembro de 2026.

O g1 questionou ao TJMG e ao estado quando e onde o restante da pena foi cumprido, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem.

Relembre o caso

Amanda Linhares Santos foi baleada na cabeça em 14 de abril de 2013, após uma discussão com Geraldo dentro de um carro na estrada entre Ouro Preto e o distrito de Lavras Novas, na Região Central de Minas Gerais. Os dois teriam um relacionamento.

Uma testemunha relatou à Polícia Militar ter visto o casal discutindo momentos antes do crime. Posteriormente, um veículo com as mesmas características deixou a adolescente em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) em Ouro Preto. O motorista não se identificou e afirmou que a jovem teria tentado tirar a própria vida.

Amanda foi transferida em estado gravíssimo para o Hospital João XXIII, em Belo Horizonte, onde passou por cirurgia e permaneceu internada por cerca de 50 dias.

A Justiça determinou, em maio de 2014, que o ex-delegado fosse submetido a júri popular. O julgamento teve início em 1º de dezembro de 2015, em Ouro Preto.

Demissão da Polícia Civil

Geraldo chegou a ser demitido da Polícia Civil de Minas Gerais em outubro de 2013.

Segundo o processo administrativo disciplinar, a exoneração não teve relação direta com o assassinato de Amanda. A investigação apurou irregularidades envolvendo o registro e o licenciamento de duas motocicletas com motores e chassis adulterados, fatos ocorridos entre 2005 e 2007.

O pedido de demissão foi encaminhado pela Corregedoria-Geral da Polícia Civil em 12 de outubro de 2013, e a exoneração foi publicada quatro dias depois.

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