Exames. "É importante que decisores políticos parem de enganar o país"
O prazo da correção dos exames nacionais do ensino secundário terminou à meia-noite mas ainda há relatos de professores que ainda vão classificar provas hoje. A denúncia é feita pelo movimento SOS Escola Pública (e não só).
Na SIC Notícias, Goretti da Costa revelou que o movimento continua a receber "vários relatos" semelhantes.
"Significa isto que as provas têm uma classificação provisória e os professores continuam a aguardar. Reportaram a situação ao jurí nacional de exames e ao eduQA e não obtiveram qualquer resposta até à data", garatiu a docente, explicando que isso acontece porque "as folhas de continuação não aparecem, não estão a surgir".
Perante isso, a SOS Escola Pública não sabe como "vão afixar resultados de provas cujas folhas de continuação não aparecem". "Não conseguimos justificar que rigor poderá ter um resultado que é exposto sem que a totalidade do item tenha sido devidamente classificada", notou Goretti da Costa, atirando: "É importante que os decisores políticos parem de enganar o país".
"Estão a falar com uma classe qualificada. Estamos todos a fazer leituras. Pais e alunos estão cada vez mais preocupados", afirmou, salientando que nem "o campo lexical do senhor ministro [da Educação]", que tenta passar uma mensagem serena, está a resultar.
Para Goretti da Costa, o Executivo "tem de vir a palco, há um pedido de desculpas que tem de ser feito".
Durante a mesma entrevista, a professora lembrou que, com o adiamento do prazo da classificação dos exames nacionais, "estamos a atrasar um processo que pode empurrar a segunda fase ainda mais para a frente".
Sobre o "link" prometido pelo ministro da Educação, Fernando Alexandre, para os alunos verem a correção da prova, pouco sabem os professores. "Não sabemos que plataforma é essa. Temos muito pouca informação. Falam tanto em transparência...", lamentou.
Mais. Na opinião de Goretti da Costa "vai haver desigualdade e falta de equidade" durante o processo de reavalização dos exames nacionais. "Nem todos os alunos têm suporte financeiro para se debater pela reapreciação da prova", defendeu.
Questionada se as correções digitais dos exames poderão vir a ser positivas no futuro, com os erros já corrigidos, a docente mostrou-se reticente. "É um debate que vai ter de acontecer entre professores. Pensamos todos os dias, tentamos chegar a conclusões. É um processo que exige muito trabalho", disse, revelando que uns consideram a medida "positiva" outros gostariam de continuar a ter a prova física.
Antes de terminar o comentário na estação televisiva, a professora do SOS Escola Pública sublinhou que os professores "parecem estar a ser ouvidos pelo ministro da Educação desde o início do mandado de Fernando Alexandre mas o que está a entrar está a sair imediatamente".
"Finge que ouve, está a comparecer às reuniões, ouve o que está a ser dito mas tem a sua própria agenda", concluiu.
Recorde-se que o ministro da Educação, Fernando Alxandre vai falar esta quinta-feira, 16 de julho, ao país sobre a correção dos exames nacionais.
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