Exames? Transição digital implica tentativa e erro, diz ministro
"A transição digital tem custos, a transição digital tem riscos. Todos nós ao longo da história da transição digital temos inúmeros exemplos de tentativa-erro", disse Gonçalo Matias, que respondia aos jornalistas sobre o caso dos exames nacionais, depois de ter participado na apresentação da plataforma de gestão urbana da Comunidade Intermunicipal da Região de Coimbra (CIMRC).
Não falando especificamente sobre os problemas nos exames nacionais, cujo calendário foi alterado devido a problemas no processo de digitalização, o ministro afirmou que o Governo está disponível para "este processo de tentativa-erro", vincando que não estará disponível "para voltar para trás".
"O que não estamos disponíveis é para deixar alguém para trás. O que estamos disponíveis é para avançar, aprender com aquilo que possa não correr bem e melhorar no futuro. Porque só assim é que nós conseguimos evoluir. E é por isso que nós hoje temos a digitalização que temos", vincou.
Na sua intervenção durante a sessão de apresentação da plataforma, que decorreu no Convento São Francisco, em Coimbra, Gonçalo Matias defendeu que não se deve digitalizar "aquilo que é complexo", porque dessa forma cria-se apenas "mais uma camada de burocracia digital".
Para o ministro, antes da digitalização, deve avançar-se com a simplificação de processos e procedimentos.
"Isso dá trabalho, é um trabalho minucioso, quase de ourivesaria, mas tem que ser feito", disse.
Gonçalo Matias defendeu que não se deve ter receio da digitalização, considerando que esses processos de transição trazem vantagens e a possibilidade de oferecer serviços melhores e mais rápidos aos cidadãos.
"Não tenhamos medo da digitalização. Ela vai trazer-nos desafios, claro que vai. Já está a trazer. Todos os dias somos confrontados com exemplos de casos em que a digitalização tem mais dificuldades. Por isso, podemos fazer [projetos] pilotos, podemos experimentar, testar e falhar. E vamos falhar. Quem é que nunca falhou? Mas falhar não significa andar para trás. Falhar não significa desistir", afirmou.
A presidente da CIMRC, Helena Teodósio, realçou que a plataforma hoje apresentada, que representa um investimento de 1,92 milhões de euros financiado pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), é "um novo capítulo" na forma como se olha para o território e a governação local.
"Este projeto permitirá reunir numa única infraestrutura tecnológica dados provenientes de sensores, equipamentos urbanos, sistemas municipais, cidadãos e diversas bases de informação, disponibilizando uma visão integrada e em tempo real do território", aclarou.
Segundo Helena Teodósio, será uma plataforma "aberta, interoperável e preparada para evoluir com as necessidades futuras", que irá apoiar em áreas como a gestão da água, dos resíduos, da energia, dos transportes ou da rega dos espaços verdes, entre outros setores.
Também a presidente da Câmara de Coimbra, Ana Abrunhosa, considerou que a plataforma será "o cérebro territorial", apoiando tomadas de decisão.
Na sua intervenção, a autarca também deixou um alerta sobre a transição digital, quando se passa da "burocracia no papel para burocracia digital, multiplicando passos e barreiras".
Ana Abrunhosa defendeu uma desmaterialização acompanhada de simplificação de procedimentos, "eliminando redundâncias para garantir que a tecnologia liberta tempo e recursos".
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