Explicar a cabeça de um obsessivo a quem está de fora - Intermédios
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Olá a todos, boa semana. Sejam bem-vindos a mais um episódio de "Intermédios". Todas as segundas-feiras estou aqui para falar convosco, partilhas mundanas do meu dia a dia, mas com as quais muitos de vocês se podem identificar. E eu acho que isso hoje vai acontecer. Já passo a explicar por quê. Mas antes, novidades superinteressantes, pelo menos para mim. Eu voltei ao café da manhã na RFM, todas as manhãs às 9h15. Aliás, hoje já lá estou às 9h15. Regressei com uma rubrica. Eu tinha na rádio há quase 10 anos, nas manhãs, no café da manhã, a rubrica que era "As Marias", que eram as dúvidas sobre parentalidade. As minhas filhas eram pequeninas. Há 10 anos, a mais velha tinha seis anos. E eu pensei: "Eu cresci, as minhas filhas cresceram, os filhos dos ouvintes cresceram. Há cada vez mais dúvidas, isto não passa com a idade. E se eu voltasse com esta rubrica que despertou tanto interesse na altura e foi tão curiosa. E se eu voltasse, mas agora com dúvidas sobre a adolescência e estabelecer mesmo as diferenças entre o que é a adolescência agora, o que foi a minha adolescência, como nós a vivíamos, como eles a vivem agora?" E então voltei com "As Marias Gen Z", com música do NBC. O jingle é do NBC, está muito engraçado. Muito obrigado, Timothy. Todas as segundas-feiras às 9h15. E este sábado eu vou estar em Fafe para o regresso do "Volta Já". Atenção, malta, são três espetáculos, um pouco mais do que isso. Até o fim do ano, eu vou ter três, quatro espetáculos do "Volta Já" e vai ser Fafe. Dia 10 de outubro, Viseu, e depois dia 7 de novembro em Lisboa. Atenção, malta de Lisboa, eu não sei se vou a Almada, não sei se vou andar aqui por Setúbal, não sei se vou andar muito perto. Malta de Viseu, eu não sei se vou a Lamego ou se vou a outras terras mais perto. Portanto, aproveitem estes espetáculos, porque de janeiro a março eu vou voltar com mais datas e aí, sim, vou andar pelo país inteiro, mas eu não vos consigo confirmar onde é que vou andar. Por isso, aproveitem estas datas. Quarta-feira. Espero que estejam a gostar dos nossos convidados do podcast. Tivemos já a Catarina Lucas, a psicóloga, tivemos o meu amigo Rui a falar sobre o que é ser pai viúvo e sobre a adolescência. Foi uma conversa muito bonita. Tivemos o Paulo, que é um puto de 19 anos muito engraçado. Foi uma conversa entre gerações. E esta quarta-feira vamos ter uma miúda muito engraçada também, que veio falar como ela conseguiu dar uma volta às suas questões relacionadas também com a perturbação obsessivo-compulsiva. E curiosamente, é disso, mais ou menos, que eu vou falar hoje, porque o que eu gostava de vos falar hoje em relação a este tema? Eu acho que a conversa de hoje é sobretudo para que as pessoas que lidam com ansiedade e com a perturbação obsessivo-compulsiva ou pensamentos ruminantes, estão a ver a lógica? Se possam identificar, de alguma maneira, com aquilo que eu vou dizer e possam perceber: "Caraças, afinal não sou só eu". Com a ressalva de que eu não sou psicólogo, eu não sou psiquiatra, não estou a dar lições de moral a ninguém, não estou a dizer: "Façam isto ou façam aquilo", mas sim, é apenas a minha partilha. Eu muitas vezes também estou à procura de identificação com outras pessoas, mas também é uma conversa para que quem não lida com essas coisas possa entender um pouco melhor, ou para quem tem alguém que lida com uma perturbação obsessivo-compulsiva e ansiedade em casa, possa validar o que essa pessoa diz muitas vezes e perceber: "Afinal, a pessoa que eu tenho cá em casa conta-me estas coisas e realmente há mais pessoas a passar por isto". Porque eu estava a falar com uma amiga minha, que tem uma pessoa da família que lida com a perturbação obsessivo-compulsiva e eu estava lhe a tentar explicar como é que se processa a nossa cabeça, porque ela dizia que os medos desse familiar, as obsessões, a pessoa explicava-lhe e ela não conseguia compreender como é que aquilo lhe causava desconforto. Porque são situações que lhe parecem muito pouco lógicas ou não têm um fundamento real, ou a probabilidade é extremamente baixa. E ela diz que essa pessoa da família partilha os seus medos e as suas obsessões e que ela quer ajudar, mas que fica ela própria desconfortável porque diz que não compreende, é muito difícil compreender como é que aquilo lhe causa desconforto, mas está lá para ela e isso acaba por ser o mais importante. Isto parte aqui de uma premissa muito curiosa. Eu vou fazer uma partilha que é uma frase que eu li há muitos anos num livro sobre psicologia, que eu acho que resume o nível de desconforto que uma pessoa com ansiedade ou uma perturbação obsessivo-compulsiva, pensamentos ruminantes, tudo aqui neste âmbito, lida. E nesse livro, não era ficção, portanto, isto era um caso real de um miúdo que tinha 16 anos, e este miúdo estava com um cancro terminal, portanto estava infelizmente mesmo no fim da sua vida, mas este miúdo também lidava com uma perturbação obsessivo-compulsiva. Este miúdo tem uma frase que eu nunca mais me esqueci, porque ele disse que gostava de morrer sem aqueles pensamentos na cabeça. Quando o único desejo deste miúdo não era não morrer, porque ele já tinha aceitado a sua morte, mas o único desejo deste miúdo era não ter aqueles pensamentos na cabeça. Eu acho que isto revela o impacto que as obsessões têm na saúde mental, que os medos têm na saúde mental, têm na nossa capacidade de raciocínio. A perturbação obsessiva-compulsiva é também conhecida como a doença da dúvida. A nossa cabeça coloca-nos dúvidas que à partida nós sabemos que não são reais, nem que fazem sentido. Por isso é que para quem está de fora, não há aqui uma lógica, porque nós próprios, muitas vezes, percebemos que estamos a exagerar, que não fazem sentido, que está a sair fora da realidade, por assim dizer, mas estes pensamentos causam-nos uma ansiedade de tal maneira, que a ansiedade é como se os tornasse reais. Ou seja, como é que eu explico isto? Se vocês têm um pensamento e esse pensamento não vos causa stress nenhum, vocês seguem a vossa vida. Se vocês têm um pensamento e esse pensamento não vos causa ansiedade, seja um pensamento de se alguma coisa vos faz mal ou algum medo, ou o que quer que seja, mas isso não vos causa ansiedade. É um pensamento que vem e vocês pensam: "Que parvoíce" e seguem a vossa vida, está tudo bem. Agora, como é que isto funciona? Se eu tenho um pensamento que é obsessivo, ou melhor, se eu tenho um pensamento e esse pensamento me causa ansiedade, há um instinto e uma ordem natural das coisas que é o seguinte: se isto me causa ansiedade, se eu estou desconfortável por este pensamento, eu vou dar atenção a este pensamento, porque se ele me está a causar esta ansiedade, se eu estou a ficar tão incomodado por este pensamento, é porque ele tem um fundamento real, é porque ele é real, porque senão não me causava isto. E é esta relação direta que nós estabelecemos, que não é verdadeira, são só pensamentos, não é verdadeira, mas é este desconforto, é esta ansiedade que nos causa, que os torna válidos e que os torna reais. Então nós passamos o resto do tempo a tentar resolver esta ansiedade, a tentar resolver este desconforto. Por exemplo, eu neste podcast e com o Guilherme Giarinhas, nós já falámos de um dos pensamentos obsessivos mais comuns. Eu lembro-me de uma vez ter lido um livro sobre isto, que era um tipo que o principal medo dele era ter atropelado alguém e não ter reparado, que por si só não faz sentido. Isto não faz sentido. Mas este pensamento causava-lhe tal estresse e ansiedade, que ele depois partia em verificações. Voltava atrás, punha-se a olhar para o carro, etc. Este pensamento não é real, mas todos os pensamentos obsessivos partem de uma pergunta mágica que é: e se? E o "e se?" é mágico, porque o "e se?" é uma pergunta que nós também usamos muito para a criatividade. O "e se?" serve para qualquer coisa. E se isto não fosse assim? E se afinal acontecesse daquela maneira? E se eu não reparei? E se afinal não sei o quê? E se eu ia distraído? Entra aqui num turbilhão, numa máquina de lavar, num tambor da máquina de lavar às voltas, que vocês nunca mais saem daqui. Porque resolvendo uma dúvida, o "e se?" abre outra dúvida. E é este "e se?" mágico que faz com que mesmo os pensamentos mais irreais como este, que é muito comum na perturbação obsessivo-compulsiva, ganhem validade. Quem está de fora, como não está a sentir o estresse, como não está a sentir a ansiedade, é só um pensamento parvo, sem lógica, porque não está a ter a parte emocional nem física desse desconforto. E o mais curioso é que muitas vezes, com vários pensamentos obsessivos que eu tive das mais diferentes áreas, quando as obsessões passavam, e podiam ter passado um mês, uma semana, horas, meses, mas quando passavam, é como se eu tivesse acordado de um pesadelo. É muito curioso, é como se eu acordasse e eu pensava, ou melhor, eu conectava-me a esse pensamento e ficava: "Como é que eu fui atrás disto? Como é que isto me causou desconforto? Como é que eu andei horas a verificar e a pensar se isto era assim, se era real?" E naquele momento aquilo não fazer sentido nenhum. Ou seja, isto é muito a prova de que os pensamentos só ganham validade quando nós nos conectamos a eles e quando há esta ansiedade ligada ao próprio pensamento Por isso, aquilo que eu aconselho às pessoas que estão de fora é: pensem nas vossas próprias fobias, nos vossos próprios medos. Há quem tenha medo de cobras. Por exemplo, a Catarina, a minha mulher, tem um medo de cobras que se pela. Fobia ao ponto, ela vê uma cobra, não come enguias, porque parece cobras. No outro dia tivemos uma centopeia aqui em casa. Eu estava a fazer qualquer coisa e disse: "Catarina, pega aí na centopeia e mete-a fora de casa, mete aí no jardim ou longe ou qualquer coisa." E a Catarina pegou e de repente começou a entrar mais já num pré-pânico, vamos dizer, e dizia: "Não, anda tu!" E eu: "Mas o que é que se passa?" Eu até pensei que lhe tinha picado alguma coisa. Não, e ela estava a dizer: "Porque faz-me lembrar uma cobra." Eu assim: "Mas uma centopeia tem patas, 100. Não tem 100, tem entre 30 a cento e tal." Mas eu achei curioso, porque isto não parece uma cobra só por ser comprido, estão a perceber? E ter os corninhos. Não tem nada a ver com uma cobra, mas não tem nada a ver com uma cobra pra mim, porque eu não estou conectado com essa ideia. Portanto, vocês pensem em algo que vos cause este nível de desconforto. Podemos encontrar aí uma relação com o nível de desconforto que uma pessoa que está com pensamentos de ruminação, obsessões e ansiedade sente. Eu acho que muitas vezes nós queremos que a pessoa que esteja à nossa frente nos ajude, tirando a dúvida, que é impossível ou na maior parte das vezes não é muito possível, porque é uma pescadinha de rabo na boca. Eu perguntava às vezes à Catarina: "Será que isto me faz mal?" E ela dizia: "Não." E a minha pergunta a seguir era: "E como é que tu sabes?" E ela dizia: "Então pra que perguntaste?" Ou seja, é um sufoco de tal maneira. Sabem aquela imagem que nós temos da pessoa que se está a afogar e está a tentar agarrar a qualquer coisa? É um bocado isso. Mas estava eu a dizer que aquilo que nós procuramos muitas vezes na pessoa é que ela nos ajude a resolver a situação, o que muitas vezes não acontece, como eu estava a dizer, porque é a nossa própria relação com o pensamento e não a pessoa. Mas também, às vezes, eu quero só que a Catarina compreenda que aquilo que eu estou a sentir é real. Não é um mimimi, não é uma mariquice, como se dizia antigamente, como estávamos sempre a dizer. Não é eu a ser fraco, não tem a ver com isso. O desconforto que eu estou a sentir é real. Às vezes é só isso que eu quero que compreendam, que aquilo é verdadeiro. Agora, depois disto, a parte do meu trabalho tem que ser feita. Com o psicólogo, enfrentar as situações, perceber em que momento eu estou, se estou bem fisicamente para lidar com isso ou não, etc. Mas nesse primeiro momento, acho que é importante perceber isso. Depois, há um pormenor muito curioso, que muitas vezes o próprio pensamento ou a própria obsessão é uma sensação. Como é que eu posso explicar isto? Quando eu era novo, tinha muitos medos de contaminação. Então tive aquela lógica, já partilhei isto, de lavar as mãos vezes e vezes sem conta. Estava sempre a lavar as mãos. E quando é que eu parava de lavar as mãos? Na minha cabeça, não era eu olhar pras mãos e dizer: "Olha, pronto, ok, já esfreguei, estão limpas, de certeza absoluta." Era uma sensação. Era uma sensação de certeza, uma sensação de perfeição, talvez, não sei explicar muito bem. É uma sensação de eu lavar as mãos, parar, depois tinha que voltar outra vez, depois ia a minha mão e ficava: "só mais um bocadinho." É quase como um vício. Estão a perceber? Quase como um vício. Era só mais um bocadinho. Eu lavava as mãos até que a determinada altura, se não fosse vencido pelo cansaço, havia a sensação de: "Ok, não, agora estou bem." E eu acho que isso acontece muito com as pessoas que têm as questões de organização, de números. Pode ser também organização mental, mas muitas vezes esta ansiedade é também daqui. Ou seja, não é só a dúvida em relação à situação e ao medo, mas também de uma própria sensação. E eu acho que é muito por esta lógica de quem está de fora e que não compreende. E eu acho que nós que estamos deste lado também temos que aceitar que as pessoas não compreendem. É normal. As pessoas não vão compreender porque não são elas a lidar com isso, tal como eu olhei pra centopeia e aquilo pra mim de maneira nenhuma era uma cobra, mas na cabeça da Catarina era uma cobra. Por quê? Porque ela conectou-se com esse pensamento e pra ela era real. Eu acho que quem está de fora Pode ajudar, mesmo que não compreenda, que aceite que aquilo que aquela pessoa está a lidar é real e que o desconforto é real. Eu já disse muitas vezes à Catarina: "Em situações de estresse grande, eu gostava que tu tivesses 20 segundos dentro da minha cabeça, pra perceberes o desconforto que eu estou a sentir neste momento". Isto é um trabalho difícil para todos, na realidade, mas é importante também que a malta que está de fora compreenda que não é um mimimi, que não é um: "Deixa-te de coisas" ou "Está a exagerar". Mas eu acho que também é um papel importante de nós que estamos deste lado, que lidamos ou com ansiedade ou com perturbação obsessivo-compulsiva ou pensamentos ruminantes, que eu estou a lidar com este estresse. Eu acho que isso é importante. Nós temos que fazer nossa parte. Eu às vezes, por exemplo, tenho pensamentos e obsessões e quero ir falar com a Catarina e partilhar com a Catarina, mas também penso: até que ponto isto vai acrescentar alguma coisa? Até que ponto é que não vai só estar a encher a cabeça a ela? Até que ponto eu consigo lidar com isto sozinho e tentar encontrar aqui um equilíbrio? Mas isso consegue-se com trabalho, terapia, autoconhecimento, tentativa e erro, e tentarmos, de alguma maneira, não sermos vítimas. É a cena que nós temos. Podia ser diabetes, como já disse muitas vezes, podia ser outra questão de saúde e às vezes também é. Era bom que nós pudéssemos ter só uma doença, todos nós. Tínhamos só uma doença e não tínhamos mais doenças nenhumas na nossa vida. Tínhamos só uma questão crônica, uns era diabetes, outros era dermatite atópica ou o que quer que seja, piolhos, e não tínhamos mais questões nenhumas na nossa vida. Mas isso não ia ser muito melhor, na realidade. Mas nós procurarmos não sermos vítimas. Aceitar, sermos pragmáticos, que temos estas questões que nós procuramos resolver e as pessoas do outro lado, amigos, familiares, companheiros, etc, perceberem que quando a pessoa está num processo de obsessão ou de medos, que aquele medo é real. É aquilo que aquela pessoa está sentindo. É real pra essa pessoa, atenção. É real, ou seja, ela não está a exagerar, ela está a vivenciar aquela experiência, porque é causada pela ansiedade. A ansiedade e a forma como a gente se conecta ao pensamento é que faz com que aquilo assuma essa dimensão do real. E podermos os dois trabalharmos isso. E o trabalhar isso, muitas vezes quem está lá ao lado, não é aquela do: "Não penses nisso. Tu precisas é te divertir." Também, é preciso divertir. O pensar nisso é difícil, porque ninguém controla os pensamentos. O divertir, sim, é importante. O ler, o escrever, o passear, o fazer desporto, ter atividades, isso tudo é importante. Mas a pessoa estar lá ao lado nesse momento, eu acho que palavras de carinho, no sentido: "Olha, eu compreendo que isso que tu estás a sentir pode ser real na tua cabeça, mas eu não vejo muita lógica nisso e, portanto, eu estou tranquilo, eu acho que está tudo bem. Já sabes que pode ser um processo obsessivo." Estou aqui a pensar pra mim o que é que poderia funcionar. Muitas vezes não é dar demasiada importância, não é desvalorizar, mas fazer a pessoa entender que está num processo obsessivo. É um processo obsessivo, tu já passaste mais vezes por isso, já te aconteceu e sabes que no fim isso acaba por passar. Porque isso é um aspecto curioso. Eu sempre que tive obsessões, sejam estas de contaminação, que eu tive durante muitos anos e que agora não tenho, sejam obsessões que duram uma semana, um dia, meses, etc. Sempre que passam, é como se eu tivesse acordado de um pesadelo. E eu olho pra trás e penso: como é que isto me causou este estresse? Como é que este pensamento, que por agora eu olho e não me faz diferença nenhuma, como é que isto me fez ficar preso e me causou este nível de ansiedade? Isto também mostra muito e explica muito como os pensamentos só ganham dimensão quando nós nos conectamos a eles. Como é que os pensamentos só ganham dimensão quando eles nos causam ansiedade, porque é esta lógica, é como se a ansiedade fosse uma validade da sua realidade, tudo em A. Mas é isso, é como se a ansiedade e o desconforto que o pensamento nos causa, fosse uma prova de que ele é real. E não é. Nós somos muito mais que os nossos pensamentos. Somos experiência, nós somos as nossas ações, nós somos a nossa história. Os pensamentos vão e vêm. E pensamentos de merda temos todos. Infelizmente. Eu acho que podíamos tentar nos rir mais dos pensamentos de merda. E quando eu me refiro, isto é uma lição que eu penso a mim próprio, muitas vezes. Espero que tenham gostado deste episódio, que tenha feito sentido. Muito importante referir que, volto a dizer, e isto são já as minhas obsessões, eu não sou médico, eu não sou psicólogo, eu não sou psiquiatra. Isto é apenas a minha partilha e espero que faça sentido pra quem está a ouvir e a ver e lida com ansiedade ou perturbações obsessivo-compulsivas, que faça sentido isto que eu estou a dizer. E pra quem lida com pessoas com uma perturbação obsessivo-compulsiva ou ansiedade, que também possa fazer sentido e perceber que a pessoa que está ao vosso lado, de quem vocês gostam muito, não é única. E que está tudo bem. Podia ser diabetes. Obrigado, malta. E até pra semana, pra mais um "Intermécios". Agora vou ficar aqui um bocado a pensar: será que eu disse isto? E se eu não tivesse isso? Será que eu devia ter dito? Ai, caraças. E se eu disse e agora não sei o quê? Mandar uma mensagem ao meu psicólogo.