Fabricantes chineses de robôs buscam transformar entusiasmo em trabalho útil
O evento ocorre em meio a um aumento do interesse dos investidores em robôs humanóides, uma nova fonte potencial de crescimento industrial para a China e um campo de competição tecnológica com os Estados Unidos.
As ações da Unitree, a fabricante de robôs humanóides mais conhecida da China, dispararam quase seis vezes na estreia na bolsa de Xangai nesta quarta-feira, depois que a demanda dos investidores de varejo pela operação foi superada em mais de 8.000 vezes.
VISITA DE EXECUTIVA DA NVIDIA
Madison Huang, executiva sênior da Nvidia e filha do presidente-executivo da fabricante norte-americana de chips, Jensen Huang, fez uma visita sem aviso prévio ao evento, observando robôs executarem chutes voadores e coreografias de dança antes de parar em um estande da companhia para perguntar sobre seus sensores.
Huang, que atraiu curiosos da mesma forma que seu pai em visitas anteriores a Pequim, supervisiona o marketing das plataformas Omniverse e de robótica da Nvidia, softwares usados para simular e testar IA física — sistemas capazes de perceber e agir no mundo real.
Apesar das tensões geopolíticas e das restrições dos Estados Unidos à exportação de chips de IA mais avançados da Nvidia para a China, a visita da executiva destacou o papel dos fornecedores estrangeiros no esforço da China para desenvolver robôs para suas empresas e residências.
Continua após a publicidadeA RealSense, fabricante norte-americana de sistemas de visão para robôs e uma das poucas expositoras estrangeiras na conferência, afirmou que está estabelecendo parcerias de vendas na China à medida que o setor se desenvolve.
“Vemos a China como um mercado muito estratégico para nós”, disse Mike Nielsen, diretor de marketing da empresa. “Ela está se tornando o centro da tecnologia humanóide.”
ROBÓTICA, UMA “FORÇA IMPORTANTE”
Na cerimônia de abertura, Xin Guobin, vice-ministro da Indústria e Tecnologia da Informação da China, afirmou que a robótica se tornou “uma força importante” no desenvolvimento econômico e social do país, segundo reportagem da mídia local.
Os robôs chineses estão sendo cada vez mais testados em ambientes de logística, manufatura e serviços.
“Nossos cenários de aplicação mais comuns estão na logística”, disse Zhang Dapeng, vice-presidente adjunto da Leju, empresa de robôs humanóides industriais, enquanto sua empresa demonstrava robôs movimentando e separando caixas e pequenos objetos.
Continua após a publicidadeZhang disse que fábricas europeias e montadoras chinesas estão utilizando robôs da Leju para movimentar caixas e carregar componentes.
No estande da Robotera, um torso humanóide sobre uma base tripé com rodas classificava encomendas. Um representante da empresa disse que o robô estava sendo utilizado nas instalações logísticas dos correios da China desde o ano passado, utilizando o software de IA da Robotera.
Um representante de vendas disse que a Robotera possui mais de 100 robôs de encomendas em 15 armazéns em todo o país.
DAS DEMONSTRAÇÕES À IMPLEMENTAÇÃO
Nas proximidades, a DexForce demonstrava robôs humanóides embalando celulares em caixas em uma linha de montagem.Os robôs estão em operação desde o início deste ano em uma fábrica da Lens Technology, fornecedora chinesa de telas sensíveis ao toque e outros componentes para a Apple e Huawei, disse Nicole Yang, representante da DexForce.
Yang disse que as máquinas têm precisão operacional na ordem de milímetros e são capazes de detectar e corrigir erros, como um celular colocado de forma inclinada.
Continua após a publicidade“Em teoria, os seres humanos são os mais hábeis”, disse Yang. “Mas muitos trabalhadores nas fábricas não estão dispostos a realizar esse tipo de trabalho monótono.”
A Lumos Robotics já está usando robôs para automatizar a montagem de módulos-chave em sua fábrica e planeja introduzi-los na montagem final, disse o diretor executivo Yu Chao.
A X Square Robot, conhecida por seu foco em tarefas domésticas, busca ir além de testes curtos de serviços domésticos. A implantação mais longa durou um mês e a empresa está testando robôs em centenas de residências este ano antes da comercialização gradual no ano que vem, disse o cofundador Yang Qian.
Nielsen, da RealSense, disse que as empresas com mais chances de sucesso serão aquelas capazes de colocar robôs em ambientes de produção ativos, acrescentando que o rápido ciclo de desenvolvimento da China está pressionando os fornecedores a agirem mais rapidamente.
“Os ciclos de produto para robôs são mais próximos de seis a oito meses, e não de três a quatro anos”, disse ele.
