Farage promete "verdadeira mudança" política no Reino Unido
"Estou farto de ouvir dizer o que não pode ser feito", afirmou o líder populista de direita, durante um discurso no congresso nacional do partido, que arrancou na quinta-feira em Birmingham (centro de Inglaterra) e decorre até sábado.
Segundo Farage, "as pessoas querem ação, as pessoas querem verdadeira mudança".
Entre as promessas enumeradas, Nigel Farage, que foi reeleito em agosto como deputado no círculo de Clacton-on-Sea, disse que vai "parar os barcos [com imigrantes ilegais que atravessam o Canal da Mancha]", reduzir as contas de energia anuais em 250 libras (290 euros) e cortar "radicalmente" impostos nos primeiros 100 dias de governo.
Para ultrapassar eventuais obstáculos ao cumprimento destas promessas, revelou que pretende declarar uma "emergência nacional" e forçar o parlamento a funcionar seis dias por semana "até aprovar a legislação necessária".
Se as propostas de lei foram bloqueadas pela Câmara dos Lordes, admitiu nomear "centenas" de novos membros para garantir uma maioria na câmara alta do parlamento britânico.
Quanto à possível oposição da justiça, Farage quer "remover a capacidade de juízes de usar convenções ultrapassadas" para impedir certas políticas "e talvez considerar como as nomeações judiciais funcionam no futuro".
"No fim de contas, é o parlamento que faz a lei", vincou, reconhecendo que "o plano é ousado, é ambicioso, mas é necessário".
Farage falava após um dia turbulento no congresso, ensombrado por suspeitas de irregularidades no financiamento do partido.
Dois funcionários do partido britânico anti-imigração Reform UK demitiram-se hoje, após alegações de que teriam aconselhado um potencial financiador norte-americano a contornar as leis britânicas.
Na quinta-feira, o canal televisivo Channel 4 transmitiu uma reportagem filmada com câmara oculta, na qual colaboradores próximos do líder de Farage sugerem formas de legitimar um donativo de 500 mil libras (cerca de 581 mil euros) de um empresário estrangeiro, montante que violaria a legislação eleitoral britânica.
O assessor sugeriu que o suposto empresário financiasse sondagens a título de doação em espécie, o que poderia contornar o escrutínio.
O doador norte-americano e o filho eram, na realidade, um ator e um jornalista a trabalhar para uma organização denominada Verbatim Investigations.
"O facto de isto acontecer hoje, no primeiro dia de uma conferência sobre a reforma, não é coincidência", lamentou Farage, cujo discurso foi interrompido várias vezes por manifestantes.
O político populista anti-imigração atribuiu o caso a "um grupo de ativistas de extrema-esquerda financiado por estrangeiros".
"Não tenham dúvidas: isto foi uma manobra, uma manobra prolongada, para nos armar uma armadilha. Quero ser claro: o partido não fez nada de errado. O partido não aceitou dinheiro ilegal", garantiu.
As novas acusações vêm somar-se a outras investigações sobre o financiamento do partido, que durante meses liderou as sondagens nacionais e atualmente está empatado com o Partido Trabalhista, a força política do primeiro-ministro Andy Burnham.
O Partido Reformista foi o terceiro mais votado nas eleições legislativas de 2024, atrás dos partidos Trabalhista e Conservador, mas, devido ao sistema de maioria simples, só elegeu cinco deputados.
Atualmente, o grupo parlamentar reformista é composto por oito deputados, incluindo vários eleitos que saíram dos Conservadores.
Farage queixou-se de uma "campanha de ataques altamente coordenada" por parte dos "dois partidos [que] têm dominado a política britânica há mais de cem anos".
"Não nos deixaremos distrair por nada disto - estamos absolutamente determinados no que estamos a fazer", enfatizou.
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