Fenprof muda de posição e pede demissão do ministro da Educação após lançamento de "clima de suspeição"

🗓️ 2026-07-20 📁 world-news 📝 ⏱️ 👁️ : -

José Feliciano Costa, secretário-geral da Fenprof, também exaltou esforço dos docentes que "trabalharam noite dentro, fins de semana, muito além daquilo que era expectável e do que era exigido"

O secretário-geral da Fenprof, José Feliciano Costa, acusou esta segunda-feira o ministro da Educação de ter lançado um “clima de suspeição” sobre os professores, insistindo que Fernando Alexandre não tem condições para continuar no cargo.

O responsável falava aos jornalistas depois de ter recebido o coordenador do BE, José Manuel Pureza, na sede da Federação Nacional dos Professores, em Lisboa.

José Feliciano Costa foi interrogado sobre o facto de o ministro da Educação ter afirmado esta manhã que as equipas do seu ministério identificaram casos de professores com centenas de itens atribuídos e sem qualquer classificação realizada, que não foram substituídos atempadamente, defendendo um novo modelo, em que a classificação das provas é contratualizada.

“Lançou um clima de suspeição em relação aos professores, [dizendo que] há professores que têm provas e que não as corrigem ou fazem um compasso de espera e que isso vai boicotando o processo. Mas isso também vem à imagem do que disse o primeiro-ministro, que já tinha lançado um clima de suspeição em relação aos professores, acusando-os de coisas parecidas com estas”, criticou o responsável.

Na ótica do secretário-geral da Fenprof, “isto é gravíssimo” e o único responsável político pelas falhas registadas na qualificação digital dos exames nacionais é Fernando Alexandre, que não tem condições para se manter no cargo.

José Feliciano Costa considerou que esta manhã, em conferência de imprensa no ministério, Fernando Alexandre tentou normalizar um processo que classificou como “caótico, por tudo o que percebemos ao longo destas semanas”.

O responsável sublinhou que devido às falhas registadas “milhares de professores trabalharam noite dentro, fins de semana, trabalharam muito para além daquilo que era expectável e do que era exigido, e, portanto, isso não é um processo com normalidade”.

Questionado acerca do pagamento de horas extraordinárias prometido aos docentes por este esforço, o secretário-geral da Fenprof disse ainda não saber como é que esse pagamento vai ser feito.

Já sobre os possíveis impactos para o trabalho docente da época especial anunciada esta segunda-feira pelo ministro para alunos prejudicados por este processo, que se irá realizar em setembro, José Feliciano Costa realçou que a segunda fase dos exames nacionais está prestes a começar, além dos pedidos de reapreciação de prova, e que as escolas querem “resolver os problemas da preparação do próximo ano letivo” e “deviam estar descansadas”.

O responsável prometeu ainda que a Fenprof “estará atenta” para que nenhum aluno ou professor seja prejudicado neste processo.

Pela primeira vez este ano, os exames nacionais do ensino secundário, realizados por 166 mil alunos, foram corrigidos em formato digital, mas o processo registou falhas técnicas desde o início, obrigando o Ministério da Educação a adiar os prazos inicialmente previstos.