Filha de homem que morreu esperando ambulância pergunta pelo pai | G1
"Ele deixou uma menina de 5 anos que está a todo momento perguntando cadê o pai", desabafou.
Embora ninguém tenha aberto a porta para ajudá-lo, o morador Bruno Savicki Zanetti Mori contou que ele e outros vizinhos ligaram dezenas de vezes para o Corpo de Bombeiros e também para a polícia. As respostas eram sempre que não havia viatura disponível.
Keila Melo, que é vereadora na cidade-natal de Rafael, Rondon do Pará, conta que a família está avaliando o que fazer em relação ao caso, que, na sua avaliação, precisa ser investigado.
"Nós também acionamos alguns amigos aqui no nosso município, advogados, que estão vendo como se proceder perante o Ministério Público para exigir, no mínimo, essa abertura de inquérito por conta de toda a situação", disse.
Segundo Keila, a mãe de Rafael planeja ir a Catalão, nos próximos dias, para ver a neta. A tia afirma que, até o momento, não recebeu nenhum contato da Prefeitura de Catalão, da polícia ou do Governo do Estado em relação ao acontecido. "Nós não temos informação alguma. O pouco que a gente sabe, de alguma informação, é pela imprensa", destacou.
Rafael Vinícius pediu ajuda de moradores antes de cair na rua — Foto: Reprodução/TV Anhanguera
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Suspeita de intoxicação
A Polícia Científica informou ao g1 que o corpo de Rafael foi encaminhado ao IML por suspeita de "intoxicação exógena por entorpecente", ou seja, por uso de drogas. Mas a causa só será confirmada após exames laboratoriais, que devem ficar prontos entre 30 e 60 dias.
Segundo Keila, o sobrinho havia saído do Pará e ido para Catalão, há cerca de nove anos, justamente para fazer tratamento. Durante o período de idas e vindas de clínicas de reabilitação, ele conheceu a esposa, que é enfermeira. Ela não estava no momento em que o marido passou mal.
Trabalho como caldeireiro
Em seu perfil nas redes sociais, Rafael não informava a profissão em que atuava. Keila se recorda que ele trabalhou na área de metalurgia.
Ao g1, um funcionário de uma empresa de engenharia industrial de Catalão informou que ele trabalhou lá como caldeireiro até setembro de 2025.
"E eu não sei como é que estava o último período dele, mas ele sempre trabalhou. Trabalhou de carteira assinada, ele tinha os trabalhos dele", disse a tia.
A tia afirma que Rafael era conhecido pelos familiares e amigos principalmente pela sua bondade. "Sabe aquela pessoa que não carrega maldade e que o tempo todo ele está disposto a ajudar? Ele era muito bom", declarou.
Mesmo em meio à dor da perda, a família busca por respostas.
"A gente sabe que isso não vai trazer o Rafael de volta, mas vai trazer um alento àquilo que foi o mais grave que a gente sente, né? Que foi a omissão do Estado. Eu acho que a dor que nós carregamos maior hoje não é nem por conta dele ter falecido, foi a forma como tudo aconteceu", afirmou.
Ao g1, o Ministério Público de Goiás disse que a 6ª Promotoria de Justiça de Catalão instaurou um procedimento para apurar os fatos e que solicitou informações tanto ao Corpo de Bombeiros quanto ao Samu de Catalão. "Sendo assim, aguarda o recebimento dessas informações para, então, definir qual o encaminhamento será dado ao caso" , disse o MPGO, em nota.
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