Flávio diz que dinheiro de Vorcaro para Dark Horse era "privado" | CNN Brasil
O candidato à Presidência pelo PL (Partido Liberal), Flávio Bolsonaro, defendeu na noite desta sexta-feira (16) que os recursos do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do extinto Banco Master, usados para financiar o Dark Horse, filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), eram "privados" e que não há nada de errado com o patrocínio.
"Um filme de um patrocínio privado, para um filme privado sem absolutamente nenhuma contrapartida pelo fato de eu ser senador da República para fazer um filme do Jair Bolsonaro", disse em entrevista à Globo.
"Eu conversei com vários possíveis investidores e ele topou fazer em uma época que ele não tinha absolutamente nada de errado", prosseguiu.
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Ao ser questionado sobre a divergência entre o valor que o senador pediu ao ex-banqueiro e a quantia efetivamente gasta com a obra, Flávio disse que a diferença se deu devido a um "contrato que não foi cumprido".
"Era um contrato que não foi cumprido e, com os recursos que foram aportados por ele e mais outros investidores, conseguimos concluir o filme. Simples assim. Uma relação privada, um dinheiro totalmente licito", completou.
Em maio deste ano, vieram a público áudios e mensagens sobre negociações entre Flávio e Vorcaro para financiar Dark Horse. As negociações com o ex-banqueiro envolveram um pedido de US$ 24 milhões, cerca de R$ 134 milhões, por parte do senador. O valor efetivamente repassado chegou a pelo menos R$ 61 milhões (aproximadamente US$ 12,3 milhões).
Perícia contratada pela Go Up Entertainment, produtora responsável pelo filme, no entanto, constatou que a cinebiografia do ex-presidente teve um gasto de US$ 13 milhões, o equivalente a aproximadamente R$ 75 milhões, e não contou com dinheiro público para a sua realização.
Relatório da PF (Polícia Federal) de 12 de setembro pede esclarecimentos sobre o dinheiro repassado por Vorcaro para o financiamento do filme. O documento foi divulgado após o ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), quebrar sigilo de nova leva de processos relacionados ao caso Master.
Flávio alega que os recursos pagos por Vorcaro foram integralmente destinados à produção do filme. A PF, no entanto, afirma que ainda é necessário esclarecer "a origem, o trânsito, a destinação e os beneficiários finais dos valores movimentados".
Como mostrou a CNN nesta sexta, a PF pediu ao ministro André Mendonça a prorrogação do inquérito que investiga o financiamento do filme por 90 dias. A solicitação ao magistrado foi registrada na quinta-feira (15).
O inquérito foi instaurado no fim de julho deste ano e teve prazo de tramitação com vencimento em 10 de outubro. Segundo a corporação, no período foram colhidas informações da Ancine (Agência Nacional do Cinema) e da produtora Go Up. A PF também ressalta que novas informações foram obtidas por meio do depoimento do empresário Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como Mineiro.
A investigação apura se a "Entre Investimentos e Participações", que pertence a Mineiro, seria usada para repasses do ex-banqueiro Daniel Vorcaro para a produção do filme.