Floresta das borboletas em Moçambique passa a ser área protegida
O Monte Mabu, na província moçambicana da Zambézia, conhecido pela elevada concentração de espécies raras e por albergar mais de 200 espécies de borboletas, passou a beneficiar de proteção legal comunitária, numa área de 9.341 hectares.
Escolha a Executive Digest como fonte preferida no Google Escolher ›
A criação pelo Governo moçambicano da Área de Conservação Comunitária do Monte Mabu, formalizada desde o final de agosto, envolve a proteção de uma das zonas de maior biodiversidade da África austral, conhecida internacionalmente como Floresta das Borboletas pela abundância de espécies raras e endémicas, revelada internacionalmente há mais de uma década pelo naturalista britânico David Attenborough.
A nova área protegida, criada por despacho do Ministério da Agricultura, Ambiente e Pescas, consultado pela Lusa, abrange 9.341 hectares no distrito de Lugela e ficará sob gestão das comunidades locais, através de um Conselho de Gestão Comunitário, num modelo que procura conciliar conservação da natureza e desenvolvimento económico baseado no uso sustentável dos recursos naturais.
Segundo o diploma, a área destina-se à “proteção, conservação e exploração de recursos naturais pelas comunidades locais, promovendo a melhoria das condições de vida, através da utilização sustentável dos recursos naturais”.
O Monte Mabu tornou-se conhecido internacionalmente depois de expedições científicas terem revelado a riqueza da fauna e da flora, incluindo dezenas de espécies até então desconhecidas da ciência.
Continue a ler após a publicidade
Continue a ler após a publicidade
Conhecida como Floresta das Borboletas, trata-se de uma montanha com cerca de 1.700 metros de altitude. Ganhou a alcunha após a divulgação de um fenómeno de agregação sazonal de centenas de borboletas no cume para reprodução, documentado em 2013 por Attenborough.
Entre as descobertas científicas associadas ao Monte Mabu encontra-se a borboleta ‘Iolaus mabuensis’, descrita pela primeira vez a partir de exemplares recolhidos na área, bem como a víbora ‘Atheris mabuensis’, espécie endémica identificada em 2009.
O Monte Mabu é considerado um dos mais importantes refúgios de biodiversidade da região, albergando o maior bloco contínuo de floresta húmida de média altitude remanescente na África austral. O relevo acidentado e o relativo isolamento da montanha favoreceram a evolução de espécies únicas ao longo de milhões de anos.
A proposta, que antecedeu a criação da área de conservação, refere que as principais ameaças atuais são a expansão da agricultura de pequena escala e o abate de madeira, embora a floresta se mantenha relativamente preservada graças à proteção exercida pelas comunidades locais, que tradicionalmente consideram a área sagrada.
O diploma, que criou a Área de Conservação Comunitária do Monte Mabu, estabelece que a gestão será assegurada por um Conselho de Gestão Comunitário, determina a elaboração de um plano de maneio participativo para definir a zona e as regras de utilização dos recursos naturais, sujeita a exploração desses recursos à obtenção de licenças.
Continue a ler após a publicidade
Prevê que qualquer atividade tenha de respeitar os objetivos de conservação que justificaram a criação da área, cabendo ainda ao mesmo Ministério acompanhar e capacitar as comunidades envolvidas na gestão do território.