FMI prevê impacto "modesto" das tarifas dos EUA no Brasil mas pede "esforço fiscal mais ambicioso" para travar dívida

🗓️ 2026-07-23 📁 business-finance 📝 ⏱️ 👁️ : -

O Fundo Monetário Internacional (FMI) avaliou esta quinta-feira que o impacto das tarifas de 25% impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros deverá ser “modesto”, devido às isenções previstas e à limitada dependência do mercado norte-americano.

O FMI assinalou que o efeito sobre a economia brasileira tende a ser limitado, porque os Estados Unidos respondem por 11% das exportações brasileiras e vários produtos ficaram isentos da sobretaxa, a exemplo do café, carne bovina, energia e peças aeronáuticas.

No relatório, recorda que as tarifas norte-americanas sobre a maioria das importações brasileiras chegaram a 50% em agosto de 2025, o que elevou a taxa efetiva para 29,1%, acima da média aplicada a outros países.

Posteriormente, destaca o FMI, houve reduções em novembro de 2025 e em fevereiro de 2026, levando a taxa efetiva para 12,2%.

As exportações brasileiras para os EUA diminuíram após o aumento das tarifas em 2025, mas recuperaram gradualmente desde novembro desse ano, observou o organismo internacional.

O FMI atribui parte dessa resiliência ao crescimento das exportações para outras regiões e ao aumento das vendas de soja para a China.

Apesar do contexto de tensões comerciais, o FMI destacou que o setor externo brasileiro continua a apresentar fatores de robustez, incluindo reservas internacionais de 358 mil milhões de dólares no final de 2025 e um regime cambial flexível.

Ainda no relatório divulgado após a conclusão da consulta anual do Artigo IV, o FMI sublinha que o gigante da América Latina tem procurado diversificar os seus parceiros comerciais.

Nesse sentido, cita o acordo Mercosul-União Europeia, já ratificado e em fase de implementação, como um elemento que pode reforçar a resiliência da economia perante choques externos.

O FMI advertiu, contudo, que uma escalada das tensões comerciais globais poderá pesar sobre o investimento estrangeiro e o comércio internacional, sendo o setor agrícola um dos mais expostos a eventuais perturbações nas cadeias de abastecimento, nomeadamente de fertilizantes.

“O principal risco é a escalada das tensões geopolíticas, especialmente no Médio Oriente, que poderia aumentar a inflação e, por condições financeiras mais restritivas e menor demanda global, reduzir a atividade económica”, destaca o FMI.

Na avaliação geral, a instituição manteve a projeção de crescimento de 2,4% para a economia brasileira em 2026 e de 2,5% no médio prazo, considerando que o país continua “notavelmente resiliente” perante choques externos, embora enfrente desafios fiscais e de produtividade.

O FMI afirma que será necessário “um esforço fiscal mais ambicioso” para colocar a dívida pública numa trajetória firme de queda e criar espaço para investimentos prioritários, sendo uma das sugestões a de reduzir benefícios tributários considerados pouco eficazes.

O Fundo avalia ainda que o ajuste fiscal atualmente previsto não é suficiente para reduzir a dívida pública e defende medidas adicionais, como guardar parte da receita extra gerada pelo petróleo e tornar o orçamento menos engessado.

Segundo o Fundo, a dívida bruta do Governo brasileiro deverá atingir 97,8% do PIB em 2026 e estabilizar em torno de 106% do PIB até 2035, na metodologia utilizada pela instituição.

No relatório também se projeta que a inflação atingirá 5,6% no fim de 2026, convergindo gradualmente para a meta de 3% apenas em meados de 2028.

Em reação ao relatório, o Banco Central brasileiro avaliou que a equipa do “FMI reconhece o papel desempenhado pelo regime de metas para a inflação e pelo arcabouço de políticas económicas do país”.