Fórum para a Competitividade mantém previsão para PIB de 2026 apesar de melhores perspetivas
A associação Fórum para a Competitividade continua a prever que a economia portuguesa cresça entre 1,7% e 1,9% este ano, tendo já em conta a evolução do PIB acima do esperado no segundo trimestre, divulgada pelo INE.
Numa nota de conjuntura publicada esta sexta-feira, que se baseia em informação conhecida até esta data, o Fórum para a Competitividade refere que “a revisão em alta do primeiro trimestre e o valor melhor do que o esperado para o segundo trimestre ajudam o crescimento do conjunto do ano”.
O “crescimento superior ao estimado melhora as perspetivas” para a economia em 2026, mas há sinais em sentido contrário na conjuntura internacional, estimando a associação que o nível de progressão do Produto Interno Bruto (PIB) português continuará dentro do intervalo que estimava anteriormente.
“Mantemos a nossa previsão de um crescimento do PIB em 2026 entre 1,7% e 1,9%”, refere o fórum na síntese.
A análise já considera a estimativa rápida das contas nacionais trimestrais publicada pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) na quinta-feira.
Economia portuguesa cresceu 0,8% no segundo trimestre em cima de subida de 0,1% no primeiro. Crescimento homólogo foi de 2,5%
Em relação ao terceiro trimestre (iniciado em julho), a associação refere que “se iniciou a fraquejar, embora também tenha que se reconhecer que o segundo trimestre foi mais forte do que o antecipado”.
No início do ano, recorda, o PIB do primeiro trimestre acelerou de 0,1% (revisto em alta de 0%) para 0,8% em cadeia, mais do que o esperado, devido ao contributo da procura externa líquida, e em termos homólogos acelerou de 2,4% para 2,5%.
De seguida, ressalva: “estamos agora perante dois efeitos de sinal contrário”, em que, por um lado, “o segundo trimestre foi melhor do que o esperado e, por outro, a conjuntura externa apresenta-se agora menos favorável”.
Em Portugal, em julho, “o clima económico sofreu uma queda ligeira, enquanto a confiança dos consumidores quase recuperou para os níveis anteriores ao conflito no Médio Oriente”, descreve.
Em maio, recorda, “as exportações de bens abrandaram para 5,1%, face ao forte crescimento dos dois meses anteriores”, mas enquanto em abril “a recuperação parecia consistente, neste mês registaram-se quebras para um número significativo dos principais mercados, com destaque para os Estados Unidos da América”.
A associação refere ainda que “entre 2019 e 2025, o PIB português cresceu 8,3% em termos acumulados, enquanto a produtividade só subiu 2,8% em termos reais (em 2025 até caiu 0,4%)”.
O fórum nota que, entretanto, “o salário mínimo subiu 26% em termos reais, quase dez vezes mais”, considerando que “não há condições para rever o que foi acordado em termos do salário mínimo”.