França pede julgamento para filhos de ex-presidente gabonês e BNP Paribas

🗓️ 2026-07-27 📁 world-news 📝 ⏱️ 👁️ : -

No total, a PNF pediu o julgamento de 23 pessoas singulares ou coletivas: cinco empresas --- o BNP Paribas e quatro imobiliárias --- e 18 pessoas singulares, entre elas os filhos de Omar Bongo, e Antoinette Sassou Nguesso, mulher do Presidente congolês, revelou fonte judicial à AFP.

Uma fonte próxima do caso adiantou que a ex-miss França e atriz Sonia Rolland também está envolvida.

No âmbito das investigações, foram apreendidas 52 propriedades adquiridas fraudulentamente, segundo fonte judicial.

As investigações decorrem desde o final de 2010, na sequência de uma queixa apresentada pela ONG Transparência Internacional.

A PNF alega que os imóveis terão sido comprados via um poderoso sistema de corrupção, clientelismo político e interesses comerciais entre Paris e as suas antigas colónias no continente africano. Este sistema deu origem ao "Caso Elf", que girava em torno de comissões secretas pagas pela petrolífera francesa a Bongo, falecido em junho de 2009, e ao seu círculo mais próximo.

De acordo com informações da investigação obtidas pela AFP, a justiça francesa acredita que Omar Bongo entregou dezenas de milhões de euros em dinheiro vivo a uma empresa gabonesa de design de interiores, a Atelier 74, para financiar aquisições imobiliárias. O dinheiro foi depois transferido para a conta francesa da empresa.

O BNP Paribas, que está sob investigação formal desde maio de 2021, enfrenta julgamento por branqueamento de capitais agravado, incluindo corrupção e desvio de fundos públicos, segundo fonte judicial.

O banco francês é acusado de ter facilitado, entre 1996 e 2008, à família Bongo e aos seus associados, através da Atelier 74, "a conversão de fundos de origem ilícita em transações imobiliárias, num total de pelo menos 35 milhões de euros", segundo os detalhes da acusação ctiados pela AFP.

"Contestamos qualquer responsabilidade criminal por parte do BNP Paribas neste caso. Defenderemos a nossa posição e lembramos que os acontecimentos ocorreram antes de 2008", respondeu o banco quando contactado pela AFP.

Entre os descendentes de Omar Bongo, a PNF solicita a acusação da sua filha mais velha, Pascaline, por recetação de fundos públicos roubados, branqueamento de capitais, corrupção ativa e passiva e desvio de bens da empresa. Pascaline Bongo desempenhou as funções de chefe de gabinete do pai até à morte deste. É suspeita, em particular, de ter adquirido fraudulentamente diversos apartamentos de luxo em Paris.

Outros filhos alvos da acusação incluem Ali, Jeff, Hermine, Arthur, Omar Denis Junior, Yacine Queenie, Betty e Grâce.

Elise Arfi, advogada de Grâce Bongo Odimba, disse à AFP que «este é um caso altamente político» que visa «o confisco de bens», e que a sua cliente «foi acusada 25 anos após ter adquirido um apartamento comprado de forma perfeitamente legal». «Por isso, vamos contestar os efeitos disto em tribunal", frisou.

A PNF solicita ainda que Antoinette Sassou Nguesso, de 81 anos, seja julgada em relação à compra de um apartamento de luxo Paris. É alvo de um mandado de detenção emitido em janeiro de 2026, segundo fonte próxima do caso citada pela AFP.

Quanto à ex-Miss França 2000, Sonia Rolland, é visada por em 2003 ter recebido um apartamento em Paris de Edith Bongo, esposa de Omar Bongo, que conheceu em 2001 durante a criação do concurso Miss Gabão e com quem, posteriormente, desenvolveu uma estreita amizade. Esta declarou ao juiz de instrução que se tratava de um "presente" e explicou que não questionou a origem dos fundos utilizados para a compra, segundo informações obtidas pela AFP.

Em 2021, o Parlamento francês aprovou uma lei para restituir ao público os bens apreendidos em casos de enriquecimento ilícito.

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