Funcionários de hospital privado apanhados em esquema de receitas falsas para vender medicamentos da moda para a perda de peso
Segundo a Polícia Judiciária, os bens adquiridos eram, depois, colocados à venda no mercado paralelo, com elevados proventos e com graves riscos para a saúde dos consumidores, a quem se facilitava a automedicação e a administração fora do controlo médico e sanitário adequados
A Polícia Judiciária (PJ) deteve na zona do Grande Porto quatro pessoas, incluindo dois funcionários de um centro hospitalar privado, suspeitos de falsificar prescrições médicas para adquirir medicamentos comparticipados que depois eram vendidos num mercado paralelo, foi esta quinta-feira anunciado.
Em comunicado, a PJ esclareceu que realizou uma operação policial, na zona do Grande Porto, tendo procedido à detenção de quatro pessoas, com idades entre os 28 e os 52 anos, entre as quais dois funcionários de um centro hospitalar privado da zona Norte.
Segundo a Judiciária, os suspeitos, detidos no âmbito de um inquérito tutelado pelo Departamento de Investigação e Ação Penal do Porto, terão praticado vários crimes, nomeadamente burla qualificada, falsificação de documentos e falsidade informática, pelo menos, desde 2024 até à atualidade.
“A investigação, conduzida pela Diretoria do Norte da PJ, incide sobre a atuação concertada dos suspeitos que, abusando dos acessos facultados pelo exercício das suas funções ou de terceiros, falsificavam prescrições de diversas tipologias, nomeadamente de medicamentos para diabéticos obesos, adquirindo-os a preços comparticipados por diversos sistemas de saúde ou entidades seguradoras”, refere a mesma nota.
De acordo com os investigadores, os bens adquiridos eram, depois, colocados à venda no mercado paralelo, com elevados proventos e com graves riscos para a saúde dos consumidores, a quem se facilitava a automedicação e a administração fora do controlo médico e sanitário adequados.
“Os suspeitos desenvolveram, desta forma, um esquema criminoso, em benefício próprio e de terceiros, através do prejuízo do Serviço Nacional de Saúde e de entidades seguradoras”, conclui a mesma nota.
A PJ refere ainda que os detidos vão ser presentes ao Tribunal de Instrução Criminal do Porto, para primeiro interrogatório judicial e aplicação das medidas de coação tidas por adequadas.