Fundos captam R$ 33,9 bi com corrida do investidor para renda fixa antes das eleições
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Os fundos de investimento registraram entrada líquida de R$ 33,9 bilhões em agosto, revertendo a saída de R$ 15,6 bilhões apurada em julho, segundo o Boletim de Fundos divulgado pela Anbima na terça-feira (8). No acumulado do ano, a captação líquida da indústria soma R$ 261 bilhões, e o patrimônio líquido total chegou a R$ 11,37 trilhões, com alta de 1,27% no mês.
O resultado foi puxado pelos fundos de renda fixa, que saíram de resgates líquidos de R$ 17,6 bilhões em julho para uma captação de R$ 47,2 bilhões em agosto, a maior desde fevereiro. Dentro da categoria, o destaque ficou com os fundos do tipo duração livre crédito livre, que receberam R$ 14,9 bilhões no mês. Esses produtos aplicam mais de 20% da carteira em títulos de médio e alto risco de crédito, no Brasil ou no exterior.
O movimento aconteceu quando começou oficialmente a campanha eleitoral, e antes do período onde costuma haver mais volatilidade nos mercados, a um mês do primeiro turno. “A renda fixa segue como principal vetor de captação da indústria, refletindo a busca dos investidores por previsibilidade diante do ambiente de juros ainda elevado e da proximidade das eleições, o que tende a ampliar a volatilidade dos mercados”, afirmou Pedro Rudge, diretor da Anbima.
Com a captação do mês, o patrimônio da renda fixa alcançou R$ 4,88 trilhões, o equivalente a cerca de 43% de tudo o que está aplicado na indústria. Outras classes também terminaram agosto no campo positivo, ainda que com volumes bem menores. Os ETFs captaram R$ 778,5 milhões, os fundos de investimento em participações (FIPs) receberam R$ 699,8 milhões e os fundos cambiais somaram R$ 419,1 milhões.
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Multimercados lideram os resgates
No lado negativo, os multimercados voltaram a liderar as retiradas, com saída líquida de R$ 8,7 bilhões em agosto, no sétimo mês consecutivo de resgates. No ano, as saídas da categoria somam R$ 15,7 bilhões. Os fundos do tipo livre perderam R$ 8,9 bilhões apenas em agosto, mais do que a saída líquida de toda a categoria, e acumulam resgates de R$ 19,7 bilhões em 2026. Na direção oposta, os multimercados de investimento no exterior, que podem alocar mais de 40% do patrimônio em ativos fora do país, receberam R$ 1,8 bilhão no mês e acumulam R$ 15,8 bilhões no ano, a maior entrada da categoria.
Os fundos de ações encerraram o mês com captação líquida negativa de R$ 512,4 milhões, resultado melhor do que o de julho, quando as saídas somaram R$ 1,5 bilhão. No ano, os resgates da classe chegam a R$ 8,1 bilhões. O comportamento interno repetiu o dos multimercados, com os fundos do tipo livre registrando saída de R$ 1,6 bilhão em agosto, também acima do resultado agregado da classe, e de R$ 11,9 bilhões em 2026. Os fundos de investimento no exterior lideraram as captações, com R$ 1,2 bilhão no mês e R$ 12,8 bilhões no ano.
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Também ficaram no vermelho os fundos de investimento em direitos creditórios (FIDCs), com saídas de R$ 3,2 bilhões, e os fundos de previdência, com resgates de R$ 2,6 bilhões, igualmente no sétimo mês seguido de retiradas. Os Fiagros perderam R$ 54,4 milhões, no primeiro mês de resgates líquidos desde que a Anbima passou a divulgar os dados da categoria, em 2025. As estatísticas do segmento consideram os fundos que se adaptaram à Resolução CVM 214.