Gari atropelado estava na função há dois meses - 27/07/2026 - Cotidiano - Folha

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O gari Diêgo Rafael da Silva, 19, que morreu após ser atropelado por um empresário chinês na rua do Bosque, na Barra Funda, zona oeste de São Paulo, na noite de domingo (26), trabalhava na coleta de lixo na cidade havia dois meses, desde maio. Ele era funcionário da Loga, concessionária responsável pela coleta na região.

O coletor era casado, deixa uma filha de 1 ano e 3 meses e a esposa grávida.

Silva aguardava o despejo de resíduos de um contêiner para o interior do caminhão de lixo. Ele estava na lateral esquerda do caminhão quando o veículo conduzido por Guofang Huang, 53 —um Land Rover Discovery preto, ano 2010— o atingiu.

Com o impacto, Diêgo foi arremessado para a parte da frente do caminhão. O boné que usava chegou a ser arremessado e caiu perto de onde ele estava antes de ser atingido.

Conforme o boletim de ocorrência, Huang não parou e fugiu do local. Um motoboy que viu o atropelamento o seguiu, e o empresário retornou ao endereço tempo depois. O motorista do caminhão de lixo interveio para que Huang não fosse agredido por testemunhas. Ele foi submetido ao teste do bafômetro, que aferiu 0,73 mg/l de álcool por litro de ar alveolar — acima do limite de 0,34 mg/l, considerado crime.

Silva morreu na Santa Casa, na Vila Buarque, região central de São Paulo.

Huang permaneceu calado na delegacia, não respondendo a perguntas. Ele passou por audiência de custódia no Fórum da Barra Funda na tarde desta segunda-feira e teve a prisão convertida em preventiva, sem prazo.

Até a noite, ele ainda não havia dado entrada em nenhum CDP (Centro de Detenção Provisória) e, assim, deve pernoitar na carceragem de uma delegacia.

Conforme a Loga, o caminhão da concessionária estava estacionado e devidamente sinalizado, conforme os protocolos de segurança.

A defesa de Huang, composta pelos advogados Lucas Quintela e Jéssica Narjara Camillis, afirmou que recebeu com serenidade a notícia da prisão e que acompanhará de perto a investigação, colaborando para o completo esclarecimento dos fatos.

"Neste momento, é imprescindível destacar que as circunstâncias do ocorrido ainda estão sendo apuradas pelas autoridades competentes, razão pela qual qualquer conclusão antecipada sobre eventual responsabilidade criminal mostra-se precipitada", afirmou a defesa.

A defesa destacou que a Constituição Federal assegura a toda pessoa o direito ao devido processo legal, ao contraditório, à ampla defesa e à presunção de inocência, garantias que devem ser respeitadas durante toda a persecução penal.

"Por respeito à investigação, aos familiares da vítima e ao próprio andamento do processo, a defesa não fará comentários sobre o mérito dos fatos neste momento, reservando-se a manifestar-se exclusivamente perante as autoridades competentes e, oportunamente, quando houver acesso integral aos elementos da investigação", finalizou.