Gás lacrimogénio e fogo nas ruas: Protestos estudantis escalam em França

🗓️ 2026-10-02 📁 world-news 📝 ⏱️ 👁️ : -

A mobilização estudantil, que reivindica melhores condições de ensino, o fim da supressão de vagas nas universidades e dos cortes nas bolsas de estudo, começou na semana passada na região de Paris e tem-se alargado a todo o país. Esta sexta-feira, há mais de 400 escolas fechadas numa tentativa de conter os distúrbios. 

Nas imagens que chegam do local (e que pode ver na galeria acima) é possível observar um rasto de destruição, confrontos entre forças de segurança e jovens, gás lacrimogénio lançado, bem como caixotes a arder pelas ruas. 

A polícia de choque enfrentou manifestantes em Aubervilliers, perto de Paris, bem como em Toulouse, Rennes e Marselha, tendo em alguns casos recorrido a cassetetes e balas de borracha. O governo alega que há grupos arruaceiros infiltrados na mobilização estudantil.

Até ao início da manhã já tinham sido detidas pelo menos 600 pessoas, segundo um balanço da polícia ao Le Figaro. Perante a gravidade dos protestos, o ministro da Justiça francês, Gérald Darmanin, anunciou ter pedido aos procuradores que exijam a responsabilização civil dos pais pelos danos causados pelos filhos.

O ministro afirmou que cerca de 300 polícias e militares da Gendarmerie (força de segurança de estatuto militar) e mais de 60 professores e responsáveis de estabelecimentos de ensino, ficaram feridos durante os incidentes.

Protestos estudantis em França: Há 600 detidos e 400 liceus fechados

Protestos estudantis em França: Há 600 detidos e 400 liceus fechados

Pelo menos 600 pessoas foram detidas e 400 liceus encerrados hoje numa nova jornada de protestos estudantis em França, marcada por alguns episódios de violência e atos de vandalismo graves, indicaram os meios de comunicação social franceses.

Lusa | 13:24 - 02/10/2026

"Mobilização deve continuar"

O Governo anunciou a criação de uma plataforma de concertação para debater os problemas, mas os sindicatos estudantis apelaram à continuação dos bloqueios dos estabelecimentos de ensino.

Após uma reunião com o Ministro da Educação, representantes dos sindicatos estudantis revelaram ao Le Figaro que "receberam diversas respostas, principalmente em relação ao horário escolar, saúde mental e condições dos prédios": "No entanto, não recebemos nenhum compromisso concreto do ministro. Estamos um pouco dececionados", declarou um dos representantes.

"A mobilização deve, portanto, continuar nas escolas secundárias. (...) Temos orgulho de pertencer a esta geração capaz de se mobilizar pelos seus direitos", concluiu.

Os danos em escolas secundárias, particularmente nos portões de entrada, já custaram vários milhões de euros, de acordo com as últimas estimativas das regiões de Île-de-France, Grand Est e Auvergne-Rhône-Alpes. 

Polícia pede a pais para lembrarem filhos das medidas de segurança

Através das redes sociais, a polícia nacional insta os pais a recordar aos filhos, que participem nos protestos, as normas de segurança. "Lembrem-nos das medidas de segurança adequadas. A presença de indivíduos violentos, às vezes armados, leva a situações que podem agravar-se rapidamente", pode ler-se na descrição da publicação, que acrescenta: "Para sua segurança, deve manter distância e seguir as instruções da polícia". 

França Insubmissa acusado de contribuir para a escalada de violência

Os serviços de informação franceses acreditam que o movimento é uma "operação organizada pelo partido La France Insoumise [LFI, França Insubmissa] e pelos seus aliados de extrema-esquerda", disse o gabinete do primeiro-ministro.

O LFI tinha convocado "a expansão" dos bloqueios das escolas depois de o seu líder, Jean-Luc Mélenchon, ter denunciado "a repressão" do movimento, apelando aos eleitos e ativistas do partido para que "interviesse onde" puderem.

O ex-primeiro-ministro e candidato centrista Gabriel Attal pediu aos partidários do LFI que "parem de usar os jovens como carne para canhão", enviando-os "para se colocarem em perigo a si próprios e aos outros, incluindo polícias e funcionários da educação".

Os protestos ocorrem num momento em que o país se prepara para as eleições presidenciais em abril de 2027. Emmanuel Macron já cumpriu o máximo os mandatos e não pode candidatar-se novamente, mas a líder da extrema-direita, Marine Le Pen, afirmou que concorrerá à presidência pela quarta vez.

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