Glória: Lisboa homenageia vítimas e pede medidas por concretizar

🗓️ 2026-09-09 📁 world-news 📝 ⏱️ 👁️ : -

Em reunião privada do executivo municipal, o voto do PS foi viabilizado por unanimidade, indicou à agência Lusa fonte da autarquia, informando que a governação PSD/CDS-PP/IL apresentou uma declaração de voto em que ressalvou que não acompanha os considerandos deste documento, "nomeadamente os aspetos de combate político e as expressões opinativas para efeitos de dialética", os quais rejeita, mas, no entanto, concorda com as deliberações propostas.

Os pontos deliberativos do voto do PS passam por evocar a memória das vítimas, manifestando solidariedade, bem como reafirmar o compromisso da cidade "com os valores da verdade, da transparência, da responsabilidade e da segurança, indispensáveis à preservação da confiança dos cidadãos nas suas instituições".

Outra das deliberações é para "reiterar a necessidade de dar integral execução às medidas aprovadas pela Câmara Municipal de Lisboa (CML), na sequência do acidente do Ascensor da Glória, que se encontrem ainda por concretizar, promovendo a sua conclusão com a maior brevidade possível", segundo o voto do PS, que determinou ainda "um minuto de silêncio em memória das vítimas".

Nos considerandos do voto, o PS refere que, nos dias que se seguiram à tragédia, a CML reconheceu que o respeito pelas vítimas e suas famílias "exigia uma atuação célere no apuramento das causas e das responsabilidades", mas, "um ano depois, esse compromisso está ainda longe de se encontrar cumprido".

"Particularmente incompreensível é que, decorrido um ano sobre a maior tragédia ocorrida na cidade de Lisboa em várias décadas, o presidente da CML não tenha feito uma prestação pública, global e circunstanciada de esclarecimentos sobre o acidente e sobre a atuação do município e da Carris desde então", considera a vereação socialista, criticando ainda a demora nas indemnizações às vítimas.

A este propósito, a vereação do Livre sublinhou que "passou um ano e ainda muito há por fazer, tanto pelas vítimas, como pelas infraestruturas da cidade de Lisboa", e afirmou que "a responsabilidade política continua por atribuir", lamentando que a governação PSD/CDS-PP/IL, liderada pelo social-democrata Carlos Moedas, tenha excluído todos os vereadores sem pelouro, que integram a oposição na CML, da homenagem as vítimas no dia em que se assinalou um ano desde a tragédia, no âmbito da inauguração do memorial, cerimónia para a qual não foram convidados.

Também o BE disse que "continua a opacidade e a falta de apoio às vítimas", voltando a exigir que a CML assegure um mecanismo municipal de apoio, complementar à atuação das seguradoras, garantindo acompanhamento jurídico, social e psicológico permanente, incluindo para os residentes no estrangeiro.

Manifestando solidariedade com as vítimas do descarrilamento do elevador da Glória, sobretudo turistas estrangeiros, o PCP reiterou a necessidade de "apuramento célere das responsabilidades" e de apoio às vítimas e familiares, voltando a criticar a externalização de serviços de manutenção da Carris, empresa municipal de transporte público.

Já a vereação do Chega disse que votou a favor do voto do PS porque "as vítimas deste trágico acidente não podem ser esquecidas", afirmando que "não deixará que os mortos e feridos no acidente do elevador da Glória sejam apenas números".

Passado um ano, dos 40 processos de indemnização a familiares das vítimas mortais e a sobreviventes do acidente, apenas se encontram concluídos quatro, segundo a seguradora da Carris, a Fidelidade.

Ainda estão em curso as investigações do Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves e de Acidentes Ferroviários (GPIAAF) e do Ministério Público às causas e responsabilidades do acidente, com ambos a estimarem ter conclusões "até ao final do primeiro trimestre de 2027".

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