Gomes Cravinho quer lançar Congresso da Europa para jovens repensarem UE

🗓️ 2026-09-26 📁 world-news 📝 ⏱️ 👁️ : -

Em entrevista à agência Lusa dois meses depois de ter assumido o cargo de reitor do Colégio da Europa, João Gomes Cravinho recordou que, no recente debate do Estado da União, em 16 de setembro, a presidente da Comissão Europeia propôs que se organizasse um novo Congresso da Europa em 2027, quase 80 anos depois do primeiro, em 1948 em Haia.

"Qual é o melhor lugar para se fazer esse exercício? Há lugar melhor do que o Colégio da Europa, que tem, aqui em Bruges, 49 nacionalidades, a esmagadora maioria dos 27 países da União Europeia e jovens que serão os donos da Europa daqui a 10, 15, 20 anos e que estão genericamente insatisfeitos com a Europa que temos?", perguntou o antigo ministro da Defesa e dos Negóciso Estrangeiros português.

Insistindo que o Colégio da Europa é um "microclima extremamente apropriado para se discutir", Gomes Cravinho defendeu que a sua "orientação geral" enquanto reitor é garantir que a instituição serve também de "laboratório para o futuro da Europa".

"Portanto, nós vamos fazer o nosso Congresso da Europa. Depois logo se vê como funciona o outro, que Ursula von der Leyen referiu, mas independentemente disso, vamos desenvolver o nosso e ver que resultados produzem estes jovens", anunciou, indicando que o objetivo é que esses resultados possam servir de "contributo interessante e estimulante" para o Congresso anunciado pela presidente da Comissão Europeia.

Gomes Cravinho assume a reitoria do Colégio da Europa depois de a sua antecessora, Federica Mogherini, se ter demitido em dezembro de 2025 por suspeitas de fraude, corrupção, conflito de interesses e violação do segredo profissional.

À Lusa, o novo reitor reconheceu que se tratou de "um episódio infeliz na história do Colégio", mas frisou que é preciso esperar pelo desenlace do processo judicial para "perceber se há sequer alguma coisa que seja negativa".

No entanto, Gomes Cravinho salientou que o Colégio da Europa é uma instituição "extremamente sólida" e, apesar deste caso, bateu este ano o recorde do número de alunos inscritos, pela primeira vez acima dos 500.

"Portanto, acho que, tanto pelo número de candidaturas como pelo número de aceitações, vê-se que estamos bem", afirmou.

Ministro da Defesa entre 2018 e 2022 e dos Negócios Estrangeiros de Portugal entre 2022 e 2024 e atualmente reitor de uma instituição que inclui uma Academia Diplomática, que irá formar alguns dos próximos diplomatas da UE, João Gomes Cravinho foi questionado se considera que o Serviço Europeu de Ação Externa (SEAE) precisa de ser reformado, como tem sido defendido por alguns Estados-membros.

Na resposta, o ex-chefe da diplomacia portuguesa advertiu que "não existem neste momento condições para reformar tratados", mas propôs que seja criado um tratado suplementar, semelhante aos que consagraram o Espaço Schengen e o Euro, que pode ser integrado opcionalmente pelos Estados-membros e que permitiria agilizar as decisões a nível de política externa.

"Isso poderia ajudar a resolver o problema do poder de veto e da unanimidade. Um tratado à parte poderia, eventualmente, prever não o fim do poder de veto, mas que esse poder poderia enfrentar um teste qualitativo de elevada exigência que levaria a que fosse utilizado apenas em caso de absoluto interesse nacional intransponível", sugeriu.

Sobre o Conselho de Segurança anunciado por Von der Leyen no discurso do Estado da União, Gomes Cravinho confessou ser "muito difícil perceber as vantagens" que esse novo órgão teria e frisou que os problemas da Europa não se resolvem "com mais umas reuniões".

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